
A partir das 19h desta quinta-feira (23), Jônatas Marques Caratti estará presente no Largo das Bandeiras para lançar a segunda edição da obra “O Solo da Liberdade: as trajetórias da preta Faustina e do pardo Anacleto pela fronteira rio-grandense em tempos do processo abolicionista uruguaio (1842-1862)”, pela Editora Unisinos/Editora Oikós.
Natural de Porto Alegre, Caratti é professor do curso de História da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e reside em Jaguarão há 10 anos. É graduado em História (Unilasalle, 2007), mestre em História Latino-Americana (Unisinos, 2010), doutor em História (UFRGS, 2017). Seu livro é fruto de uma pesquisa de mestrado em História defendida em 2010 no PPG daUnisinos.
O trabalho partiu do seguinte questionamento: “como se deu a escravidão negra em regiões de fronteira levando em conta que o Uruguai aboliu a escravatura muito antes do Brasil”. No Brasil, a abolição ocorreu em 1888, já no Uruguai entre os anos de 1842 e 1846. Os escravizados viviam numa região de legislação incerta, de um lado a liberdade e de outra a escravidão.
O livro mostra a história de duas trajetórias (a preta Faustina e o pardo Anacleto), evidenciando a complexidade de suas situações. Ambos foram escravizados ilegalmente e seus casos viraram processos criminais (1854 e 1862) que estão subsidiados no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS). O livro é importante para a constituição da identidade negras e fronteiriça, já que os personagens do livro passaram por Jaguarão em meados do século XIX.
Sinopse do Livro
O Solo da Liberdade busca investigar o impacto das leis abolicionistas uruguaias para os senhores e seus escravos rio-grandenses, nas décadas de 1840 a 1860. A partir da análise das trajetórias da preta Faustina e do pardo Anacleto pretende-se problematizar algumas questões como: as motivações para as fugas de escravos pela fronteira rio-grandense, o envio de escravos por parte dos estancieiros rio-grandenses para trabalharem na República Oriental do Uruguai após a abolição da escravatura deste país, a busca pela posse cativa pelos senhores escravistas gaúchos e o Tratado de Devolução de Escravos de 1851, o roubo de escravos e negros orientais livres para serem vendidos no tráfico inter e intra-provincial, o comércio de escravos entre as vilas de Jaguarão, Pelotas e Rio Grande através da Lagoa Mirim, os argumentos de cidadania e de solo livre defendidos pelos curadores e chefes políticos uruguaios para a liberdade dos afro-descendentes nascidos no Uruguai e também para aqueles que lá moravam algum tempo.
Através de uma combinação metodológica entre a micro-história e a História Comparada, pretende-se perceber as semelhanças e diferentes das duas histórias analisadas.
A fonte base dessa pesquisa são dois processos criminais. Juntam-se a eles, registros notariais como, cartas de alforria e escrituras públicas de compra e venda; registros paroquiais como, batismo e casamento; inventários post-morten; correspondências diplomáticas e militares. Nossa principal hipótese de trabalho é que as leis abolicionistas uruguaias acarretaram grandes mudanças na organização da escravidão na província de São Pedro do Rio Grande do Sul.




Muito Interessante! Você mandou bem demais explicando. Salvei seu site aqui nos favoritos, já é! Brigadão por compartilhar =)