
“Não há mais quaisquer condições de trafegabilidade. Vidas estão em risco”. Foi dessa forma que a pecuarista e agricultora, Sandra Ulguim, de 52 anos, deu início às suas queixas ao conversar com a reportagem do Tradição Regional, referindo-se aos 45 quilômetros de chão batido que separam os municípios de Piratini e Canguçu pela ERS 265.
Na segunda-feira (8), coube a ela mobilizar cerca de 50 produtores rurais moradores à beira da rodovia e que novamente buscaram chamar a atenção do governo do Estado para a situação que se mantém precária e que é responsável por inúmeros transtornos e prejuízos.
“Não suportamos mais. Assim impedimos por uma hora a passagem de veículos e, asseguro: não vamos parar até que se dê uma solução para o absurdo que é a condição dessa estrada”, garantiu Sandra, que explora a propriedade que herdou dos pais, situada no Rodeio Velho, localidade que está dentro dos limites de Piratini.
Ela relata que o estado de abandono da via já dura 30 anos, o que indigna os usuários e residentes às margens da mesma, pois o escoamento de toda a produção se torna um desafio a ser vencido. Segundo ela, isso pode ser superado se a sugestão do grupo manifestante for aceita pelo governador, Eduardo Leite (PSDB).
“Vamos a Porto Alegre para pressionar o governo a aceitar nossa sugestão. Queremos que o governador permita que os dois municípios: Piratini e Canguçu, passem a fazer a manutenção desses 45 quilômetros a partir do Cancelão”.
Sandra finaliza reclamando da pouca participação no ato, já que o número de manifestantes ficou abaixo da sua expectativa. “Esperávamos o dobro de produtores. Queríamos ter contado com os seus caminhões e tratores, mas é fato que existe uma divisão entre os interessados em resolver esse problema. Uma parte entende que não devemos envolver as autoridades políticas das duas cidades interessadas e isso fez com que alguns recuassem e não aderissem à manifestação, o que discordo, pois sem usar a força dos nossos representantes, nada vamos conseguir”, opina.
O comerciante Gildo Thiel, de 53 anos, e que desde 1989 também reside à beira da 265, localidade Alto Alegre, já em Canguçu, revelou que está cansado das seguidas situações que enfrenta devido à falta de conservação da rodovia.
“A mercadoria que compro para revender atrasa a todo momento. O gasto com os frequentes problemas mecânicos dos caminhões é incalculável e, para mim, vai piorar, já que a partir do segundo semestre, colocarei a operar uma fábrica de rações para animais, investimento grande que estou fazendo, mas que me deixa mais apreensivo”, disse Thiel, que conclui com um desabafo: “ É a quarta manifestação que participo para chamar a atenção das autoridades, mas o resultado de todas elas é decepcionante, tanto quanto a minha indignação com a classe política, já que estamos totalmente desamparados. Lutamos, lutamos e nada”, lamenta.
O que diz o Daer?
Em nota, o Daer informou que, ainda este mês, deverão ser realizadas ações de manutenção no trecho e que o projeto de pavimentação desse segmento consta no Plano de Obras do Estado, em elaboração. “Os 10 primeiros quilômetros – entre Canguçu e a localidade de Cancelão -, aliás, já estão com o projeto concluído e entraram em fase final de orçamentação”.



