Irmãs Neli e Vera Lemos oferecem mais de 35 iguarias à base de melancia

As doceiras e irmãs Neli, à esquerda, e Vera Lemos, à direita, acompanhadas da corte da Festa da Melancia, composta pelas princesas Cauane Lucas e Raissa Peres, além da rainha Beatriz Paiva. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Já é tradição, talvez mais que isso, um xodó, da Festa da Melancia a diversidade de iguarias à base da fruta confeccionadas pelas irmãs Neli e Vera Lemos. Também estarão nesta 21ª edição. Serão pelo menos 35 receitas, entre doces e salgadas, que a dupla oferece aos visitantes do principal evento do calendário festivo de Pedro Osório. “O que eu invento, sai, é tudo da minha cabeça”, orgulha-se Neli.

E põe inventar nisso: da cozinha de Neli e da irmã, ali na rua Alberto Pasqualini, 171, centro da cidade, e sempre com o apoio do marido, o policial militar aposentado Élbio Guimarães, saem variedades quase inacreditáveis. Tem quindim, brigadeiro, melanciada, rapaduras, sorvete, empadas, molho de pimenta, farinha da semente, geleia, panelinha, cocada, cucas, ninhos, trufas, licor, conservas, sacolé, cristalizados, entre tantos outros “inventos” – dentre eles, a novidade desta edição, o enroladinho de melancia banhado em chocolate.

Não é pouco. Tanto que não passa despercebido ao visitante que passa pela banca “Delícias da Melancia”, a mais tradicional das localizadas no espaço contíguo ao pavilhão da Agricultura Familiar, no Sindicato Rural de Pedro Osório, onde a estrutura da Festa é montada.

Haja melancia. Em meados de janeiro Neli e o marido se deslocaram de Pelotas, onde moram, a Pedro Osório, com o carro, um Citroën Xsara Picasso, lotado de melancias. Necessário, já que não é só para a banca, na Festa, a produção de Neli e Vera. O evento para as duas confeiteiras começa bem antes do fim de semana mais esperado do ano na cidade. É preciso fazer o kit que a Corte da Festa entrega nas diversas visitas de divulgação agendadas em prefeituras, eventos e órgãos de imprensa em toda a Zona Sul e também ao governador Eduardo Leite (PSDB), em Porto Alegre, no Palácio Piratini. Tem ainda para os músicos que se apresentam, para os frequentadores da sala vip e, claro, para comercializar na banca, que este ano estará dotada de forno elétrico. “Nós vamos um dia antes, na sexta, para deixar tudo pronto e arrumado, no sábado de manhã já quero estar soltando umas cucas, quentinhas, feitas na hora”, planeja.

Desses 35 produtos à base de melancia, muitos deles surgiram durante a Festa. O evento, com o movimento de público, serve como fonte de inspiração. Com o quindim de melancia, mesmo, foi assim. E também a panelinha. Todo o doce que aparece ela já se pergunta se é possível fazer com melancia.

Mas o começo dessas experiências que têm na melancia a principal matéria-prima não foi com ela, mas com a irmã, Noeli, falecida em agosto de 2022. Neli conta que foi ela quem deu início a essa manufatura juntamente com outras doceiras. O grupo, no entanto, se desfez. “Só ficou ela”, informa. Mesmo sozinha, Noeli não desistiu, e a convidou para tocar o projeto adiante. Topou. Em princípio, Neli se encarregava dos doces finos, enquanto a irmã do restante. Hoje é tudo com ela e com Vera. Vale a pena, segundo ela.

Principalmente pelo retorno, de público e da comercialização. Um estímulo para continuar, sem pensar em parar. Pedro Osório agradece.

Passada a Festa da Melancia, Neli, Vera e a outra irmã, Teresa, seguem seu trabalho como doceiras, principalmente na produção de bolos e tortas. Atendem padarias, supermercados e sob encomendas em Pedro Osório. Com o celular na mão, mostra fotos das delícias que prepara. Enchem os olhos. E garante que não apenas. “São um sucesso”, orgulha-se.

As encomendas podem ser feitas pelos telefones/WhatsApp (53) 98415-6962 (Vera) e 98422-7817 (Neli). Mas não pense em chamá-las agora, às vésperas da Festa. Pelo menos nos últimos dias que antecedem o evento, toda a atenção, energia e trabalho de Neli e Vera estão concentrados nesta produção. Se começa cedo – e termina tarde. Até domingo, 4 de fevereiro, serão poucas as horas de descanso e muitas de trabalho. É o jeito. Sem isso, não dão conta do que a Festa da Melancia de Pedro Osório exige. E, mesmo aos 76 anos, “bem vividos”, acrescenta, Neli não se queixa: “‘Quem corre por gosto não cansa’”, brinca.

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