Pelotense é colaboradora de revista digital da Geração Z

Helena de Ávila Tomaschewski já teve três artigos publicados na GenZHE Magazine. (Foto: Divulgação)

Uma jovem voz feminina ganha espaço no mundo digital e pela facilidade com que a informação rompe fronteiras e chega hoje a qualquer parte do planeta. O livre pensar, mais do que isso, a liberdade para discutir temas importantes, tem na GenZHE a participação de uma pelotense. A organização global trabalha para elevar as mulheres da Geração Z e promover o ativismo interseccional e a equidade por meio da mídia, educação e defesa baseada na comunidade. Desde que foi aceita como colaboradora, a estudante Helena de Ávila Tomaschewski, de 18 anos, já teve três artigos publicados na revista digital do grupo.

No artigo mais recente, de 29 de novembro, Helena abordou como o interesse das pessoas por crimes reais – muitos deles narrados em filmes e séries de tevê – pode prejudicar a saúde mental. Outro tema que discorreu foi sobre os benefícios da conexão com a natureza. O texto trata de estudos recentes dos efeitos da exposição a ambientes naturais na memória de trabalho, na flexibilidade cognitiva e no controle da atenção, enquanto a exposição a ambientes urbanos está ligada a déficits de atenção. Já no primeiro artigo, ela questionou os motivos de personalidades estarem se apropriando da cultura latina.

Helena completou 18 anos no último dia 10 de outubro e conheceu o trabalho da GenZHE durante o intercâmbio nos Estados Unidos, no primeiro semestre deste ano, onde passou cinco meses como estudante concluinte do High School. A experiência, conta, mais do que possibilitar a fluência no idioma inglês, abriu novos horizontes e permitiu ter contato com hábitos e valores não apenas norte-americanos, mas de outros países, já que também conviveu com intercambistas da Alemanha, Dinamarca e Estônia. Relações interpessoais típicas de sua geração, em que a internet permite fazer amizades, conversar, publicar ideias e iniciativas que podem ser compartilhadas e alcançar pessoas em todos os continentes. “O mundo, de fato, pode nos ouvir hoje”, reforça.

A jovem votou pela primeira vez em 2022 e participou do Enem em novembro. A expectativa é grande para o resultado. Ela sonha em cursar Psicologia (no Processo Seletivo da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) foi aprovada), mas não descarta outras graduações, como Direito e Relações Internacionais. Durante a pandemia, a ex-estudante do Colégio São José descobriu um hobby, a pintura em aquarela, arte que mergulhou, lhe trouxe enorme satisfação e também permitiu se expressar. Racismo, pobreza, música e causas sociais ganharam vida nas telas pintadas e publicadas nas redes sociais. Filha da professora de Filosofia Simoni de Ávila Tomaschewski e do jornalista Jarbas Tomaschewski, Helena está sempre lendo (terminou Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés, e começou o clássico Um Certo Capitão Rodrigo, de Érico Veríssimo). Aos seis anos de idade ilustrou as páginas do primeiro livro de seu pai, crônicas sobre a paternidade, em que ela e o irmão Joaquim são os personagens inspiradores. Já escrever, é uma paixão desperta ainda pequena. Ideias, posições e interpretações daquilo que a incomoda ou chama sua atenção.

“Acredito que fazer parte da GenZHer representa a minha contribuição pro mundo e o legado que eu quero deixar. É ter documentado o que as mulheres de fato se preocupam atualmente, em toda sua extensão. Eu a vejo como uma ferramenta que auxilia na superação da crença de que meninas só se preocupam com ‘futilidades’. É também um peso grande documentar o que acontece no Brasil vindo da visão de uma menina adolescente, e é muito interessante estar num coletivo só de meninas que passam pelas mesmas situações que eu, aqui em Pelotas”, reflete a estudante, sobre sua participação na revista digital.

O que é a Geração Z

O termo refere-se a quem nasceu na primeira década do século 21. A principal marca dessa geração é sua proximidade com o mundo digital. São jovens que passaram a infância e a adolescência em contato direto com os games e as novidades tecnológicas, sem a necessidade de fazer cursos para dominar tais mecanismos. Outras características que marcam a Geração Z: não cria vínculos interpessoais duradouros; relaciona-se através das redes sociais e por aplicativos; pratica o consumo ativista de marcas; dá valor menor à graduação universitária; tem na internet a grande companheira e a usa para manifestar opiniões de causas e lutas

A GenZHER

A organização foi fundada em abril de 2020 por Zikora Akanegbu, na época com 15 anos e moradora de Maryland, Estados Unidos. Ela é também editora-chefe da GenZHER Magazine, plataforma focada em dar espaço a vozes jovens femininas em todo o mundo para contar suas histórias e prepará-las para liderar mudanças. A iniciativa chamou a atenção da imprensa e rendeu registros, por exemplo, no The New York Times.

Em entrevista à New Moon Girls Magazine, Zikora destacou o papel da GenZHER. Confira alguns trechos:

“Somos (a Geração Z) 32% da população. A GenZHER destaca jovens mulheres que estão causando um impacto claro em sua comunidade e possivelmente no mundo. Além disso, a plataforma inspira jovens do sexo feminino a não deixar que os rótulos afetem suas medidas de sucesso, ao mesmo tempo em que as encoraja a ser a mudança que desejam ver no mundo.”

“A GenZHER centra as meninas da Geração Z como criadoras de conteúdo, mas nossos ensinamentos e conteúdo estão disponíveis para todos de qualquer identidade de gênero ou expressão ou idade.”

“Descobri cada vez mais minha paixão pelo ativismo. Percebi o quão poderosa é a Geração Z. Na vanguarda da mudança e do ativismo da Geração Z estão as garotas da Geração Z. Achei que era hora de compartilharmos nossas vozes para um bem maior.”

“Não deixei minha idade, gênero ou mesmo os estereótipos associados à minha geração definirem quem eu era. Frequentemente me perguntavam:’“O que torna o GenZHER diferente de outras plataformas de mídia online?’ A GenZHER é dirigida e escrita a partir da nova perspectiva que é a geração Z. Outras revistas para adolescentes têm escritores e executivos adultos que tentam atrair seu público adolescente. Procuro garantir que as meninas da minha geração tenham voz por meio da publicação digital.”

“Hoje, a GenZHER tem orgulho de ser uma equipe inteiramente dirigida por jovens, dedicada a capacitar a próxima geração de meninas. Somos um grupo poderoso, experiente, inovador e diversificado de mais de 65 meninas da Geração Z de 18 estados nos EUA e oito países.”

Artigos publicados por outras jovens colaboradoras do coletivo

– Como a Gen-Z e o TikTok estão moldando a política, por Zikora Akanegbu
– Apropriação vs. Apreciação: Uma Análise das Relações Interculturais, por Meron Oumer
– A evolução das mulheres na literatura, por Ananya Uppu
– Leis do Hijab sob o regime do Irã, por Harini Akurathi
– Por que Putin está tão obcecado com a Crimeia?, por Weronika Szumielewicz
– A arte deve fazer parte da discussão atual sobre as mudanças climáticas?: um resumo, por Emily Stokes
– Como a mídia social afeta as habilidades de comunicação, por Soha Mahapatra

Vozes mundiais da Geração Z

– Greta Thunberg, ativista ambiental
– Malala Yousafzai, ativista da causa da educação, a mais nova a receber um Prêmio Nobel
– Billie Eilish, cantora e ativista na relação das pessoas com o corp

Para ler os artigos de Helena

https://www.genzher.org/digitalmagazine/your-love-of-true-crime-could-be-hurting-your-mental-health (Seu amor pelo crime verdadeiro pode estar prejudicando sua saúde mental)

https://www.genzher.org/digitalmagazine/how-connecting-with-nature-benefits-mental-health (Como a conexão com a natureza beneficia a saúde mental)

https://www.genzher.org/digitalmagazine/why-are-people-appropriating-latin-culture (Por que as pessoas estão se apropriando da cultura latina?)

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