Com cinco mil famílias envolvidas, Canguçu se mantém protagonista na produção de tabaco no país

Família Braun configura entre as quase 5 mil famílias que veem no tabaco a principal fonte de renda, tornando o município líder nacional em produção. (Foto: Arquivo pessoal)

Município com cerca de 50 mil habitantes, Canguçu lidera a produção de tabaco no Brasil e no Rio Grande do Sul. Aproximadamente 5 mil famílias vivem do cultivo, que ocupa papel central na economia local. Na safra 2023/2024, foram plantados 8,9 mil hectares, com produção de 18,1 mil toneladas — números que, segundo projeções do setor, devem crescer neste ano.

Principal fonte de renda em pequenas propriedades rurais, o tabaco se consolidou como alternativa viável diante dos bons preços pagos ao produtor nas últimas safras, em comparação com outras culturas agrícolas. A possibilidade de alta rentabilidade em áreas reduzidas ajuda a explicar o interesse das famílias.

O município se destaca ainda na agricultura familiar. São cerca de 14 mil propriedades rurais, o maior número de pequenas propriedades do país, o que reforça o peso da cultura no cenário local.

Para o diretor do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Canguçu, Delair Radke, a atual safra apresenta cenário de estabilidade. “Vai ser uma safra normal, com acréscimo diário na base de 4% em vista do ano (de 2024). Por enquanto, o Sindicato está na expectativa se precisa se mobilizar ou fazer um enfrentamento maior. Mas, a princípio, está dentro da normalidade. Tanto é que o tabaco reergueu muitas propriedades no nosso município e na nossa região. Antigamente estavam pobres e hoje estão bem constituídas em razão deste produto”, avalia.

Principal atividade econômica de muitas famílias

A família de Norica Zarnott Braun atua na plantação de fumo há 20 anos, na localidade do Posto Branco, 1º distrito do município. Duas pessoas da família, além de apoio eventual, trabalham diretamente na produção.

Uma das principais atividades econômicas dos agricultores de Canguçu, o cultivo também é motivo de satisfação para a produtora. Ela demonstra carinho pelo trabalho e afirma que “mesmo com todas as dificuldades, ver a lavoura bonita e o fumo bem desenvolvido mostra que todo sacrifício vale a pena”.

Ao longo do ano, a atividade enfrenta desafios como instabilidades climáticas e aumento nos custos de produção. “Seca, granizo e o custo de defensivos e adubos”, resume. A produtora destaca que é dessa cultura que a família retira o principal sustento e valoriza “poder trabalhar em família”. Também menciona a preocupação “na hora da comercialização se vai ser bem comercializado”.