Setores projetam aumento no número de contratações temporárias em 2022 na região

Andrine da Silveira, à direita, que foi contratada na última semana de novembro como vendedora em uma loja de roupas, afirma que no momento há mais ofertas de empregos em relação a períodos anteriores. (Foto: Luana Martini/JTR)

Por Luana Martini e Larissa Schneid Bueno

Quanto mais o fim do ano se aproxima, a movimentação nos estabelecimentos comerciais cresce cada vez mais e, consequentemente, gera aumento de contratações temporárias para diversos cargos, principalmente na área do varejo, como venda, reposição, depósito, manutenção, segurança etc. Para os comerciantes pelotenses, o crescimento de vagas demonstra um aquecimento no desempenho das atividades. Até o final do ano, a tendência é de suba, visto que o retorno das atividades pós-pandemia segue em ampliação.

No município, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), o setor do comércio contabiliza, até o mês de outubro de 2022, 7.562 admissões contra 7.341 desligamentos, resultando em uma diferença de 221.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Dirigentes Lojistas de Pelotas (SINDILOJAS), Renzo Antonioli, a época evidencia uma tendência de aumento nas funções comerciais. “E nós já verificamos um aumento, principalmente se comparados a dezembro de 2020 e dezembro de 2021”, afirma. As atividades, segundo ele, até outubro, já contabilizavam 490 contratações temporárias, conforme números da entidade. O presidente ainda salienta que é possível que esse número cresça, chegando a 600 admissões até o final do período de recrutamento.

Do total de contratações temporárias, ele aponta que em torno de 15% são efetivados ao longo do período e que essa porcentagem pode subir. “Esse ano, em especial, talvez mais do que 15% será efetivado em função de que os quadros ainda não estão totalmente repostos, relacionados ao período de 2019, porque houve muita demissão em 2020 e 2021. Então, acredito que a gente atinja de 17% a 19% de efetivação desses funcionários temporários. Acreditamos que sim, que vai haver um ‘upgrade’ bem interessante e, principalmente, em função de termos caído muito nos anos anteriores”, finaliza.

Para muitos gerentes e supervisores, o final do ano de 2022 promete bons resultados. A supervisora de umas das lojas de roupas presentes no Centro de Pelotas, que preferiu não ser identificada, considera o movimento neste período significativo para o desempenho do comércio. “Ano passado a gente contratou bastante, foi muito bom o movimento, deu pra contratar e deu para ficar com muita gente daquela época. O ano retrasado não, não teve por conta da pandemia. Ano passado foram normais as contratações [mesmo diante da pandemia], e este ano, com toda essa crise, a gente está contratando também”, afirma ela, que ainda destaca que o número de contratações, este ano, chegou a cerca de 25, um crescimento positivo em relação ao ano passado, quando foram 15 admissões.

A própria supervisora conta que se mantém no cargo há quatro anos devido a uma vaga temporária que foi aberta na temporada de final do ano. Dessa forma, pôde construir uma trajetória na área comercial. Por isso, destaca a importância desse período, em específico, no processo de procura de emprego. “Eu entrei numa vaga de temporária para trabalhar. Entrei em outubro para fazer escala até o final do ano”, lembra.

Andrine da Silveira, contratada na última semana de novembro para uma vaga temporária em uma loja de roupas para o cargo de vendedora, conta que, em semelhança com 2021, as vagas estão surgindo com maior facilidade e que o período atual é uma oportunidade para quem busca uma ocupação. “É uma oportunidade. Chega final do ano e abre diversas vagas. É uma oportunidade para o pessoal ou trabalhar temporário ou ficar efetivo também. Muitos ficam, porque chega janeiro e fevereiro e o pessoal entra de férias e muitos acabam ficando”, diz a vendedora.

Após o ano de 2021 inteiro sem conseguir um emprego, devido à escassez de vagas, Andrine caracteriza o cenário comercial de 2022 de forma positiva, visto que, agora, conseguiu um emprego com maior facilidade. “[Em 2021] eu estava desempregada, larguei currículo por tudo e só me diziam ou que já estavam com quadro completo ou que talvez poderiam chamar, mas acabava que fiquei bastante tempo desempregada”, relata a funcionária, que trabalha na área há seis anos.

O gestor da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS/SINE), agência Pelotas, Glauber Bürkle, caracteriza o cenário de oportunidades de emprego como estável, após o período pandêmico. “Nesse final de ano, a gente está vendo uma normalização porque não temos o fator pandemia, já passou. Foi, mais ou menos, a oferta de vagas como estava antes da pandemia. O acréscimo em si sempre acontece, naturalmente, por ser final do ano. Os lojistas principalmente contratam mais nesse período para ter um melhor atendimento”, avalia.

Segundo ele, a época também indica crescimento de vagas temporárias no que se refere à sazonalidade da safra, principalmente do pêssego, o que gera muita disponibilidade e procura de emprego.

Em meio ao cenário de final de ano, start-ups como a Link Vagas notam uma intensificação na abertura de vagas, bem como na procura por elas. A empresa afirma que, no período que abrange os últimos meses de 2022, o crescimento é de 8% no banco de currículos e de 47,5% nas oportunidades de trabalho, sendo a grande maioria para o setor do comércio. Atualmente, a plataforma disponibiliza 62 vagas que abrangem diversas funções.

Setor de alimentação fora do lar
O setor de alimentação fora do lar, que inclui restaurantes e bares, também prevê um crescimento e, por esse motivo, um terço dos estabelecimentos gaúchos pretendem contratar mais funcionários até o final de 2022, segundo dados da última pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), de outubro.

Além da perspectiva de abertura de vagas, o levantamento aponta que 31% já fez contratações em setembro. Entre os fatores que levam os empresários a contratar está a projeção de aumento de demanda devido a eventos como Copa do Mundo, Natal e Réveillon, que foi apontado por 32% dos entrevistados. Outro motivo indicado é o objetivo de suprir necessidades da empresa (54%). Renovar a equipe (18%), abrir novas filiais (14%) e lançar novos produtos (11%) completam as razões para este momento de aquecimento nos postos de trabalho.

Cenário geral
De acordo com os dados do CAGED, o município detém, de forma geral, até outubro deste ano, 24.182 admissões e 22.081 desligamentos, com um saldo positivo de 2.101, englobando as áreas de agropecuária, comércio, construção, indústria e serviços. Em 2021, os dados correspondem a 28.492 admissões, 25.808 desligamentos e 2.684 de saldo. Já no ano de 2020 foram 20.978 admissões, 22.845 desligamentos e -1.867 de saldo.
Em nível de estado, nos setores já salientados, houve 1.215.360 contratações, 1.098.792 desligamentos e um saldo de 116.568, de janeiro a outubro de 2022.

Vagas também em São Lourenço do Sul
As oportunidades de empregos temporários começam a aumentar também em São Lourenço do Sul. Para a Agência FGTAS/SINE do município o cenário é de otimismo, pois a temporada de verão 2022/2023 é uma oportunidade para recolocação de pessoas no mercado de trabalho.

Nas temporadas anteriores de 2020/2021, por exemplo, as vagas diminuíram em comparação a temporada de 2019/2020, que teve ótimos resultados, mas como visto durante a época da pandemia de Covid-19, foi uma fase de muitas demissões e poucas contratações. Aos poucos a economia da região vem se reerguendo.

De uma forma geral, as ofertas de empregos crescem próximo ao final do ano no município. Ainda conforme informações da Agência, o local está de portas abertas tanto para os que buscam uma oportunidade de emprego, quanto para os empregadores em busca de novos trabalhadores, pois assim como eles, a busca de aquecer a economia do municio é também um fator importante.

Gelson Luis Hernandes, morador do município, conseguiu um emprego temporário nessa temporada através de um colega. O serviço, que tem previsão para ser realizado até março é com limpeza na praia, roçada de rua e pintura de meio fio. “Se não é essa temporada eu não sei o que seria da gente, principalmente de mim. Eu estou sempre trabalhando, eu sempre trabalhei em todas empresas que vieram pra cá, fora isso eu tenho os meus ‘bicos’ para fazer e é o que eu vou fazendo. Lógico que é uma renda boa, não restam dúvidas, pois serão quatro meses de serviço”, disse.

Para o futuro, Hernandes diz que se os quatro meses se estenderem será ótimo.
“É uma renda, um dinheiro a mais que eu ganho, o salário vai compensar. Quando vem uma oportunidade assim a gente tem que agarrar com as duas mãos”, finalizou.

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