Pandemia afeta as vendas do comércio pelotense

Comércio é um dos setores mais impactados pela pandemia nos últimos oito meses (Foto: Anarelli Martinez/JTR)

A pandemia do novo coronavírus se instalou no país em meados de março e, com isso, impôs inúmeros desafios à população. Todos os setores foram impactados por esse contexto e as pessoas tiveram que se adaptar ao novo normal, que implica na utilização de máscaras e álcool gel, respeitando todos os protocolos indicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e órgãos governamentais.

A situação do comércio não ficou atrás e também foi uma das áreas afetadas. O presidente do Sindilojas, sindicato orientador da atuação do comércio varejista de Pelotas, Capão do Leão, Turuçu, Morro Redondo e Arroio do Padre, Renzo Antonioli, informa que essa área vem enfrentando dificuldades, sendo que a grande maioria dos lojistas teve que reduzir o quadro de funcionários devido à queda das vendas, em média de 40% a 60%, o que dificulta a manutenção da folha de pagamento.

O município impediu o exercício das atividades não essenciais, de acordo com o Decreto nº 6.349, das 19h do dia 10 de dezembro até as 6h do dia 15 de dezembro, a fim de evitar o aumento da proliferação do Covid-19 e, também, porque a cidade tinha todos os leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) ocupados. Assim, o comércio pelotense foi um dos impedidos de abrir as portas, o que impactou prejuízos aos lojistas e trabalhadores do setor, já que segundo Antonioli, houve 74 demissões só nesse período. “O efeito da crise está muito pesado, muito nocivo para o comércio e lojas de Pelotas”, refletiu ele.

Além disso, no dia 14 de dezembro, o governo estadual classificou a região de Pelotas e Bagé em bandeira preta, no mapa definitivo de Distanciamento Controlado, o que significa risco altíssimo de contágio pelo coronavírus, implicando em restrições mais rigorosas no combate ao vírus, levando ao fechamento das atividades não essenciais nessas regiões. Assim, as atividades comerciais de Pelotas deveriam permanecer suspensas por sete dias a partir da terça-feira (15), o que totalizaria 12 dias de prejuízos aos comerciantes.

Porém, no mesmo dia, o Estado retornou para o Sistema de Cogestão, que permite que as regiões adotem protocolos próprios de combate ao vírus, que estava suspenso devido ao Decreto nº 55.609, desde o início do mês. Com isso, a região de Pelotas passou a adotar os protocolos de bandeira vermelha, mesmo que sob a preta diante do governo.

Assim, foi possibilitada ao comércio a abertura das atividades e regulados por novo decreto, tiveram o horário de atendimento ao público estendido, a fim de que não houvesse aglomerações entre clientes na busca pelos presentes de final de ano. Nesse sentido, até o sábado (19), as lojas tiveram permissão para abrir a partir das 6h e restringir o acesso do público aos estabelecimentos às 22h, com atuação até as 23h, sendo que no domingo (20) e na segunda-feira (21) deveriam permanecer fechadas. No entanto, novas tratativas entre o Sindilojas e o Comitê de Enfrentamento do Covid-19 possibilitaram que as atividades comerciais fossem permitidas nos dias que antecedem o Natal e, em troca, se manteriam suspensas entre dos dias 25 e 28 de dezembro.

De acordo com o presidente do Sindilojas, as vendas do mês de dezembro estão abaixo do esperado. Diante da crise sanitária atual, a projeção era de uma queda de 20%, aproximadamente, mas ocorreram quedas de 40% ou mais em determinados setores, o que vem prejudicando o varejo. Ainda, de acordo com ele, o setor que teve maior prejuízo foi o de vestuário e calçados, sendo que o ramo de chocolates e produtos mais acessíveis obteve um maior êxito nas vendas em relação aos outros segmentos.

Antonioli afirma que há uma grande preocupação entre os lojistas de não serem propagadores do vírus e, portanto, estão cumprindo todos os protocolos sanitários recomendados pelo Ministério da Saúde, como o uso de máscara por funcionários e clientes, disponibilização de álcool gel, distanciamento entre clientes, número de pessoas reduzido dentro da loja, higienização dos objetos, balcões e provadores.

A exemplo disso está a loja Deltasul, que de acordo com o gerente Fábio Plá, tem seguido todos os protocolos recomendados a fim de manter as atividades em funcionamento.
Segundo Plá, os produtos mais procurados pelos pelotenses neste mês foram direcionados à ventilação, como ar-condicionados e ventiladores, além de piscinas e cadeiras de praia. Além destes, a linha de celulares e eletrodomésticos tem tido venda garantida.

Para ele, o comércio pode ser um dos menores fatores de propagação do vírus, uma vez que segue todos os protocolos exigidos, enquanto isso, em casa, pode não haver toda essa preocupação já que com o tempo os cuidados podem passar a não ser seguidos com a devida atenção.

A expectativa do presidente do Sindilojas para o próximo ano é de que as restrições nas vendas continuem pelos próximos seis meses, uma vez que a vacina ainda é uma realidade distante.

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