
Considerada uma das cidades da região com um acervo histórico com mais de 100 prédios, Jaguarão completa 169 anos de história neste sábado (23). O município foi emancipado no ano 1855 e guarda em seu conjunto arquitetônico diversos pontos turísticos que encantam a todos os visitantes, como por exemplo as ruínas da Enfermaria Militar, que começou a ser erguida no ano de 1880 por ordem do ministro de Guerra Visconde de Pelotas, e foi concluída em 1883. Está situada no ponto mais elevado do município, o Cerro da Pólvora. Possui características neoclássicas, destacando-se na paisagem por sua imponência. O local tinha como objetivo atender os oficiais do exercito da região da campanha.
Outro ponto muito visitado é o Mercado Público, construído entre 1864 e 1867 junto à antiga Praça do Comércio, a fim de promover a circulação de gêneros alimentícios de produção local e de mercadorias aportadas no rio Jaguarão. O prédio, que ficou cinco anos fechado, foi todo reestruturado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan). Foram realizadas mudanças nas estruturas elétrica, hidráulica, além da instalação de um sistema anti-incêndio.
A Igreja Matriz do Divino Espírito Santo, localizada no Centro Histórico, teve o início de sua construção no ano de 1847. Porém, por falta de recursos e controvérsia quanto à localização, a obra só foi concluída em 1875, quando o Governo Provincial forneceu recursos para serem investidos na área religiosa. Seus altares são de madeiras esculpidos a mão, possui parlatório em mármore de carrara e belíssimos vitrais. Também conta com um grande acervo mobiliário e de imagens sacras. A igreja conserva as linhas gerais e o aspecto original, tanto na parte interna quanto na parte externa, o que faz com que o prédio tenha grande importância arquitetônica, histórica e artística. Durante 166 anos, a manutenção realizada no templo era apenas na manutenção de telhas, o que a fez preservar sua originalidade. O prédio passou três anos fechado e foi entregue à comunidade em 2019 totalmente restaurado pelo Iphan.
Localizado no centro da cidade, o Theatro Esperança é considerado um dos mais lindos do Estado. Sua construção foi iniciada em 1887, como uma grande casa de espetáculos, sendo inaugurado 10 anos depois. As obras foram comandadas pelo construtor Martinho de Oliveira Braga e o trabalho artesanal em madeira pelo artífice Gustavo Guimarães. Ao longo de sua história, o teatro foi palco de apresentações de grandes companhias nacionais e internacionais, e teve vários usos, adaptando-se também a espetáculos circenses, com a remoção do tablado, que transformava a plateia em um grande picadeiro. O teatro possui uma excelente acústica e em seus bastidores podem ser movimentados mais de oito cenários. É um grande marco do engajamento da cidade com a movimentação cultural e artística do Brasil e do Uruguai.
Finalizando, a Ponte Internacional Barão de Mauá que liga Jaguarão à cidade uruguaia de Rio Branco. A estrutura foi construída entre 1927 e 1930, depois de um tratado firmado em 1918 entre os dois países para pagamento de dívida de guerra. É o primeiro bem binacional tombado pelo Iphan, reconhecido como primeiro patrimônio cultural do Mercosul.
A ponte mede 2.113 metros de comprimento, sendo 340 metros sobre o rio Jaguarão, tendo 12 metros de largura. Na sua parte central existe uma via férrea com duas bitolas ladeada por duas faixas para veículos de 3 metros cada uma. As faixas possuem ao longo do comprimento calçada para pedestres.
Na construção da ponte trabalharam 6.215 operários de diversas nacionalidades. O lado uruguaio da ponte foi tombado em 1977, enquanto o lado brasileiro em 2011.
Atualmente, há um projeto para a construção de uma segunda ponte sobre o rio Jaguarão. A obra é uma demanda histórica dos gaúchos. Apesar de já haver, desde 1930, a Ponte Barão de Mauá na ligação entre o município de Jaguarão e Rio Branco, no Uruguai, atualmente a estrutura já não suporta mais o fluxo de veículos que transitam na região.



