A vida sobre rodas: vivências e desafios dos caminhoneiros

Canguçuense Luis Rodrigues possui cinco anos de atuação como caminhoneiro. (Foto: Arquivo Pessoal)

O transporte de mercadorias para locais distantes, acidentes de trânsito, más condições nas rodovias, altos custos de combustíveis e problemas de saúde dos motoristas são alguns dos desafios que a vida sobre rodas apresenta. Ser caminhoneiro demanda uma série de cuidados e adaptações na vida cotidiana.

De acordo com a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), até 2020, o transporte de mercadorias por rodovias foi responsável por 70% das cargas realizadas no país. Os profissionais atuantes neste setor, em sua maioria, são trabalhadores autônomos que buscam sustento próprio e de familiares. Por conta da distância entre os locais de carregamento e descarga, os caminhoneiros acabam ampliando suas cargas horárias de trabalho e convivendo menos com a família.

Mobilizações e busca por direitos
O alto custo dos combustíveis, grande quantidade de praças de pedágio e taxações sobre o diesel motivaram milhares de caminhoneiros a realizarem paralisações em todo o país, no ano de 2018. Os motoristas autônomos decidiram procurar meios de dialogar com o Presidente da República, para isso, bloquearam rodovias e não realizaram transportes necessários.

A “greve dos caminhoneiros”, como ficou conhecida, aconteceu em 24 estados e no Distrito Federal e impactou diretamente no bolso dos brasileiros. As manifestações aconteceram durante duas semanas, neste tempo, ocorreram indisponibilidade de mantimentos de alimentação básicos, cancelamentos de aulas, falta de medicações, desabastecimento de combustíveis e diversos impactos no cotidiano do país.

Esta mobilização foi uma das maiores desta classe e resultou, na época, na redução dos preços de combustíveis, isenção no pagamento de pedágios de caminhões que trafegavam vazios nas rodovias e taxação de valores mínimos para fretes.

Heróis na pandemia
Em decorrência da pandemia, os desafios ainda se intensificaram. Muitos motoristas precisaram modificar suas atuações para continuarem na profissão. O canguçuense Luis Rodrigues, possui cinco anos de atuação como caminhoneiro, e lembra dois dos desafios que mais enfrentou. “Tinha medo de contaminar minha família, a gente estava exposto o tempo todo, embora tomasse cuidado e utilizasse álcool gel”. E acrescenta: “Durante os lockdowns, muitas vezes não tinha um ponto para comprar alimentos”.

O protagonismo dos caminhoneiros se acentuou muito durante a pandemia, isso porque a maioria das encomendas, mercadorias e transações dentro do país dependem de suas forças de trabalho. Assim, como os profissionais de saúde, estes trabalhadores nunca pararam suas atividades. Tidos como essenciais, os caminhoneiros vêm assegurando o abastecimento de toda população.

Embora ainda exista muito a se conquistar, há alguns meses, os caminhoneiros foram incluídos no Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19, resultado de muito trabalho e dedicação diária destes profissionais para com a vida de todos. Atividades que ajudam no presente e constroem o futuro, motivo de orgulho para quem atua na área. “Eu gosto muito da minha profissão”, lembrou Rodrigues.

Perguntado sobre o que espera daqui pra frente para a categoria, Rodrigues recordou suas expectativas. “Espero pro futuro, uma melhoria nas rodovias que não são pedagiadas, existem muitos trajetos que são intransitáveis. E nas rodovias pedagiadas (espero) que se reduzam os valores dos pedágios”, disse. Ele ainda defendeu a importância dos profissionais e ressaltou a necessidade dos condutores de motocicletas e automóveis receberem aperfeiçoamento em suas habilitações para que, assim, sejam evitados acidentes de trânsito.

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome