
A 14ª edição do Festival Internacional Sesc de Música, em Pelotas, escreve mais um capítulo marcante em sua história ao receber, pela primeira vez, seis alunos britânicos, por meio da parceria entre a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e a Bath Spa University, localizada no sudoeste da Inglaterra. A participação dos músicos amplia o intercâmbio cultural e artístico promovido pelo evento, reconhecido como um dos principais festivais de músicas do Brasil.
O grupo de europeus é formado por Alistair Colgrave, Catherine Messenger, Millie Sandford, Lily Paylor-Sykes, Matthew Alecock-Smith e Tom Donovan. Os alunos fizeram parte da classe de choro – ritmo genuinamente brasileiro e pouco difundido no Reino Unido – ao longo dos 12 dias do evento. De acordo com Mathias Behrends Pinto, coordenador do curso de choro e professor de composição e violão, além de aprender o gênero brasileiro, os britânicos tiveram a oportunidade de compor cinco músicas durante as aulas.
Os seis intercambistas da Europa tiveram sua infância marcada pela música e, agora, aperfeiçoam suas habilidades em uma graduação no país inglês. Devido ao contato com um professor da Universidade Federal de Pelotas, que realizou seu doutorado na academia da Inglaterra, os alunos obtiveram conhecimento do festival, o qual se consolidou como um intercâmbio em sua formação. Segundo o grupo, durante as aulas do professor doutorando, instrumentos como Ukelele, semelhante ao cavaquinho, fizeram parte da sua rotina, aproximando a turma da música brasileira.
Visando aprofundar suas habilidades, os músicos participaram também de ensaios, recitais e apresentações comunitárias, a fim de integrar ainda mais os alunos com a cultura não só do Brasil, mas de diversos países do mundo, já que o evento também possui mais de 300 alunos de lugares como Argentina, Colômbia, México, Peru, Uruguai e Venezuela nas suas mais de 115 apresentações gratuitas. Nas atividades propostas, os britânicos puderam conhecer ferramentas que fazem parte da história de outros locais, conforme Alecock-Smith: “Algo que me marcou muito foi o ensaio com o berimbau”, contou o acadêmico.
Na adaptação do grupo, obstáculos e dificuldades foram vencidas segundo o coordenador, com a finalidade de proporcionar uma experiência completa para a turma. “Tivemos um pouco de dificuldade pela linguagem, mas fomos nos adaptando, tudo foi andando muito bem, pois o idioma principal que trabalhamos é a música. Eles já chegaram bem integrados, são muito responsáveis e educados”, ressaltou Behrends.

Vivência multicultural amplia horizontes dos estudantes europeus
Para Millie, o que despertou sua atenção na terra do doce são as várias maneiras que as canções são vividas pelas pessoas, aspecto muito conectado com a liberdade gerada pela música. “O que mais gosto é que todo mundo sente as melodias de formas diferentes, do seu jeito”, destacou.
A percepção de Lily não foi diferente da de sua colega: a espontaneidade brasileira oportuniza a cada um a viver os ritmos e composições em todos os ambientes possíveis. “A música é vivida em qualquer lugar, como bares, restaurantes, estabelecimentos, há uma liberdade de se tocar fora do conservatório”, confirmou a britânica.
A pluralidade étnica e a interação entre inúmeras origens, para ela, são fundamentais e atuam como base para que as canções sejam difundidas e marcadas por identidades distintas. “O ambiente multicultural é positivo para a música, pois traz elementos diferenciados para a sua composição”, ressaltou Lily.
A experiência trouxe um impacto duradouro aos alunos. Catherine reforçou a importância das aulas de composição, as quais se diferenciaram da sua rotina estudantil, já que, em Pelotas, as atividades foram colaborativas e o ato de compor aconteceu de maneira coletiva em um processo longo, utilizando somente um computador para juntar as ideias de todos. “Eu gostei bastante das aulas de composição. Elas me fizeram pensar como compor de diferentes formas, me ajudou muito. Tenho uma banda de música popular, então essa experiência de compor coletivamente vai nos auxiliar, consigo até nos imaginar cantando uns para os outros”, disse.

O sentimento que fica para os europeus é de gratidão, visto que o grupo se integrou com os colegas de turma e se sentiu bem-vindo no extremo sul do país. “Estamos muito gratos por como fomos recebidos, todo mundo foi super receptivo”, completou Millie.
Edição de número 14 chega ao fim
O 14º Festival Internacional Sesc de Música chega ao fim nesta sexta-feira (30), após quase duas semanas repletas de concertos e histórias espalhados por espaços simbólicos da cidade. O evento, que tem expectativa de público de 45 mil pessoas até seu encerramento, se despede com uma apresentação ao ar livre no Largo do Mercado Público, protagonizada pela Orquestra Sinfônica Acadêmica, formada por alunos do festival, sob regência do maestro Evandro Matté – diretor artístico do evento.
O concerto reúne no palco o Coral da Sociedade Pelotense Música pela Música o Grupo Ballet de Pelotas, além do Grupo de Street Dance, de Pedrinho Festa, em um espetáculo que reafirma o caráter plural do tradicional festival.
Confira a programação para o último dia:
Sexta-feira (30)
10h – Recital Orquestra Sesc Brasil – Auditório Universidade Católica – UCPel
13h – Recital de Alunos – Conservatório de Música da UFPel
15h – Classe de Canto do Festival – Conservatório de Música da UFPel
19h – Classe de Choro do Festival – Conservatório de Música da UFPel
20h – Orquestra Acadêmica | Regente Evandro Matté (BRA) – Largo Mercado Público



