
Entre terça (5) e sexta-feira (8), está sendo promovida a “Semana do Leite” na Estação Experimental Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão. Durante quatro dias, as atividades estão voltadas para a valorização da produção leiteira. Diariamente, o evento debate diferentes direcionamentos para incluir todos os públicos com interesse nessa cadeia produtiva. “Resistir, Reconstruir e Renovar” são os tópicos que norteiam as palestras, que também abordam as mudanças climáticas. Com realização da Embrapa, Emater/RS-Ascar e Coopar Pomerano, a Semana do Leite tem o intuito de avaliar a situação do setor e prever ações futuras.
Conforme o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Cesar Roberto Demenech, tem se notado a saída de produtores da atividade leiteira e, ao mesmo tempo, a produção de leite está estabilizada quanto ao volume. Entretanto, produtores de Pedras Altas e Herval que, antes, deixaram o setor leiteiro para produzir soja, agora já mostram interesse em retornar. “Esse Dia de Campo é isso, é nós estarmos estendendo aos agricultores aquilo que tem de novo, aquilo que a gente pode orientar para que os produtores possam ir melhorando a sua condição. E, também, que é o nosso desafio, com essa questão da mudança climática, dessas que tem ocorrido de chuva demais, e trabalhar na mitigação e na prevenção disso”, explica Demenech.

O coordenador da “Semana do Leite”, Rogerio Dereti, afirma que o tradicional Dia de Campo tem uma conotação mais técnica voltada aos produtores. O evento, que antes acontecia apenas em um dia, foi expandido para que sejam discutidas políticas públicas e que o consumidor seja incluído. O primeiro dia contou com o simpósio “Leite RS 2024: Reconstrução e Renovação”, abordando tópicos como políticas públicas e as perspectivas do setor com enfoque no produtor e nos sistemas de produção.
Já no segundo foi realizado o 12º Dia de Campo do Leite. Nesta edição, foram três estações temáticas: Resistir, Reconstruir e Renovar. Resistir significa reconhecer a importância do leite para a economia, geração de empregos e segurança alimentar, considerando seu alto valor nutritivo e biológico. Reconstruir implica buscar alternativas para minimizar os danos causados pelas crises climáticas, como enchentes e enxurradas, e reparar seus impactos. Renovar envolve repensar a cadeia produtiva de forma sustentável, levando em conta a relação com o meio ambiente e a conservação dos recursos naturais diante de emergências climáticas cada vez mais frequentes.
O terceiro dia teve foco nos consumidores. Aberto ao público em geral, o Dia de Campo recebeu visita de escolas e estudantes universitários. As atividades incluíram o roteiro “Caminhos do Leite”, que explicam desde os cuidados com as pastagens até a chegada do leite para a mesa do consumidor. Além disso, Dereti explica que as estações temáticas seguem os mesmos temas “só que são colocados de uma outra ótica, de uma forma para que as pessoas possam entender mais facilmente, se aproximar da cadeia e começar a exercer cidadania, que o consumo de leite seja consciente e informado sobre o que elas estão trazendo dos mercados para dentro da sua casa”. Para os inseminadores, também foi ministrada uma reciclagem.
O encerramento é com o Workshop Hub Leite nesta sexta-feira (8), um evento técnico científico com apresentações e discussões da Embrapa e instituições de PD&I sobre inovação no setor leiteiro. O foco do debate será a modelagem para a construção de parcerias interinstitucionais voltadas ao desenvolvimento do setor. O chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, Waldyr Stumpf Junior, salienta que a Semana também agrega em dois importantes debates. “Uma discussão política, a tratar das questões de políticas públicas ligadas à cadeia produtiva, e uma outra, um outro segmento, que é uma discussão científica, de como as universidades, o Instituto Federal, a Embrapa e as outras instituições que fazem ciência e tecnologia possam encontrar soluções para os agricultores”.
A Coopar Pomerano já participa do Dia de Campo do Leite há vários anos. Na Semana, esteve presente na organização do evento, com palestras do departamento técnico e também auxiliando no deslocamento dos produtores. O presidente da cooperativa, Nildo Rutz, afirma que o evento é de muita relevância para o produtor devido às tecnologias da Embrapa e o trabalho no campo realizado pela Emater/RS-Ascar. “Juntando esse trabalho, buscamos mais conhecimento para que possamos, quem sabe, diminuir um pouco os custos e aumentarmos a produção de leite, que é bastante importante”.



