Jaguarão: Artesanato em lã crua é destaque na cultura

Foto: Juliana Lima/JTR

Jaguarão é rico em lã devido aos grandes rebanhos de ovelhas, produzindo a matéria-prima em grande quantidade para o artesanato em lã e outros usos. Tempos atrás, essa lã era exportada, ficando apenas sobras para serem usadas pelas mulheres da família que confeccionavam vestimentas para o uso na lida do campo e para proteger do frio, como os ponchos e os palas. Também era feito o xergão para proteger o lombo do cavalo, peça usada na encilha para manejo do gado. As mulheres usavam xales e mantas fabricadas por elas rusticamente e ainda eram confeccionados cobertores de lã para aquecer nas noites frias do inverno pampeano.

Segundo o presidente do Sindicato Rural, Hélio Jacques Affonso, as artesãs possuem um espaço diferenciado no artesanato do país, pois a qualidade e técnicas usadas são reconhecidas por muitos lugares. “A ovinocultura, antigamente, era um nicho de mercado. A lã tem um valor muito significativo. Os ovinos eram criados em função da lã e hoje em dia o valor perdeu para as sintéticas, por isso o artesanato em lã crua tem mais valor, é um trabalho diferenciado e Jaguarão possui várias técnicas confeccionadas que muitos não conhecem”, disse.

Com o objetivo de enaltecer essa técnica do artesanato em lã crua, o Jornal Tradição Regional conta um pouco da história de algumas das artesãs do município.

Histórias de artesãs
Trabalhando com a lã há mais de 60 anos, Nilza Peres de Oliveira diz que iniciou a técnica muito pequena, quando ainda morava com os pais para fora. Hoje, além de fonte de renda ela ainda passa todo seu conhecimento para as novas artesãs. “Melhor do que fazer é ensinar”, afirmou.

Ainda, ela comentou que, em 2019, foi reconhecida pelo Concurso Nacional da Cultura Popular da Lã. “Fiquei muito feliz com o título de mestra da cultura popular da lã”, destacou.

Já Ziza Barcelos falou que o artesanato salvou sua vida muitas vezes. “Sofri um grave acidente e o movimento do crochê fez com que eu conseguisse recuperar meus movimentos de novo, depois com a perda da minha mãe me ajudou a sair da depressão e mais tarde quando sofri outro problema de saúde foi ele que também me salvou”.
Ziza disse que primeiramente só fazia gráficos e hoje além de fazer os gráficos ainda produz peças de ótima qualidade que estão espalhadas pelo mundo todo.

A artesã possui em sua coleção diversas premiações que já recebeu com suas peças.
Trabalhando na técnica Jacquard, Débora Lima, artesã há mais de 14 anos, iniciou porque precisava de um trabalho que ela pudesse, ao mesmo tempo, ficar com a família e hoje tem certeza que escolheu o caminho certo. “Percebi que o artesanato em lã cru é realmente promissor. Com ele recebi muitas premiações e hoje amo o que faço”, destacou.

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