IPHAE autoriza processo de concessão do Bará do Mercado Central de Pelotas como patrimônio imaterial do RS

O Mercado Central de Pelotas. (Foto: Marcel Ávila)

No final de junho, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE) autorizou a abertura do processo de registro do Bará do Mercado Central como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado. Agora, a assessoria técnica do instituto irá promover a inventariação, de modo a complementar o dossiê apresentado solicitando o início do processo.

Em maio, o pedido havia sido entregue pelo Conselho Municipal do Povo de Terreiro de Pelotas, por meio do presidente, Babalorixá Juliano de Oxum, e Projeto de Extensão Terra de Santo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) ao IPHAE e a Secretária de Cultura Estadual do RS.

Conforme dossiê apresentado, a concessão se justifica por salvaguardas que garantam o uso do espaço onde se localiza o assentamento do Bará pelos povos de Terreiro, “e que contribuam na luta contra o racismo religioso”. O texto ainda indica que “a patrimonialização auxiliaria na transformação das narrativas hegemônicas, que ainda sobrevalorizam a contribuição europeia e invisibilizam a contribuição negra.

No documento há informações sobre os usos dos espaços do Mercado pelas religiões de matriz africana, por meio de rituais relacionados diretamente ao Bará, como Rito do Cruzeiro, Assentamento do Bará, Procissão e Passeio em diferentes períodos do ano e por diferentes grupos religiosos, composto por pessoas de diferentes classes sociais, faixas etárias, gêneros, sexualidades e raças.

No parecer, o Instituto indica que o Bará do Mercado de Pelotas é passível de ser compreendido com um “conjunto de saberes (modos de criar, de fazer e de viver) permeado por ritos celebrativos vinculados a um espaço preenchido simbolicamente, o que constitui elemento fundamental para a composição da memória e da identidade de grupos formadores da sociedade sul-rio-grandense, nesse caso, principalmente das populações negras de Pelotas.

Conforme o parecer, ainda poderá ser pensada o registro de Barás de Mercado de forma unificada para o estado, considerando também o inventário realizado no Mercado Público central de Porto Alegre, que abarcará o Bará do Mercado da capital gaúcha.

O babalorixá destaca que até  o final do mês de Julho serão enviados os últimos documentos para a finalização  do Registro. “Vitória para o Povo de Axé”, resumiu. Ele lembra ainda que Pelotas que é o primeiro município  do Brasil a instituir o Dia Municipal do  Orixá Bará por lei, em 13 de junho, incluindo-o no Calendário Oficial de Eventos, “ valorizando a cultura e a Religiosidade presente e reconhecendo a sua importância”, destaca.

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