Apadpel comemora o Dia Internacional da Síndrome de Down com abraço simbólico na nova sede

Associados e membros da comunidade foram até a obra onde está sendo construída a nova sede. (Foto: Stéfane Costa/JTR)

A Associação de Pais de Pessoas com Síndrome de Down de Pelotas (Apadpel) promoveu, na terça-feira (21), Dia Internacional da Síndrome de Down, um abraço simbólico à nova sede da instituição. A construção, iniciada em outubro do ano passado em um terreno localizado na avenida Dom Pedro I, ampliará os recursos e atendimentos da Apadpel.

A atividade faz parte da Semana Municipal de Conscientização sobre a Síndrome de Down.
Também na terça foi inaugurada a exposição “Um olhar em cada ponto!”, com fotos de pessoas com a síndrome atendidas pela Associação. As fotos estão instaladas na Câmara de Vereadores, Prefeitura de Pelotas e Mercado Público.

A fotógrafa responsável pelas obras da exposição, Eliani Winke, conta que os participantes reagiram bem à atividade. “É sempre muito tranquilo, eles são muito dedicados e curtem bastante o momento, se sentirem incluídos e chamados a uma atividade só deles, um momento só deles, eles ficam bastante felizes. Normalmente todos eles super curtem o momento”, diz. A exposição busca, acima de tudo, mostrar a essência das pessoas com Síndrome de Down. “É inevitável, eles demonstram muito, muito amor, muito afeto e, conferindo as fotos vocês vão poder ver”, aponta Eliani.

Exposição com fotos de pessoas atendidas pela Associação está presente na Câmara Municipal de Vereadores, no Paço Municipal e no Mercado Central. (Foto: Stéfane Costa/JTR)

Atualmente, a Apadpel possui 150 associados e realiza cerca de 50 atendimentos por semana. Com a nova estrutura, a demanda atendida será ampliada para 140 consultas semanais.

A estrutura também contará com um pequeno condomínio com seis quitinetes para os jovens que querem morar sozinhos. “Todos eles têm esse sonho de independência, de se desvincular da família, de deixar de ser o filho que fica grudado na mãe, eles querem voar longe, voar alto. O sonho deles é esse, morar sozinho, casar, constituir família, trabalhar fora”, destaca Luana Braga, presidente da Associação.

Ela explica que o projeto envolve a imersão dos atendidos na moradia de forma independente. “Vão ficar lá dois, três dias, conforme for vai se aumentando o tempo. Então inicia como um projeto de aprendizagem. Ele é como qualquer outro tipo de atendimento que há na Associação, só que mais duradouro”, detalha. As atividades na hospedagem contarão com a supervisão dos terapeutas voluntários do local.

No Dia Internacional da Síndrome de Down, Apadpel promoveu um abraço simbólico na nova sede, que está em construção. (Foto: Stéfane Costa/JTR)

O trabalho realizado pela Apadpel, no entanto, é feito de forma independente, com apoio dos associados e da população. “Hoje a Associação sobrevive de doação da comunidade, e mensalidade dos seus associados e depois terá outras formas de arrecadação de recursos para manter estes projetos”, explica. Dentre os serviços desenvolvidos na instituição é possível encontrar aulas de teatro, apoio pedagógico e futsal Down. “A gente tem conseguido incorporar o máximo de atendidos possível, mas nem todos procuram. Alguns espaços, por exemplo, o teatro e o futsal Down estão com vagas abertas sempre”, completa.

Mais espaço para o desenvolvimento
Se por um lado os responsáveis pela Associação não veem a hora de ter a nova sede para ampliar seus recursos, quem é atendido pela Apadpel mal aguenta a emoção de ter, em breve, um novo espaço para suas atividades. Maurício Campelo, de 20 anos, um dos atendidos pela unidade, conta que está animado para a inauguração do novo local, principalmente para ver as pessoas. “A Apadpel é legal. Eu adoro ver os amigos, ver todo mundo”, afirma.

E se promover a interação entre as pessoas com a síndrome é um dos principais objetivos da instituição, a Apadpel acabou conseguindo, também, unir corações, como é o caso de Vinícius Centeno, de 30 anos e Luiza Rangel, de 22 anos, que se conheceram na Associação e completam seis anos de namoro em 2023. Ambos destacam a alegria em frequentar o local e que estão animados para as atividades no novo espaço. “É muito bom aqui e vai ter dança, teatro. A Associação são os nossos amigos”, conta Luiza.

Vinícius Centeno e Luiza Rangel se conheceram durante as atividades na Associação e estão ansiosos para a inauguração da nova sede. (Foto: Stéfane Costa/JTR)

Outro membro que participa ativamente das ações desenvolvidas pela Apadpel é Gabriel Nogueira, de 35 anos, formado em Teatro e professor da Associação. Entre as aulas estão expressão vocal, corporal e da mente. “A gente está ensaiando uma peça teatral também, pra depois apresentar”, conta.

Gabriel Nogueira é formado em Teatro e atua como professor na Associação. (Foto: Stéfane Costa/JTR)

Ivoneara Braga, proprietária da loja Girassol Modas, é uma das colaboradoras que contribuem com apoio sempre que possível. “Eu sempre que pude colaborei, eu doo as roupas da minha loja que sobram. Esses dias eu dei mais de 500 peças e elas vendem no brechó solidário pra ajudar aqui”, relata. A empresária também realizou uma campanha com suas clientes para arrecadação de recursos para sacos de cimento que seriam utilizados na obra.

O arquiteto responsável pela obra, André Cardoso, explica que a construção está sendo feita em três etapas. “Esse projeto aqui, a princípio, nós temos um orçamento de R$ 1,5 milhão, são mais de 800m² de área construída e agora nós estamos fazendo a primeira etapa. Ele foi dividido em três. Essa etapa aqui tem em torno de 155 m² e vai custar cerca de R$ 450 mil. Acredito que terminamos ela no final de junho e já vamos entregar pra eles poderem utilizar”, projeta. A maior parte dos recursos para a obra foram adquiridos através de uma parceria entre o Rotary Club Pelotas Oeste, Rotaract Club de Pelotas Oeste e o Interact Club de Pelotas Oeste juntamente com o Rotary Club of Alpharetta, nos Estados Unidos.

História
A Associação de Pais de Pessoas com Síndrome de Down de Pelotas como conhecemos hoje nem sempre foi assim. Toda a organização e serviços oferecidos derivaram do amor de quatro mães que, no ano de 2012, buscavam trocar experiências entre si e promover a interação entre seus filhos. “Nós começamos então a reunir outras mães, fazendo piqueniques, cafés na casa de uma mãe e de outra e aí a gente foi criando eventos para poder organizar essas pessoas, pra poder buscar essas pessoas pra próximo da gente”, conta Luana.

Devido ao rumo dos encontros e a proporção que haviam tomado, as mães e demais integrantes do grupo resolveram criar a Associação anos depois. “Em 2017 a gente pensou assim ‘olha a gente precisa formalizar esse grupo pra ter mais credibilidade, porque os nossos eventos estavam crescendo a ponto da gente ter que pedir patrocínio pras pessoas, pras empresas, pra fazer tipo palestras que a gente vinha fazendo”, acrescenta.

No ano seguinte, já como Associação, o grupo resolveu alugar uma sala para desenvolver seus encontros, que logo ficou pequena para atender as crianças que procuravam atendimentos e receber os voluntários que queriam auxiliar nas atividades. Na troca do espaço, a Apadpel passou a ocupar a sede localizada na rua Barão de Butuí, no Centro de Pelotas, onde aguarda pela nova construção. O local, no entanto, é alugado, e demanda ainda mais recursos da Associação.

Em 2021 a entidade teve uma das maiores viradas de sua história, o início da aquisição da sede própria que. hoje, mesmo ainda incompleta, representa com grandeza o sonho de quatro e outras tantas mães.

Programação
As atividades da programação iniciaram no dia 18, com o jogo da inclusão, no Estádio Bento Freitas e vão até a próxima terça-feira (28). A Semana Municipal de Conscientização sobre a Síndrome de Down é realizada desde 2019, instituída pela Lei Municipal 6.658/2018, pela Prefeitura, Apadpel e Câmara Municipal, com participação de diversas entidades.

Como ajudar
Para colaborar com o serviço oferecido pela Apadpel é possível realizar doações através do PIX CNPJ: 28.915.350/0001-05. A entidade também possui uma campanha no site Vakinha para arrecadar recursos que serão utilizados na conclusão das obras da nova sede, sendo possível contribuir pelo link: https://www.vakinha.com.br/2798535. A Apadpel recebe ainda doações de tampinhas plásticas, além de roupas para o brechó semanal. Contribuições de materiais podem ser entregues na sede da Associação de segunda a sexta-feira das 8h às 11h e das 14h às 18h.

A Síndrome de Down
Segundo a cartilha de Diretrizes de Atenção à Pessoa com Síndrome de Down do Ministério da saúde, a síndrome ou trissomia do 21 é uma condição humana geneticamente determinada. No ser humano o conjunto de cromossomos corresponde a 23 pares, ou seja, 46 cromossomos, sendo 22 pares de cromossomos denominados autossomos e um par de cromossomos sexuais, representados por XX nas mulheres e XY nos homens. A síndrome é caracterizada pela presença de um cromossomo 21 extra.

Programação

Sexta-feira (24)

7h30 às 13h
Ação em conjunto com a SAS: Atualização do Cadastro Único e confecção de carteirinhas de prioridade (Lei 6.837/2020) para famílias de Pessoas com Síndrome de Down, rua Dom Pedro II, 959, Centro.

13h30 às 15h
Oficina esportiva com o professor Rafael Mello. Centro de Reabilitação de Pelotas (Cerenepe), rua Zola Amaro, 318, Três Vendas.

15h30 às 16h30
Oficina Musical com a professora Lauren Tavares; Cerenepe, rua Zola Amaro, 318, Três Vendas.

19h
Palestra “O efeito dominó da respiração bucal”, com Luise Marques da Rocha. IFSul Campus Pelotas, Praça 20 de Setembro, 455.

Sábado (25)

8h30
Caminhada Down, com concentração no Mercado Público, seguindo pela Andrade Neves, Sete de Setembro, XV de Novembro e retorno ao Mercado. Aula de zumba com o professor Thiago Prestes e presença da Banda da Máfia Xavante.

14h
Amistoso Apadpel Futsal Down x Escolinha Chupeta Futsal. Avenida Fernando Osório 4510, Centro.

18h
Comemoração pelo trabalho desenvolvido ao longo da semana. Boteco 21 no Distrito Bar, rua Santos Dumont, 516, Centro.

Segunda-feira (27)

10h
Audiência pública na Câmara Municipal de Vereadores, rua XV de Novembro, 207, Centro.

19h
Palestra “Medicação, o que pode e o que não pode na T21”, com Gilberto Garcia. Auditório Enilda Feistauer, IFSul Campus Pelotas, Praça 20 de Setembro, 455.

Terça-feira (28)

19h
Bate-papo: “Conversando com a Otorrino”, com Laura Proto Siqueira. Auditório Enilda Feistauer, IFSul Campus Pelotas, Praça 20 de Setembro, 455.

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