
O Festival Internacional Sesc de Música, cuja 12ª edição teve início na segunda-feira (15) em Pelotas, não é bem-vindo apenas pela parcela da comunidade receptiva a uma cena cultural mais aquecida. Empreendedores do setor de comércio e serviços, hotéis, bares e restaurantes também celebram a realização do evento, que este ano se estende pelos próximos 12 dias, até 26 de janeiro, em um período historicamente marcado pela baixa atividade econômica, influenciado por uma queda na circulação de pessoas na cidade, puxada sobretudo pelas férias escolares e nas universidades.
No setor hoteleiro, se as cerca de 500 pessoas aguardadas para o festival, entre alunos, professores, artistas convidados e técnicos, não chegam a provocar 100% na taxa de ocupação, “com certeza” são responsáveis por um movimento significativo. As aspas são do presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares, Marcelo Curi. “É um contingente expressivo”, reconhece ele, que começa a perceber um público extra aos que têm participação direta no festival. Curi se refere a familiares dos músicos (alunos e professores) e também de turistas que vêm a Pelotas justamente para acompanhar o evento. “É um movimento que acaba por tornar Pelotas um destino turístico”, alegra-se o empresário. “O pessoal vem para ficar e acaba aproveitando mais outras atrações que a cidade oferece, como as praias e o turismo rural, que é mais explorado”, diz.
Esse contingente reforça o movimento que até a primeira edição do festival, em janeiro de 2012, se resumia a turistas uruguaios e argentinos que aproveitavam a estrutura hoteleira na cidade para pernoitar e no outro dia seguir viagem rumo a um destino turístico – em geral, o litoral catarinense, e no percurso inverso, retornar aos países de origem. “O festival é o nosso carro-chefe da ocupação hoteleira da cidade nesta época do ano”, resume.
O otimismo também é expressado pelo presidente do Sindilojas, Renzo Antoniolli. “O festival do Sesc já é um patrimônio da cidade”, afirma. Gaúcho radicado em Pelotas há décadas, ele tem dúvidas de que em outra cidade do interior do Rio Grande do Sul o evento pudesse emplacar como ocorreu por aqui. “Fora de Porto Alegre tenho muitas dúvidas se teria tanta receptividade”, reforça. É claro que esse movimento respinga em outros setores, além do cultural – “o mais óbvio”, completa Renzo. “Apenas entre músicos são 400 pessoas na cidade durante toda a realização do festival, fora suas famílias, acompanhantes e turistas, e essa gente tem que consumir, se alimentar, buscar espaços de lazer, ser feliz neles”, explica.
O fato de o festival oferecer apresentações gratuitas é outro ponto a favor para a economia local, avalia o empresário. Além de ser um apelo a mais na atração de público, é um montante que pode ser usado em bares e no comércio em geral.
Um dos espaços que costuma se beneficiar diretamente dessa economia é o Mercado Central, no chamado Centro Histórico. O diretor da Associação de Permissionários, Rudi Berwaldt, espera um acréscimo de até 40% no movimento. Entre os bares, na parte externa, ele acredita que tanto em movimento como em faturamento este incremento seja maior, em até 50%, até o dia 26 de janeiro, quando o festival chega ao fim com o aguardado e já tradicional Concerto da Orquestra Acadêmica no Largo do Mercado.
“Estamos preparados para receber bem o público, sempre estamos, todo o ano nos reunimos com o Sesc e também internamente, além dos bares e restaurantes para uma refeição rápida, o Mercado oferece lembranças de Pelotas, produtos coloniais da região, doces artesanais e bebidas produzidas na região e no estado. É um lugar que o turista costuma encontrar o que procura”, garante ele.
Secretário de Turismo fala em até cinco mil pessoas
Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação, Gilmar Bazanella, o festival é responsável de forma rotativa por um movimento de mais de cinco mil pessoas em Pelotas nos dias do evento.
Para ele, este contingente é formado por pessoas do entorno do município, de outras regiões do Rio Grande do Sul, de outros estados e também de outros países. “Não é público de veraneio, é um público de turismo cultural, que aproveita o patrimônio histórico que é um dos nossos principais atrativos, além de passeios disponibilizados a partir da área central”, diz.



