Pelotas: Sala de Lutas da Esef recebe o nome de Paulo Brod

Salão foi inaugurado no sábado (26). (Foto: Divulgação/UFPel)

O pioneiro do judô em Pelotas agora dá nome à Sala de Lutas da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas (Esef/UFPel), que passa a chamar-se “Sala de Lutas Professor Paulo Alberto Lemos Brod”. A cerimônia foi realizada no sábado (23), data em que Brod completaria 84 anos. Na ocasião, familiares, ex-alunos e admiradores estiveram reunidos para lembrar sua trajetória e reverenciar seu papel na consolidação do judô na região sul do estado.

Um homem de visão e que dedicava sua atenção ao desenvolvimento social e à educação. Assim é lembrado Paulo Brod, que também é um dos fundadores da Esef. “As coisas não se dão ao acaso; são uma construção. Queremos valorizar toda a contribuição que ele trouxe para a comunidade e o alcance que isso teve. O trabalho dele atingiu a vida das pessoas. Por isso, a gente acredita num líder que faz”, destacou o diretor da Esef, professor Eduardo Merino.

Brod era natural de Pelotas, mas foi atuando como paraquedista militar, no Rio de Janeiro, em 1958, que aprendeu judô. Em 1959 retornou à cidade natal e trouxe a modalidade consigo. Naquela época, ainda era faixa verde, e por isso seguiu seus estudos em Porto Alegre. Como profissional mais experiente da cidade, fundou o Judô Clube Hércules, em 1965, que veio a se chamar Judô Clube Pelotense e, após seu falecimento, aos 33 anos, a entidade ganhou seu nome. A gestão passou a ser de seu irmão e primeiro aluno, Celso Brod, que seguiu fomentando o esporte na região. “Com seu entusiasmo e dinamismo ele pôde incentivar outros jovens na prática do judô”, relembra o irmão. Uma ata do Conselho Municipal de Desporto, datada de 1969, mostra que Paulo Brod foi um dos que propôs a formação de uma escola para formação de professores, sendo considerado fundador in memoriam da Esef.

Celso Brod deu continuidade ao legado do irmão. (Foto: Divulgação/UFPel)

O homenageado também era professor da rede estadual e ministrava aulas gratuitas para crianças em sua academia, chegando a atender cerca de 200 jovens. “Era uma pessoa que tinha visão de futuro baseado na educação e na importância do esporte para o desenvolvimento social”, salienta Merino, manifestando também gratidão a Celso, que deu continuidade ao legado.

Presente na homenagem, o filho de Paulo Brod, André Brod, disse que o momento era de muito orgulho pelo trabalho que o pai realizou. “Ele era muito idealizador e seu trabalho tinha foco na assistência social. É muito emocionante saber que não só a história dele, mas do judô, pode abrir horizontes”, afirma.

Sala de Lutas
A Sala de Lutas da Esef é um espaço que congrega o projeto de extensão “Judô para a Comunidade”, que tem cerca de 20 participantes e promove o esporte junto à formação de profissionais e a pesquisa “A Época de Ouro do Judô Pelotense”, que faz um resgate da história do judô no município, em especial à sua década mais frutífera: 1970-1980.

Museu Virtual do Judô
As histórias e memórias do judô pelotense estarão reunidos no Museu Virtual do Judô, em elaboração pela Esef. No espaço virtual, fotografias, documentos, depoimentos e outros elementos estarão em exposição. A intenção é que o lançamento ocorra no início de novembro. As primeiras mostras irão focar no Judô de Pelotas e no Judô Feminino – com destaques como a primeira mulher faixa-preta e a primeira professora graduada.

A proposta é que o Museu não seja apenas contemplativo, mas que a comunidade possa enviar suas recordações para compor o acervo. O Museu Virtual do Judô irá compor a Rede de Museus da UFPel e poderá ser acessado em site próprio e nas redes sociais Instagram e Facebook. “Queremos tornar pública essa memória e não deixar a história se perder, mostrando a importância do esporte para o desenvolvimento social, econômico, cidadania e formação”, pontuou o diretor.

O estudante Leandro Souza Borges, do quinto semestre de Educação Física, é o responsável pelo Museu e destaca que muitas vezes mesmo quem pratica um esporte não conhece a história de seu desenvolvimento. “O Museu vai valorizar a modalidade e aqueles que contribuíram para que ela surgisse e se desenvolvesse aqui”, comenta. Segundo ele, a experiência também contribui na formação dos futuros profissionais da Educação Física. “É uma experiência nova, que me tira da zona de conforto e me leva a buscar novos conhecimentos”, relata.

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