Emater incentiva produtores de Pedro Osório à diversificação de atividades

Produtores recebendo assistência em Pedro Osório (Foto: Divulgação)

Nem só de melancia, arroz e soja vive a matriz produtiva de Pedro Osório. Apesar das três atividades serem significativas no município – melancia, 250 hectares (ha); soja, 10,5 mil ha e arroz, 3,5 mil ha – outras atividades como a produção de mel, horticultura e ovinocultura vêm se destacando tanto nas pequenas, quanto nas médias propriedades familiares e obtendo excelentes resultados.

De acordo com a chefe do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar, Carine Harter, em algumas propriedades, inicialmente, determinadas atividades adotadas como complementares ou responsáveis por uma renda extra se tornaram de grande importância. No caso da ovinocultura, isso se deu pela qualidade genética alcançada. A instituição se tornou uma grande parceira destes produtores, seja pelo incentivo ou ainda pela assistência técnica oferecida.

Segundo ela, a ovinocultura é uma atividade tradicional para o município e ganhou novo fôlego com o aprimoramento, através da melhoria dos manejos com os rebanhos e novas tecnologias adotadas na propriedade. “Com o declínio dos preços da lã, o produtor precisou se reinventar e achar outras formas de garantir o lucro com a atividade, como a venda de cordeiros mais pesados”, explica Carine.

A atividade envolve 90 produtores que juntos mantêm um rebanho de 13 mil cabeças. Destes, 56% são pequenos produtores, com um plantel entre uma até 100 cabeças e os demais divididos entre médios (de 100 a 500 cabeças), que são 37%, e grandes produtores (acima de 500 cabeças), 7% do total. Entre as principais raças estão a Ideal (lã), Corriedale (lã e carne) e Texel (carne) e alguns rebanhos cruzados. Estes animais são criados em campo nativo e também pastagens cultivadas, especialmente em épocas de encarneiramento e de parição.

O destino destes animais é variado. A maioria dos pequenos abate para consumo familiar ou venda informal. Os médios e grandes vendem para outros produtores ou terminadores, como também diretamente para abatedouros. A lã, uma pequena parcela vende informalmente e para a maioria, a venda é feita para barracas de esquila ou cooperativas que servem como atravessadores para a indústria.

Uma das cabanhas que tem longa tradição de participação em feiras regionais e concursos municipais é a Salvaterra, de propriedade do casal Enilda Salvaterra e Nelci Saraiva, com diversos prêmios conquistados. Estabelecida na localidade do Rodeio Colorado, tem dedicação principalmente à comercialização de carneiros da raça Ideal. Segundo o produtor, no início teve o forte incentivo da Emater, através dos concursos de borregas. “E lá se foram 14 anos, desde o início da cabanha e registro dos animais, e hoje tem animais de qualidade com bastante procura”, disse o produtor.

A busca constante pelo melhoramento do rebanho com o padrão da raça torna os animais atrativos aos compradores. “Nunca trouxe carneiros de volta para casa, em todas as feiras que participo, sempre vendo todos”, afirma Saraiva.

Neste ano, ele buscou cuidar muito bem do plantel, obtendo resultado nos carneiros, com pesos entre 90 e 100 quilos e ovelhas com mais de 50 quilos.

Cabanha Salvaterra (Foto: Divulgação)

O plantel da cabanha é constituído por 192 animais. No Concurso do Mel, a Emater e Cooperativa dos Produtores de Mel de Pedro Osório Ltda. (Coomelpo), junto à Prefeitura, também realizam o Concurso Anual de Borregas, que incentiva os produtores ao melhoramento genético dos rebanhos.

Produção de mel
Na produção de mel, a estimativa é de que existam, pelo menos, 25 produtores, 13 deles associados à Coomelpo. Juntos, eles mantêm 600 colmeias com uma produção de oito toneladas ao ano, dividida em duas safras, uma no outono e outra na primavera. A cooperativa é responsável pela organização destes produtores e tornou o produto local conhecido fora dos limites do município.

Anualmente, durante as comemorações do aniversário do município, é realizado, em parceria com o Executivo Municipal e a Emater, o Concurso Municipal de Qualidade do Mel, com o objetivo de incentivar a busca pela qualidade do produto. Por conta da pandemia e o cancelamento das comemorações do aniversário, a última edição do concurso foi realizada em 2019.

Horticultura
A produção de olerículas envolve 15 produtores e uma área cultivada de sete hectares. Segundo a extensionista, esta atividade não é a principal na propriedade e entra como incremento de renda. Os cultivos são variados e divididos entre alface, couve e folhosas em geral, tomate, mandioca, entre outros. A comercialização é feita nas feiras livres, especialmente por assentados, e a maioria abastece o mercado institucional, através de programas como o de Aquisição de Alimentos (PAA) e Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). “Além disso, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), através da Prefeitura, faz compras para abastecer o hospital e durante o ano inteiro são distribuídas sacolas para famílias em situação de vulnerabilidade e para o Lar de Idosos São Francisco”, comenta a chefe do Escritório.

Na Chácara das Figueiras, o casal Rose Meri Borges Blank e Altair Blank tem como atividades principais a ovinocultura e a pecuária de corte e resolveram investir na horticultura como forma de oferecer uma atividade com rendimento extra para o filho Lucas, de 16 anos. Segundo eles, os produtos são vendidos para a Prefeitura e garantem uma renda extra ao adolescente e que ajuda também a cobrir alguns custos na propriedade.

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