Agricultura Familiar marca presença durante 21ª Expofesta Regional da Melancia de Pedro Osório

A associada Maria Carolina Estafor e o gestor da agroindústria de laticínios Mãe Natureza, Élio de Lazari, no pavilhão da Agroindústria Familiar no parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, durante a Expointer, em agosto do ano passado. (Foto: Divulgação)

A Agricultura Familiar também é presença garantida na 21ª Festa da Melancia de Pedro Osório. O setor contará com pelo menos 25 empreendimentos no evento realizado no parque do Sindicato Rural do Município.

O espaço é organizado pelo escritório municipal da Emater/RS-Ascar de Pedro Osório, que distribui convites, realiza as inscrições e demais encaminhamentos. A estrutura é disponibilizada pela Prefeitura. Ano passado, o total em vendas nos 19 estandes foi de R$ 16,4 mil.

Neste ano, conforme a assistente técnica da unidade, Rosi Vellar Puccinelli, estarão presentes agroindústrias de 13 municípios da Zona Sul (Arroio Grande, Canguçu, Capão do Leão, Cerrito, Jaguarão, Herval, Morro Redondo, Pedras Altas, Pedro Osório, Pelotas, Piratini, São Lourenço do Sul e Turuçu) com uma produção diversificada, que inclui embutidos, laticínios (queijo, iogurte e bebidas lácteas), panificados, doces (geleias, chimias, doces em calda e doce de leite), hortaliças, artesanato e floricultura.

“Agroindústria não perde oportunidade”, diz Rosi. “Alguns vêm há vários anos. A agroindústria, em boa parcela administrada por mulheres e jovens, comprova que a propriedade rural não se resume à produção agrícola e à pecuária”, afirma.

Quem não costuma ficar de fora do Pavilhão da Agricultura Familiar da Festa é o produtor Élio Vicente de Lazari, que administra ao lado da esposa Geni, de demais familiares e associados (três deles produtores de leite) a agroindústria Mãe Natureza, especializada em laticínios, no assentamento Glória, interior de Pedras Altas. Dos 18 anos de empreendimento, em 16 esteve no evento.

Desta vez soma mais uma participação no evento. “É sempre uma janela importantíssima para divulgarmos nossos produtos, estabelecer contatos e criar clientela”, afirma. É assim na Festa da Melancia, na Fenadoce, na Expointer, na Expofeira Pelotas, Expodireto (em Não-Me-Toque), Expoagro Afubra (em Rio Pardo), Festa do Leite Jersey (em Cerrito), entre outras. Vale a pena, segundo ele, principalmente em eventos realizados na Zona Sul do estado, onde o deslocamento é menos oneroso. “Onde tem [espaço para] agricultura familiar a gente vai”, assegura. “Na Fenadoce mesmo estamos desde o início, na Expointer também, só faltamos uma edição porque não tínhamos produtos”, conta.

Industrializar leite e derivados sempre foi um desejo antigo do produtor. A oportunidade surgiu em 2001, por ocasião do 1º Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Na oportunidade, a ex-primeira-dama da França, Danielle Mitterrand, veio até a Zona Sul conhecer o trabalho dos assentados da reforma agrária por intermédio de professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ali começaram as negociações para viabilizar o projeto de agroindústria de laticínios no assentamento, com apoio técnico de docentes da Universidade, do Centro Danielle Mitterrand e, posteriormente, da Emater.

Começou com a produção de queijo, que continua a ser o carro-chefe do empreendimento, principalmente o queijo colonial com iogurte natural. De Lazari fala das propriedades do produto: “É suave, não seca, tem textura macia, serve para lanche, para consumir in natura, recomendável para pratos quentes porque derrete muito bem, não é muçarela, e só usamos leite de qualidade”. Além desse, o queijo com chimichurri, famoso tempero uruguaio usado em assados, é outro que registra boa saída. A Mãe Natureza também produz derivados como manteiga, iogurtes (morango e ameixa) e bebidas lácteas, à base de soro e leite. O próximo lançamento é um iogurte natural, “bem cremoso”, garante.

Ele demonstra satisfação com a produção e com o retorno do público. Conta que recentemente o laboratório Unianálises, de Lajeado, no Vale do Taquari, integrante da Rede Brasileira de Qualidade do Leite (RBQL), conferiu 84 pontos ao leite produzido no assentamento – “pontuação superior a muita marca conhecida no mercado”, orgulha-se.
Além da produção de derivados, a agroindústria Mãe Natureza, produz em média 450 litros de leite por dia. Uma parte é destinada aos produtos do empreendimento. Outra, maior parte, é repassada para a cooperativa de laticínios CCGL.

Onde encontrar

Os produtos podem ser encontrados no varejo dos municípios de Pedras Altas, Herval, Arroio Grande, Pinheiro Machado, Cerrito, Pedro Osório, Bagé e nas duas lojas da franquia Armazém do Campo no estado, em Pelotas (rua Anchieta, 1.212, esquina Três de Maio, Centro) e em Porto Alegre (bairro Cidade Baixa), voltada para comercialização de produtos da reforma agrária.

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