
As constantes falhas no fornecimento de energia elétrica em Arroio Grande, especialmente na zona rural, têm gerado mobilizações por parte de entidades do setor produtivo local. O serviço prestado pela CEEE Equatorial vem sendo alvo de críticas frequentes, tanto pela instabilidade quanto pelo atendimento precário oferecido aos usuários. Para enfrentar esse cenário, o Sindicato Rural de Arroio Grande, a Associação dos Arrozeiros e a Cooperativa dos Proprietários do Distrito de Irrigação da Barragem do Chasqueiro (COODIC) divulgaram uma nota conjunta informando que, diante da persistência dos problemas, foi realizada uma reunião com o Ministério Público. Na ocasião, ficou definido que o MP de Arroio Grande receberá para análise denúncias de produtores e localidades afetadas, com vistas à possível proposição de ações judiciais para garantir melhorias no serviço.
O advogado, Anderson Belloli, enfatizou que, apesar de diversas tentativas de diálogo com a concessionária, não houve avanços. “Não nos restou alternativa a não ser buscar o apoio do Ministério Público, a fim de garantir que os produtores tenham condições dignas de trabalho”, afirmou. Segundo Belloli, já existem precedentes judiciais favoráveis em outros municípios, o que reforça a viabilidade da iniciativa.
Marcelo Silveira, presidente do Sindicato Rural de Arroio Grande, também criticou a falta de suporte da empresa, destacando o impacto direto na produção agrícola. “Alguns produtores estão tendo que alugar geradores para manter os levantes elétricos em funcionamento, equipamentos essenciais para a irrigação das lavouras. Em certos casos, esses sistemas ficam parados por mais de uma semana”, relatou. Silveira reforçou ainda que a energia elétrica é indispensável neste período para a secagem da soja e, em período anterior, na irrigação do arroz.
Ladislau Silveira, presidente da COODIC, afirmou que os problemas se arrastam há pelo menos três anos e que, apesar das inúmeras reuniões, a empresa não prioriza as demandas consideradas urgentes pelos produtores. “Nosso objetivo é ingressar com uma ação via Ministério Público e pleitear uma liminar que estabeleça multa diária de R$ 1 mil por Unidade Consumidora que ficar sem energia por mais de 48 horas”, explicou.
Para viabilizar a possível adoção de medidas legais, as entidades estão convocando os produtores a contribuírem com informações detalhadas sobre os prejuízos enfrentados. O Sindicato Rural receberá os relatos no dia 22, das 9h às 17h, em sua sede central. Já os associados da COODIC e da Associação dos Arrozeiros poderão participar no dia 23, no mesmo horário.
A mobilização visa não apenas pressionar por melhorias imediatas, mas também garantir que os produtores possam exercer suas atividades com segurança e estabilidade energética.



