
Entre quarta-feira (14) e domingo (18), Pelotas se une às mais de mil instituições culturais em todo o Brasil para celebrar a 23ª Semana Nacional de Museus. Com o tema “O futuro dos museus em comunidades em rápida transformação”, o evento deste ano propõe reflexões sobre o papel dos museus diante das mudanças sociais e tecnológicas, destacando três subtemas: patrimônio imaterial, juventude e novas tecnologias. No domingo, é celebrado o Dia Internacional dos Museus.
Programação em Pelotas
A Universidade Federal de Pelotas (UFPel), por meio de sua Rede de Museus, é uma das principais participantes. As instituições vinculadas à universidade, como o Museu do Doce, Museu de Ciências Naturais Carlos Ritter e Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (MALG), estão com horário especial de funcionamento até domingo, das 10h às 18h, oferecendo atividades diversas ao público.
Um dos destaques da programação foi o seminário realizado no Museu do Doce, localizado no Casarão 8 da Praça Coronel Pedro Osório. A cerimônia de abertura ocorreu na tarde de quarta-feira (14), com a presença de autoridades e o lançamento dos anais do evento do ano anterior. Na sequência, a professora Vanessa Aquino, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ministrou a conferência “Sou muito mais que uma escola de samba: quando a Museologia encontra o Carnaval”.

Nesta sexta-feira (16), às 14h, está programada a mesa-redonda “Políticas para Museus, Acervos e Patrimônio Universitário: o futuro nas ações do hoje”, com a participação do professor Daniel Viana de Souza (UFPel) e da representante da Comissão Permanente e Multidisciplinar sobre Museus Federais do Ministério da Educação (MEC), Damiane Daniel Silva Oliveira dos Santos. Já às 16h, haverá a oficina “Gestão de Acervos para a Rede de Museus da UFPel”, conduzida pelos professores Diego Ribeiro e Nóris Leal.
Coordenada pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), a Semana Nacional de Museus é uma temporada cultural que visa valorizar os museus brasileiros e intensificar a relação destes com a sociedade. Em 2025, o evento conta com a participação de 1.012 instituições em todo o país, oferecendo mais de 3.150 atividades distribuídas pelas cinco regiões brasileiras.
Museu do Doce, 12 anos de história e tradição

O Museu do Doce, inaugurado em 17 de maio de 2013, celebra 12 anos de atividades neste sábado, durante a Semana Nacional de Museus. Nóris, que é professora de Museologia da UFPel e diretora do museu, destaca que o empreendimento surgiu de uma demanda da comunidade, especialmente de pessoas ligadas à Fenadoce, que desejavam um espaço dedicado à tradição doceira da cidade. “Desde sua fundação, o museu tem como missão preservar, divulgar e proteger o saber-fazer doceiro”, afirma.
Além de preservar objetos e documentos relacionados à doçaria, o local promove atividades educativas, oficinas e exposições que envolvem a comunidade. Essas ações não apenas mantêm viva a tradição doceira, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2018, mas também fortalecem os laços entre os moradores e sua herança cultural.
Durante esta semana, o Museu do Doce oferece visitas guiadas das 10h às 18h, sem fechar ao meio-dia. No sábado (17), as atividades incluem a entrega de uma toalha bordada pelas bordadeiras do museu, o lançamento de um livro de receitas participativo, fruto de uma ação iniciada na exposição de cadernos de receita do ano passado e uma oficina de artesanato em feltro, na qual será ensinada a confecção da mascote do museu, a abelhinha Pelotini.
Museus como espaços de aprendizado e transformação
Nóris enfatiza o papel dos museus universitários como laboratórios de ensino e extensão. “Os museus são fundamentais para a formação de novos museólogos e para a aproximação da universidade com a comunidade. Eles não são apenas locais de preservação, mas também espaços de produção de conhecimento e de diálogo com a sociedade”, destaca.

A professora também ressalta que o Museu do Doce trabalha em parceria com diferentes grupos sociais e instituições públicas para discutir e buscar soluções para os desafios enfrentados pela tradição doceira de Pelotas. “Nosso objetivo é ser reconhecido como um espaço que não apenas guarda acervos, mas que também amplia o conhecimento sobre a tradição doceira e busca, em colaboração com a comunidade, proteger e valorizar esse patrimônio cultural”, conclui.
Os museus desempenham um papel fundamental na preservação da memória coletiva e no fortalecimento da identidade cultural da comunidade pelotense. Instituições como o Museu da Baronesa, Museu Gruppelli e a Bibliotheca Pública são exemplos vivos de como a história e as tradições locais são valorizadas e compartilhadas com as gerações atuais e futuras.
O Museu da Baronesa, instalado na antiga residência de Aníbal Antunes Maciel Júnior, construída em 1863, possui um acervo de mais de três mil peças, retratando os hábitos da sociedade pelotense do final do século 19 ao início da década de 1930. Por meio de suas exposições, o museu oferece uma imersão na história local, permitindo que os visitantes compreendam melhor o passado da cidade e sua evolução ao longo do tempo.

O Museu Gruppelli, localizado no 7º Distrito, é uma instituição comunitária dedicada à preservação da memória da imigração italiana e da vida rural na região. Inaugurado em 1998, seu acervo é composto por aproximadamente duas mil peças e foi reunido por meio de doações da comunidade e inclui objetos que retratam o cotidiano rural, como utensílios domésticos, ferramentas agrícolas e itens relacionados à produção de vinho.

A Bibliotheca Pública Pelotense, fundada em 1875, também desempenha um papel crucial na promoção da cultura e educação na região. Além de seu grande acervo, abriga o Museu Histórico da Bibliotheca Pública, criado em 1904, que preserva objetos e documentos significativos para a história da região sul do país.

Essas instituições não apenas conservam o patrimônio cultural de Pelotas, mas também servem como espaços de aprendizado, reflexão e diálogo. Elas promovem a inclusão social, incentivam a participação da comunidade em atividades culturais e educacionais, e contribuem para o desenvolvimento de uma sociedade mais consciente de sua história e identidade.
Os museus deixaram de ser apenas espaços de preservação de objetos antigos. Em Pelotas, os locais se consolidam como locais vivos de troca de saberes e fortalecimento da identidade local. A cidade, marcada por sua rica história e diversidade cultural, encontra nos museus um elo essencial entre memória, ciência e sociedade.
Museus de Pelotas
Físicos
Museu de Ciências Naturais Carlos Ritter;
Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (MALG);
Museu do Doce;
Museu das Telecomunicações;
Museu arqueológico e antropológico (MUARAN);
Museu da Baronesa;
Museu do Saneamento;
Museu Etnográfico da Colônia Maciel;
Museu Gruppelli;
Museu do Charque Itinerante;
Museu de História Natural da Universidade Católica de Pelotas (UCPel);
Museu Histórico da Biblioteca Pública Pelotense;
Charqueada São João.
On-line
Museu das Coisas Banais;
Museu Afro-Brasil-Sul (MABSul);
Museu Diários do Isolamento (MuDI);
Museu Virtual do Judô.



