Abril Indígena tem atividade com etnia do Nordeste em Morro Redondo nesta terça-feira (28)

Roda de conversa aproxima estudantes da cultura ancestral do povo Fulni-ô. (Foto: Divulgação)

O Abril Indígena é um período de mobilização nacional celebrado ao longo do mês de abril, com destaque para o dia 19 — Dia dos Povos Indígenas — voltado à valorização da diversidade cultural, da história e da resistência dos povos originários do Brasil. A data também reforça a luta por direitos, pela demarcação de terras e pelo combate ao preconceito.

Alusivo à data, a história, a cultura e a ancestralidade do povo indígena Fulni-ô ganham espaço no município de Morro Redondo, no sul do estado. Por meio de uma roda de conversa, estudantes da rede municipal terão a oportunidade de conhecer mais sobre a essência e os costumes dos povos originários.

A atividade será realizada no Centro Cultural de Eventos Valdino Krause e contará com um momento de diálogo, seguido da exposição e comercialização de artesanato tradicional produzido pelos Fulni-ô. O evento é organizado pelo Núcleo de Cultura da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto, em parceria com o Coletivo de Cultura de Morro Redondo.

Participam do encontro representantes da família do guerreiro Towe, acompanhado por Efeklany e Txidjo, respectivamente mãe e filho. Esta não é a primeira passagem do grupo pela região sul: em dezembro do ano passado, a família esteve na região para compartilhar a medicina ancestral da Jurema, prática espiritual preservada exclusivamente pelo povo Fulni-ô.

A chamada Jurema Sagrada é reverenciada por sua capacidade de atuar em diferentes dimensões do ser humano. Segundo a tradição Fulni-ô, trata-se de uma ponte de conexão espiritual, permitindo acesso ao campo dos sonhos em busca de orientação, sabedoria e clareza. Além disso, também é associada a benefícios à saúde física de forma integral.

O grupo permanecerá até o mês de junho em Pelotas, com uma programação que inclui atendimentos com a medicina da Jurema, apresentações artísticas, oficinas, pinturas corporais com tintura de jenipapo, rodas de rapé e exposição de artesanato. Interessados podem obter mais informações junto à loja Joia da Bruxa, que está recebendo a família na região.

A história

Originários do sertão nordestino, os Fulni-ô habitam atualmente o município de Águas Belas, onde mantêm a única aldeia dessa etnia no Brasil, com cerca de seis mil indígenas.

Localizada na região do Sertão pernambucano, a aproximadamente 273 quilômetros da capital Recife, Águas Belas integra o chamado polígono das secas. A região é cortada pelo rio Ipanema, afluente do rio São Francisco.

Os Fulni-ô são o único povo indígena do Nordeste que conseguiu preservar sua própria língua, o Ia-tê, além de manter vivo o ritual do Ouricuri, realizado de forma reservada e considerado um dos pilares de sua identidade cultural.