Crise no mercado da lã

O Rio Grande do Sul é o maior produtor de lã do país. (Foto: Divulgação/Prefeitura Municipal de São Lourenço do Sul)

O mercado da lã atravessa uma de suas piores crises. A informação foi feita pelo presidente da Cooperativa de Lãs Mauá, em Jaguarão, Edison Lunes Ferreira. Segundo ele, após a pandemia, os fretes internacionais encareceram e inviabilizaram a exportação das lãs médias e grossas, correspondendo a 70% do que é produzido no RS. “Existem, hoje, cerca de três safras de lã estocadas, correspondendo a pior crise da história”, reiterou.
A solução, na avaliação dele, é a reativação do mercado interno, diante da retomada da capacidade de lavagem, fator este que determinou a opção pela exportação de lã suja por meio do Uruguai e que, desde sempre, se mostrou uma alternativa com fragilidades, em função dos altos custos de frete e da inclusão de um intermediário à comercialização.

O RS, disse, é o único estado produtor de lãs (cerca de 8,6 mil toneladas) e possui três cooperativas ativas: Cooperativas de Lãs Mauá de Jaguarão; Cooperativa de Lãs de Quaraí (Quaraí); Cooperativa de Lãs Tejupá (São Gabriel), todas associadas à Fecolã.

Ferreira destacou que a lã conta com um fundo chamado de FUNDOVINOS. “Trata-se de recursos arrecadados com a finalidade de auxiliar políticas públicas na promoção da lã”, informou, ressaltando que as questões burocráticas relativas a esse fundo para o uso dos recursos aos seus fins “correspondem a um enorme obstáculo”, cujo volume (R$ 8 milhões) denuncia os empecilhos burocráticos dificultadores dos pleitos formulados.

Histórico

Até 1944, toda a comercialização era de lã suja vendida por intermédio do Uruguai pelas barracas. A partir de então, foram criadas as cinco primeiras cooperativas, e a lã evoluiu para um processo de qualificação e agregação de valor. Até 1990, a lã era classificada comercializada lavada e em top. Após os anos 90, houve uma quebra das cooperativas de lã em função do período de adversidades econômicas (1986 a 1990). Das 25 cooperativas existentes, quebraram 22 (todas as que lavavam, cardavam e penteavam).

Com esta perda da capacidade, a lã passou a ser vendida para o Uruguai, como lã suja, retrocedendo ao período anterior a 44. Em vista disso, houve um abandono do mercado interno, fazendo-o cair drasticamente e, ao ter que importar o produto, este encareceu demais no Brasil, perdendo sua competitividade. No momento atual, o Uruguai continua sendo o intermediário da lã no RS.

Fecolã

Édison Lunes esclareceu que a Fecolã trabalha em três frentes: marketing para agir sob demanda; programa de estimulo à criação de novos produtos à base de lãs; e incentivo tributário.

Na área de marketing, o primeiro evento deverá ser lançado nos próximos dias, contando com a aprovação de apoio financeiro do Banrisul.

Na área de novos produtos, a Fecolã encaminhou projeto ao FUNDOVINOS, que consiste na premiação a jovens universitários que desenvolvam produtos à base de lã.

A área tributária também será merecedora de um papel incentivador no uso da lã, mas se encontra ainda em fase inicial de proposta.

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