Hospital de Morro Redondo quer recuperar o direito de realizar internações

Presidente Altair Faes e diretora Liane Arndt falam sobre o hospital (Foto: Carina Reis/JTR)

O pioneirismo do médico Ernesto Maurício Arndt deixou um grande legado aos morro-redondenses: as instalações de um hospital que durante muitos anos atendeu gerações. As mesmas que ajudaram a construí-lo e muitos dos seus descendentes até hoje buscam os primeiros atendimentos em saúde no estabelecimento.

Fundado em 1957, o Hospital Doutor Ernesto Maurício Arndt vive uma nova fase, desde 2020, quando a neta do fundador, Liane Arndt assumiu a diretoria administrativa da instituição, com a intenção de torná-lo referência no atendimento médico às populações de Morro Redondo e região.

Funcionária pública junto à Prefeitura de São José do Norte, Liane obteve uma licença especial para se dedicar a este objetivo. Com uma folha de pagamento com 40 funcionários, entre médicos, enfermagem, atendentes, higienização e recepção, o hospital trabalha atualmente com um déficit mensal de R$ 12 mil. No entanto, o hospital não está à venda.

Os esforços para suprir este déficit são inúmeros, entre eles, a criação de um Cartão Fidelidade, com descontos em consultas para 11 especialidades médicas como Cardiologista, Gastro, Cirurgião, entre outros, por um valor de R$ 38 por mês e o direito de incluir até quatro dependentes. “Para cobrir a folha de pagamento, precisamos de 800 adesões ao cartão e atualmente temos 310”, conta a diretora, que acrescenta: “Queremos que a comunidade se una em torno do hospital, que possui uma boa estrutura para oferecer estas especialidades que o SUS [Sistema Único de Saúde] não dá”.

Uma outra solução seria o retorno das internações na instituição, que atualmente serve apenas como ambulatório, onde os pacientes podem permanecer apenas de 12 horas a 24 horas em observação, para posterior alta ou transferência, de ambulância, para hospitais de Pelotas ou Rio Grande. Nesta cruzada, a diretora conta com um importante aliado, o físico Altair Faes, atual presidente da instituição, e que vem unindo esforços e buscando formas de tornar esta ideia realidade.

Faes foi um dos responsáveis pela modernização e reativação do setor de Raio-X do hospital, que tinha o serviço, mas estava desativado, sendo que a população precisava se deslocar até Pelotas ou Canguçu, 15 a 20 quilômetros para realizar o exame. “Colocamos o raio-x para funcionar, após a realização de um novo projeto de blindagem e com sistema de revelação digital, que aboliu a impressão dos exames”, explica.

Sala de Raio-X está em funcionamento no hospital desde dezembro (Foto: Carina Reis/JTR)

Segundo ele, o exame é enviado em formato digital para o laboratório analisar. O paciente e o médico recebem os laudos diretamente no e-mail, que pode ser acessado pelo celular. A demanda é de 6 a 7 mil atendimentos à população de Morro Redondo, mais o município de Cerrito e Capão do Leão e as colônias de Canguçu e Pelotas. O fluxo atual é de cinco atendimentos radiográficos por dia, uma média de 150 a 200 atendimentos de usuários do SUS por mês.

Os atendimentos são agendados e realizados de segunda-feira a sábado, pela manhã. No entanto, é possível colocar um técnico de sobreaviso caso precise realizar um atendimento fora do horário ou aos finais de semana. “Em dez meses, de fevereiro a novembro, o que envolveu obra arquitetônica, colocamos o raio-x para funcionar, inaugurado em dezembro”, afirma Faes.

Eles contam, ainda, que com a pandemia, o Pronto Atendimento do hospital acabou se tornando um ambulatório de síndromes gripais. Para isso, possui duas “salas vermelhas” equipadas com monitores de sinais vitais, carrinho de parada cardiorrespiratória, dois ventiladores mecânicos, desfibrilador e oxigênio, onde o paciente é mantido até 24 horas, para ser transferido a hospitais da região. A casa de saúde conta também com eletrocardiograma e ultrassom.

Segundo eles, nos últimos dias, o número de casos Covid caiu bastante. “Tivemos dias com 16 casos positivados”, contam. O primeiro atendimento é realizado na sala vermelha com todos os recursos disponíveis.

“O nosso carro-chefe é a humanização no atendimento. É preciso ter esse olhar diferenciado, de carinho ao paciente”, diz Liane. Segundo ela, o fluxo do hospital não é de Pronto-Socorro e possibilita este tempo, de conversar e perguntar ao paciente o que ele está sentindo. “O paciente precisa ser tratado como pessoa e não como um número de prontuário”, destaca, ressaltando: “As pessoas chegam e são imediatamente atendidas, sem que precisem esperar no frio do inverno”.

A diretora conta que durante muito tempo, o hospital teve seus médicos morando e trabalhando no município, antes da centralização das políticas de saúde pelo Estado.

De acordo com a diretora, há este anseio para que o hospital retome as internações, mas para isso precisa estar regularizado junto ao governo estadual. Entre as exigências está a criação de 30 leitos físicos para receber os pacientes, estrutura que o hospital tem condições de oferecer. Hoje são oferecidos os primeiros procedimentos com observação até 24 horas e dependendo da gravidade, os pacientes são removidos para Canguçu ou ainda para o Pronto Socorro de Pelotas (PSP), Rio Grande, em caso de traumatologia e São Lourenço do Sul, para atendimento psiquiátrico.

Para viabilizar recursos, o hospital conta com a ajuda de Mauren Wenske, que é responsável pela captação de projetos, emendas parlamentares, projeto social do Sicredi, entre outros. Conforme a diretora, os recursos repassados pelo governo do município para o Pronto Atendimento são suficientes apenas para o pagamento dos médicos, incompatíveis com os custos de manutenção do hospital.

Clínica Bem Me Quer
Liane destaca o atendimento prestado pela Clínica Bem Me Quer, com atendimento nas áreas de psicologia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, que funciona dentro do hospital, onde 90% dos pacientes são crianças do município, encaminhadas através da Secretaria Municipal de Saúde.

Espaço para as crianças atendidas pela Clínica Bem Me Quer (Foto: Carina Reis/JTR)

“Queremos referenciar este serviço junto ao governo do Estado para atender também crianças dos municípios vizinhos, tais como Pelotas e Canguçu, onde as instituições estão sobrecarregadas”, completa.

Ela explica que os atendimentos são agendados com dez minutos de intervalo entre uma criança e outra, para que além de não se encontrarem na sala de espera, possa ser feita a higienização de brinquedos, por exemplo. Desde junho do ano passado, a clínica realiza 64 atendimentos mensais de fonoaudiologia, 60 psicológicos e 60 de terapia ocupacional, entre SUS e particular. São 16 pacientes por semana que passam por triagem com psicólogo. A clínica possui duas psicólogas, uma terapeuta ocupacional e uma fonoaudióloga.

 

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