Pelotas: Procissão do Bará do Mercado Central celebra 10 anos de existência

Além do público, representantes religiosos e autoridades locais e regionais prestigiaram o evento que ocorreu no Museu do Doce. (Foto: Volmer Perez/Secom)

A procissão do Bará do Mercado Central de Pelotas celebrou, na quarta-feira (5), o aniversário de 10 anos. O evento, que ocorreu no Museu do Doce, contou com o seminário “Caminhos de Fé”, com seis palestrantes, bem como a fala de diversas autoridades. A data de celebração anual foi estabelecida pela Lei Municipal nº 7.025/2022.

O Postal Turístico, localizado em uma encruzilhada simbólica, no centro do Mercado, tem o objetivo de valorizar o patrimônio cultural afro-brasileiro, dando visibilidade às religiões de matriz africana e fortalecendo as leis federais 10.639/03 e 12.288/10, as quais combatem a discriminação e promovem os direitos da população negra em diversas áreas. O Bará é um orixá associado à abertura de caminhos, negócios e prosperidade, e sua presença também está associada ao combate ao racismo religioso.

Com chaves e correntes no centro, as quais representam o elo ao orixá, a demarcação foi idealizada pelo Babalorixá Juliano de Oxum, do Ilê Axé Reino de Oxum Epanda, Xapanã Jubeteí. Segundo ele, o seminário é uma oportunidade de construir novos caminhos para serem levados a diante. “O seminário Caminhos de Fé, na sede do Museu do Doce, já recebeu diversas autoridades e representantes de deputados estaduais e federais, inclusive representantes da Fundação Palmares, e também fomos convidados para ir a Porto Alegre, levar as demandas para que possamos construir novos caminhos para o combate a intolerância religiosa”, afirmou.

De acordo com Diná Bandeira, produtora cultural da Projetar Sonhos – empresa que elabora projetos sociais –, uma escassez de apoio e recursos era relatada por parte do Babalorixá Juliano. Assim, a produtora elaborou uma proposta de projeto de patrimônio imaterial, o qual foi contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, a fim de disseminar conhecimento. “Precisamos levar conhecimento, levar informação pra reduzir todo o desrespeito que se vê hoje. Eu tenho o lema que tu não respeita o que tu não conhece. Toda a nossa exposição é educativa, não é para estimular que tu siga uma linha religiosa, mas pra que tu conheça, te aproprie e respeite”, disse.

A exposição “Caminhos de Fé: Estratégias de combate a intolerância religiosa” está presente na Secretaria de Cultura de segunda (3) a sexta-feira (7) por meio do projeto da Projetar Sonhos. Em razão da Lei Federal 10.639/03, a mostra conta com a presença das escolas da rede estadual. De forma educativa, a exposição mostra a cultura e ancestralidade de Pelotas, podendo ser visitada das 9h às 14h.

Para a prefeita em exercício, Daniela Brisolara (PSOL), a mostra ressalta a importância da liberdade da existência do outro. “Nós estamos a cada dia passando por momentos onde nós precisamos estar unidos, lutando contra o racismo e a intolerância religiosa, mas também sabendo celebrar esses momentos. Estar comprometido com a cidade, reconstruir essa cidade é também ter o comprometimento com a nossa religiosidade. Que possamos estar por muito tempo juntos celebrando ao Bará e a nossa fé”, destacou.

Mais passos devem ser percorridos no combate ao racismo religioso, segundo Ariane Pacheco, representante da deputada estadual Bruna Rodrigues (PCdoB) no evento. “Nós precisamos ainda avançar muito para conseguir conquistar espaços e direitos que deveriam ser nossos. A gente precisa cada vez mais se organizar, discutir os caminhos de fé, fazer resistência, fazer uma reza em um espaço público e tocar nosso tambor sem sofrer intolerância religiosa é o mínimo”, enfatizou.

A cerimônia contou também com a presença de Carla Zanella, representante da deputada estadual Luciana Genro (PSOL); Francisca Jesus, representante da deputada Daiana Santos (PCdoB); Jacqueline Santos, da Secretaria Municipal de Turismo; Luiz Carlos Matoso, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico; Nóris Leal, diretora do Museu do Doce da Universidade Federal de Pelotas (UFPel); Sinara Ferreira e Fábio Gonçalves, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Subseção Pelotas; Maria Conceição Fontoura, representante da região Sul da Fundação Cultural Palmares, assim como demais representantes de instituições religiosas.