
Com a promessa de investir mais de R$ 110 milhões, gerar 300 empregos diretos e beneficiar pelo menos 250 famílias de produtores, inicialmente, a Müller Agroindustrial, empreendimento da área da avicultura, esbarra na burocracia para dar início à obra do complexo agroindustrial, que será erguido em área da colônia Colorado, em Morro Redondo, com expectativa de entrar em funcionamento em meados de 2026.
Segundo o empreendedor, o empresário Lucas Müller, de 25 anos, os recursos serão obtidos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que já comprovou a viabilidade do projeto e aguarda o licenciamento ambiental para dar início ao andamento do financiamento bancário. Protocolado na Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), em agosto do ano passado, o licenciamento ambiental é imprescindível para o andamento do projeto e início das obras do frigorífico, que pelo cronograma deveriam ser iniciadas ainda este ano. “A previsão é de um ano e meio de obras”, afirma.
Tão logo seja aprovado o licenciamento ambiental, devem ser iniciadas as obras de terraplenagem e calçamento da área, que está localizada a um quilômetro da avenida Jacarandá, a principal do município. De acordo com Müller, esta fase da obra contará com o apoio da Prefeitura.
O empreendimento vai ocupar uma área de 10 hectares, terá 39,5 mil metros quadrados de área construída e será beneficiada pela rede de água, que passa muito próxima, que foi construída pelo Executivo Municipal para utilização pelo antigo abatedouro de aves da Cooperativa Sul Rio Grandense de Laticínios (Cosulati), fechado em 2016. O complexo inclui, além do frigorífico, uma fábrica de rações e 250 aviários. O projeto é assinado pelo arquiteto pelotense Thiago Schwanke. A fábrica de rações será implantada em área de quatro hectares cedida e licenciada pelo município. Até agora, os investimentos em compra de áreas, cercamento, contratação de profissionais, entre outros trâmites, já superam R$ 1 milhão, segundo o empreendedor.
Aliás, o projeto quer integrar à cadeia produtiva os antigos aviários que produziam para a Consulati e que ficaram ociosos com o fechamento do abatedouro. “Não queremos nada de graça, só queremos desburocratizar o processo e levar em frente um projeto que tem potencial para alavancar a atividade destes órfãos que a Cosulati deixou”, sublinha o empresário, referindo-se a todos aqueles que foram prejudicados pelo encerramento das atividades da cooperativa, inclusive antigos funcionários.
A diferença é que os aviários serão totalmente automatizados, com ambiente controlado e a mínima interferência humana e terão capacidade para 30 mil frangos cada um. “O abate de 30 mil aves por dia é o ponto de equilíbrio para a atividade”, assegura o empresário, que realizou inúmeras visitas a empreendimentos do ramo, entre eles, o Miraguaí, localizado em Chapecó, Santa Catarina, e que realiza abate diário de 90 mil frangos.
Além disso, Müller quer que o projeto seja uma alternativa para diversificar as propriedades que se dedicam à cultura do fumo. Para isso, a expectativa é manter a matéria-prima gerada pela unidade local da West Aves, incubatório de aves, com uma demanda de 60 mil pintos a uma regularidade média de quatro vezes por semana. O ciclo da ave, do pinto ao abate, leva em torno de 45 dias.
Para agilizar o andamento do projeto, o empreendedor tentou buscar o apoio do governo do Estado, mas não obteve sucesso nas reiteradas vezes em que tentou marcar uma agenda para apresentação do projeto ao governador Eduardo Leite (PSDB). “Tudo o que se queria é que o Estado nos olhasse como potenciais investidores para alavancar o desenvolvimento da região Sul”, pontua. Segundo ele, pelas coordenadas geográficas da área, não há nada que impeça o licenciamento.
Além disso, o projeto é ambientalmente sustentável. A água bruta será colhida no Passo da Serra e os efluentes serão lançados em local abaixo da captação. “Sessenta por cento do efluente será reutilizado, a área de mata nativa existente na propriedade será respeitada e o projeto contempla um departamento de bem-estar animal”, ressalta.
O que diz a Fepam
De acordo com a Fepam, “em relação à tramitação de Licença Prévia (LP) solicitada pelo Frigorífico Müller Ltda, aguarda desde o dia 11 de abril, complementações que devem ser enviadas pelo empreendedor. A continuidade da análise pelo corpo técnico do órgão ambiental depende da apresentação desses documentos adicionais”, diz a nota emitida pela assessoria de comunicação ao JTR.
Ainda conforme o órgão, o tempo médio de tramitação de um processo é de 180 dias, porém varia levando em conta o processo, dependendo ainda da necessidade de anuência de órgãos externos e de solicitações de documentações e esclarecimentos complementares ao empreendedor. Müller aponta que muitas das pendências apresentadas já haviam sido enviadas à Fepam e nova resposta está sendo formulada.
Benefícios ao município
Um dos grandes apoiadores deste projeto é o prefeito Rui Brizolara (União Brasil), que vê na geração de empregos um dos principais benefícios a Morro Redondo e região. “A geração de empregos é algo que temos buscado desde o fechamento da Cosulati, que deixou mais de 200 famílias desempregadas”, destaca o gestor municipal.
Além dos empregos diretos, Brizolara considera ainda os indiretos e a oportunidade aos produtores em voltar a produzir o frango. “A instalação do Frigorífico Müller irá preencher esta lacuna deixada pela cooperativa. Temos ainda um longo caminho pela frente, mas o esforço da família virá contribuir e muito com o desenvolvimento do município”, finaliza.






Será muito interessante para região, que tem grande potencial prá porque tem vários empreendimentos ficaram sem uso algum !
Muito bom ver o BNDES voltando a incentivar a indústria brasileira.