Campanha tenta conscientizar população sobre o tratamento adequado do lixo em Pelotas

Apesar da maioria das lixeidas do Centro estar e,m boas condições, a população teima em jogar lixo no chão (Foto: Lylian Santos)

A Prefeitura de Pelotas lançou, na última semana, uma campanha de conscientização chamada “Joga Fora no Lixo”, quem tem como objetivo educar e conscientizar a população a respeito do tratamento adequado do lixo. A ação, ainda restrita às mídias sociais, apresenta aos pelotenses vídeos sobre o ciclo do lixo e destacam como pequenas ações podem ajudar a melhorar a cidade.

“Nós estamos fazendo a nossa parte, cuidando da cidade e dando todo suporte necessários para as equipes executarem os serviços de zeladoria. Agora precisamos da colaboração da população, a prefeitura sozinha não vai conseguir resolver. É momento de unirmos forças, não queremos água na casa de nenhum pelotense, sequer, nas ruas atrapalhando o dia a dia de quem circula pela nossa cidade”, destacou o prefeito de Pelotas, Fernando Marroni (PT).

Fomos ao Centro conferir a situação

Das 38 lixeiras contabilizadas no perímetro percorrido pela reportagem, apenas 8% não têm condições de uso (Foto: Lylian Santos)

Durante a semana, a reportagem do JTR percorreu algumas ruas do Centro para averiguar a situação das lixeiras e, como os pelotenses cuidam do seu lixo. Nas seis quadras percorridas no quadrilátero formado pelas ruas General Osório, Quinze de Novembro, Marechal Floriano e Voluntários da Pátria – e o Calçadão da rua Andrade Neves – foram contabilizadas 38 lixeiras, sendo que 92% estavam em bom estado (com fundo e sacola). Apesar do número positivo, constatou-se que em determinados trechos o número de lixeiras é insuficiente para o volume de pessoas.

A partir disso, se percebe que o problema, aparentemente não está nas lixeiras, mas sim na falta de hábito da população em usá-las. “Estamos sempre limpando, parece que o trabalho não acaba nunca. Sempre que se limpa, em seguida já tem mais lixo no chão. Não tem um tipo de lixo específico, encontramos de tudo: comida, embalagem e até roupas. No calçadão sempre encontramos lixo no meio dos bancos porque as pessoas têm preguiça de colocar nas lixeiras”, confirmou a gari, Tatiana Bueno.

De acordo com os dados da Sersul, empresa terceirizada encarregada da limpeza urbana, 25 trabalhadores estão encarregados diariamente da limpeza do perímetro compreendido entre a avenida Dom Joaquim até a rua João Manuel e da rua Marcílio Dias até a rua Almirante Barroso. A cada 24 horas eles recolhem aproximadamente uma tonelada de lixo destes locais.

“Apesar do esforço, o trabalho destes profissionais é constantemente prejudicado por um hábito que ainda persiste: o descarte irregular. Muitos moradores, pessoas em situação de rua e comerciantes continuam deixando lixo em locais inadequados ou simplesmente jogando pequenos resíduos no chão, quando poderiam utilizar as lixeiras instaladas pela cidade”, explicou Dejanir Soares, administrador da SerSul.

Para Soares, essa prática não apenas gera mais trabalho para os garis, mas também contribui para entupimento de bueiros, mau cheiro, proliferação de pragas e, em dias de chuva, alagamentos. “Manter a cidade limpa não é responsabilidade apenas dos profissionais de limpeza urbana, mas de todos. A atitude de cada cidadão faz diferença”, ponderou.

Problemas do lixo vão além da poluição

Descartes irregulares são comuns nos bairros da cidade (Foto: Adilson Cruz)

A reportagem também percorreu várias áreas da cidade para averiguar o descarte irregular de entulhos e bens inservíveis em locais inadequados e constatou, pequenos lixões em pontos do Fragata, Distrito Industrial e Três Vendas.

“Seguidamente vejo pessoal despejando restos de podas de árvores, restos de obras e móveis no terreno ao lado dos trilhos. A população faz isso há muito tempo, falta conscientização”, contou a designer Alana Kusma, que trabalha na avenida D. Pedro I.

O professor de Engenharia Ambiental e Sanitária da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Érico Corrêa, esclarece que problemas de drenagem ocorrem quando os resíduos não são bem manejados. “Isso tem muito a ver com a população, não é só o Poder Público. Porque acabamos, muitas vezes, descartando o material de forma irregular. Infelizmente a população não segrega o lixo e chega pouco resíduo nas cooperativas de reciclagem”, disse.

O Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep) também realiza o serviço de limpeza, especialmente do sistema de drenagem que inclui bueiros, bocas de lobo, galerias pluviais e, principalmente, os canais de macrodrenagem e as sete casas de bombas responsáveis pelo escoamento das águas em dias de chuva. “O Sanep, hoje, tem um gasto de R$ 1,5 milhão ao ano exclusivamente em equipes de limpeza e desobstrução de dispositivos de drenagem”, explicou o diretor-presidente, Ellemar Wojahn.

Em dias de chuvas volumosas, os resíduos chegam junto às águas da chuva até as estações de bombeamento, prejudicando o escoamento. As equipes da autarquia realizam a limpeza das grades de contenção para possibilitar a vazão dessas águas. Entre os resíduos retirados do sistema de drenagem há garrafas pet, marmitas, embalagens plásticas de alimentos, além de itens volumosos como móveis e eletrodomésticos.

Educação ambiental começa na escola

Sanep mantém núcleo para atividades nas escolas (Foto: Divulgação)

O Núcleo de Educação Ambiental em Saneamento (Neas), atua com ações de educação ambiental em saneamento, separação e descarte correto dos resíduos, com foco na comunidade escolar. “O engajamento da população é essencial para o sucesso dessa campanha que visa tornar Pelotas cada vez mais desenvolvida e bem-cuidada”, disse Wojahn.

Ecopontos

Além dos mutirões de limpeza e ações extraordinárias de recolhimento de entulhos nos bairros, o município conta com cinco Ecopontos espalhados pela cidade. O Ecoponto é o local correto para o descarte de resíduos inservíveis, reutilizáveis e passíveis de reciclagem. Eles funcionam de segunda a sábado, das 8h às 12h e das 13h às 17h.

“Vemos em vários pontos da cidade, a população jogando sofá, eletrodomésticos, entulhos e resíduos de construção na rua, o ecoponto é para isso mesmo, encaminhar para esses pontos com certeza reduz muito a possibilidade de termos enchentes no município”, disse Corrêa.

Quando o lixo é descartado corretamente, ele segue para os centros de reciclagem. No início do ano, a Prefeitura assinou contrato com nove cooperativas de reciclagem conveniadas ao município. O acordo previu a extensão dos vínculos com as instituições, bem como a valorização pelo serviço prestado a Pelotas, com ampliação em 100% do valor das bolsas e do custeio das despesas operacionais das unidades de reciclagem.

Wojahn explicou que com a assinatura dos contratos foi realizada uma repactuação com as cooperativas para que possam dar continuidade ao trabalho feito. “No ano passado, a reciclagem trabalhou 3,8 mil toneladas de produtos, entre plásticos, papelão, vidro e metais. E com esse esforço que nós estamos fazendo, queremos dar um impulso maior para esse trabalho”, destacou.

Materiais que podem ser descartados no Ecoponto:

  • Resíduos recicláveis;
  • Eletroeletrônicos de linha branca (geladeiras, fogões, televisores, computadores…);
  • Construção Civil (telhas, blocos cerâmicos, madeiras, concretos em geral…);
  • Móveis (sofás, guarda-roupas, mesas, colchões…);
  • Vegetações (galhos de árvores);
  • Pneus;
  • Óleo de cozinha saturado.

Materiais que não podem ser descartados no Ecoponto:

  • Resíduos biológicos (remédios, agulhas, curativos…);
  • Resíduos químicos (agrotóxicos, lâmpadas, pilhas, baterias…);
  • Resíduos domiciliares (restos de alimentos e orgânicos);
  • Latas de tintas (com tintas, vazias podem ser descartadas).

Onde ficam?

  • Ecoponto JK – Avenida Juscelino Kubitschek, 3.195.
  • Ecoponto Laranjal – Rua Bom Jesus, 95, no Balneário Valverde.
  • Ecoponto Balsa – Rua Paulo Guilayn, 201.
  • Ecoponto Cerquinha – Rua Engenheiro Hugo Veiga, 155.
  • Ecoponto Gotuzzo- Rua Machado de Assis, ao lado do reservatório R7.