
Com a água salgada, desde o dia 1º de fevereiro está liberada a captura do camarão na Lagoa dos Patos. No entanto, os pescadores esperaram pela benção de Nossa Senhora dos Navegantes, santa de sua devoção e com homenagens realizadas na quarta-feira (2), para se lançar com mais intensidade à lagoa em busca do crustáceo. Com isso, a partir de agora, aumenta a oferta do pescado ao consumidor.
De acordo com o secretário municipal de Desenvolvimento Rural, Jair Seidel, o camarão, que tem sua captura autorizada por lei até o dia 31 de maio, é a principal fonte de renda das cerca de 700 famílias da Colônia de Pescadores Z-3 em Pelotas. “A expectativa é extremamente positiva, pois todas as condições estão favoráveis à produção, com a lagoa baixa e a salinidade das águas”, diz.

Jair Seidel, para a safra é extremamente positiva. (Foto: Arquivo/Michel Corvello/Prefeitura de Pelotas)
Seidel conta que a maior produção obtida até agora foi em 2013, um ano excepcional, segundo ele, em que foram comercializadas seis mil toneladas do crustáceo. “Se espera pelo menos metade disso. No ano passado, foram duas mil toneladas”, ressalta.
O principal destino desta produção é para fora do estado, principalmente Santa Catarina. No mercado local, a venda é feita em 25 postos fixos que funcionam durante todo o ano. “Temos um cadastro de 50 feirantes na Secretaria. Na Semana Santa, mais 25 bancas reforçam o atendimento nas Feiras do Pescador, por causa do aumento de demanda”, diz.
Segundo a Emater, existem hoje 800 pescadores cadastrados e legalizados no município. Deste total, 700 são da Colônia Z-3 e os demais distribuídos entre outras localidades, como Barra e Balsa. O chefe do escritório municipal da Emater Pelotas, Francisco Arruda, lembra que os pescadores podem usar as redes denominadas aviãozinho para a captura do camarão, fixadas com escoras de eucalipto no meio da lagoa. A pesca de arrasto é proibida.
Os preços praticados neste início de safra variam entre R$ 8 e R$ 10 para o quilo do camarão com casca e de R$ 35 a R$ 40 para o pescado limpo. Neste ano, por causa do aumento no número de casos de Covid-19, não foi realizada a tradicional cerimônia de abertura oficial da safra.

Fábio Branco (MDB) e do secretário nacional da Pesca, Jorge Seif. (Foto: Álvaro Guimarães/Divulgação)
Em Rio Grande, o ato foi realizado em frente às docas do mercado público e teve a presença do secretário nacional da Pesca, Jorge Seif e do prefeito de Rio Grande, Fábio Branco (MDB). Otimista, Seif projetou uma safra excelente, se posicionou contra a pesca de arrasto e defendeu fiscalização rigorosa tanto na costa quanto no interior do estuário.
“Os barcos grandes e pequenos precisam do mar e dos recursos, mas alguns não respeitam as regras, por isso a pesca de arrasto está suspensa e tomamos medidas para que estes barcos sejam monitorados. Dependemos muito da fiscalização e os infratores devem ser exemplarmente punidos, mas não se pode criminalizar toda a atividade por causa daqueles que desrespeitam a lei”, afirma. Segundo ele, os efeitos da estiagem estão fora do controle dos pescadores, mas aposta em uma grande safra para os pescadores gaúchos.



