Ao chegar à Estação Rodoviária de Arroio Grande, passageiros das mais diversas regiões desembarcam e encontram o Ponto de Táxi da Rodoviária, típico como em qualquer outra cidade. O local é o mais disputado entre os taxistas pelo grande fluxo de pessoas que utilizam o serviço.
Paulo dos Santos Moreira, de 72 anos, conhecido como Paulinho da Granja, é um dos profissionais que transportam passageiros, ostentando sempre o prazer pela profissão. O apelido foi dado na época em que jogava no Esporte Clube Arroio Grande, em referência ao antigo trabalho.
A atuação como centro avante no futebol arroio-grandense deixou marcas, como o Campeonato Estadual de Futebol Amador em 1967, uma das maiores conquistas do time. Ele faz questão de manter a prática futebolística até hoje.
A oportunidade em trabalhar com táxi surgiu em 1990, quando um taxista ofertou o Ponto da Rodoviária – na época não havia licitação – e desde então atua no local.
O gosto pela profissão é notório. Com tantos anos na ativa, já perdeu as contas de quantos almoços e cafés interrompeu para atender seus clientes, no entanto, encara como situações normais da atividade. “Às vezes as pessoas ligam e estou no banho. Daí procuro ser sincero e perguntar se a pessoa quer esperar, não minto. Já cheguei a interromper o almoço três vezes para realizar corridas. São coisas que acontecem”, conta.
Com essa conduta, Paulinho mantém vários clientes fiéis que confiam em seu trabalho. Mesmo atuando em uma cidade de interior, ele acumula experiências de profissionais de grandes centros, como em um assalto que sofreu enquanto trabalhava. No início, o profissional fazia muitas viagens para as cidades da região e um dia quatro indivíduos solicitaram uma corrida para Herval. No trajeto, anunciaram o assalto levando seus pertences pessoais e o carro que veio a ser recuperado em Pinheiro Machado.
Hoje o assunto é tratado com naturalidade, mas na época o trauma foi grande. Mesmo assim nunca pensou em desistir da profissão, ressaltando que a experiência é levada consigo até hoje. “Tenho como conduta, quando sou abordado por alguém suspeito, recusar a corrida ou manter um contato com as autoridades policiais… já cansei de negar corrida pela minha intuição”, diz ele, como forma de manter a segurança no trabalho.
Mesmo Arroio Grande sendo uma cidade pacata, há consciência que a profissão não é segura e que os riscos são comuns a todos, porém a conduta preventiva e a experiência contam muito para manter a segurança na atividade profissional, já que nesse meio se está sujeito a tudo.
Mas nem tudo são dores: manter o contato com pessoas rende boas histórias, como na vez que transportou uma mulher em trabalho de parto, quase nascendo a criança dentro do carro. Momentos como esse exigem destreza, agilidade e, acima de tudo, calma. Com isso, Paulinho celebra, pois com sua profissão pôde ajudar a passageira.
Uma das grandes preocupações são as mudanças no trânsito local, o que aumentou significativamente o número de acidentes. “Um bom taxista tem que ter prudência no trânsito. A rotina me trouxe o conhecimento necessário para andar em segurança na cidade”, destaca.
Trabalho em família
Com três filhos, Paulinho fez questão de passar o ofício para todos. Atualmente, dois seguem na profissão pelo costume da rotina vivida, que sempre foi bem encarada pela família, que de acordo com o taxista já foi mais intensa. Para ele, a atividade é mais rentável hoje do que em anos atrás.
Ao falar da evolução no meio de transportes, principalmente no que diz respeito à popularização dos aplicativos, ele enxerga com ressalvas, principalmente por motoristas que não respeitam as regras de trabalho estipuladas pelos aplicativos. “O problema é que a gente paga muitos impostos e alvarás e os motoristas de aplicativo não pagam nada e ainda trabalham que nem táxi”, pondera.
Mesmo com tanto tempo de atuação, o taxista não pretende parar, celebrando em tantos anos de profissão as amizades que fez ao longo do tempo e o amor que mantém pela prática.



