Piratini: Situação precária da ERS-265 causa mais um acidente

Pedro Oliveira da Silva, o motorista, e Jean Franklin Ferreira, proprietário do caminhão, afirmam que há anos sofrem com as más condições da via. (Foto: Nael Rosa/JTR)

Os transtornos enfrentados por quem trafega ou reside às margens da ERS- 265, via estadual que permite se deslocar entre Piratini e Canguçu, são destacados há anos pelo JTR. Na manhã de segunda-feira (10), um acidente que poderia ter acabado em tragédia, mas que o resultado foi apenas danos materiais, evidenciou não só a precariedade do trajeto como também a indignação de quem está exausto de trabalhar sem as condições necessárias e pede providências urgentes ao governo do Estado.

“Eu uso esta estrada há 10 anos e ela só piora. No dia 7 deste mês, quebrei o diferencial do caminhão e, apenas para comprar a peça, gastei R$ 6 mil. Um dia antes deste caminhão tombar, furou o radiador da minha caminhonete e, agora, de novo, mais prejuízo”, lamentou Jean Franklin Ferreira, de 29 anos. Ele é o proprietário do caminhão que, ao tentar vencer um trecho de subida da estrada de chão, se deparou com o chamado “borrachudo”, um buraco que levou à falta de freio no veículo guiado pelo motorista Pedro Oliveira da Silva, 55, que usou a experiência ao volante para evitar um desfecho trágico.

“Sim, tive medo. Mas não tentei virar o arranque quando o motor apagou e me mantive frio, pois quando o freio não funcionou e o caminhão desceu em alta velocidade, me dei conta que, logo abaixo, há uma sanga que, seu eu caísse nela, poderia ser o meu fim nessa estrada, que durante os cinco anos que a uso nada melhorou”, afirmou o condutor.

Para Ferreira, Silva e outros tantos amigos que correram para ajudar restou fazer o transbordo de parte da carga espalhada à beira da rodovia para uma caçamba. Essa foi a maneira encontrada para reduzir o gasto que o proprietário do veículo terá para consertar seu instrumento de trabalho. “Se eu não recolhesse parte da soja, teria que pagar do meu bolso. Somente para adquirir o diferencial, eu preciso transportar seis cargas com soja. Essa era a sexta e olha no que deu. Não tenho ideia de quanto vai custar a carroceria, nada incomum, afinal, por também ser um mecânico e ter uma oficina, atendo com frequência a outros motoristas que, assim como eu, são vítimas desse descaso”, disse Ferreira.

Ele concluiu afirmando que depois de inúmeros pedidos, a motoniveladora (patrola), se deslocou para fazer os reparos, mas que só entrou em ação após o tombamento. “Até meu caminhão virar, já não chovia há 10 dias. No dia 6 deste mês, a máquina veio, mas nada fez e só passou a trabalhar quando fiz contato com o responsável e exigi que reparassem ao menos o ponto que causou o acidente”, relatou Ferreira.

Questionado pela reportagem do JTR, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) afirmou que somente em Canguçu, em apenas em 22 dias do mês passado e nos seis primeiros dias de junho, choveu 380 milímetros. Assim, a observação de Ferreira sobre os 10 dias sem chuva e sem a realização do serviço não seria procedente. “As condições técnicas da rodovia no mês de maio tornaram-se totalmente impraticável a sua conservação. O Daer retomou a conservação da estrada a partir de Piratini, no dia 29 de maio e, mesmo com as condições climáticas adversas e o fato de o revestimento da rodovia estar totalmente encharcado, após essa data realizamos um incremento na equipe, mobilizando uma de escavadeira, uma retroescavadeira, um patrola, rolo compactador e caminhões”, informou o Núcleo de Assessoria de Imprensa.

Por fim, o setor da autarquia garantiu que há previsão de reforço de revestimento primário em diversos segmentos dos 50 quilômetros da estrada entre os dois municípios.

Foi realizado o transbordo de parte da carga espalhada à beira da rodovia para uma caçamba. (Foto: Nael Rosa/JTR)
Acidente aconteceu na segunda-feira (10). (Foto: Divulgação)

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