A Cultura em Movimento em Arroio Grande: Anelize Carriconde apresenta balanço das ações 

A secretária de Cultura de Arroio Grande, Anelize Carriconde. (Foto: Rafael Viana/JTR)

Os trabalhadores envolvidos com a cultura, foram diretamente afetados pela pandemia. Durante esse período considerado atípico, a Secretaria Municipal de Cultura de Arroio Grande garantiu a execução de políticas públicas que viabilizassem recursos para a manutenção desses trabalhadores.

A secretária responsável pela pasta, Anelize Carriconde, ressalta em entrevista as ações que foram desenvolvidas ao longo desse ano no município. Ativista cultural e com uma trajetória envolvida com a causa, ela assumiu a Secretaria Municipal de Cultura ainda na gestão anterior, com o objetivo de pluralizar o cenário cultural arroio-grandense.

Para isso, busca colocar em prática sua experiência política e de gestão. Ao recordar o início do trabalho, a secretaria destaca que um dos pontos iniciais das ações foi voltado para transformar a visão em relação aos movimentos culturais mais latentes no município, como o Carnaval e o Acampamento Farroupilha.

De acordo com Anelize, essa mudança de visão diz respeito a não resumir esses movimentos somente aos eventos, mas sim buscar as mais diversas manifestações que os cercam.

Ela relata que o cenário pandêmico foi um grande desafio. No entanto, o período facilitou o diálogo no sentido de reorganizar e promover os rumos da cultura no município, sendo realizada, ao longo desse ano, as pré-conferências que culminaram com a Conferência Municipal de Cultura, reunindo diversos agentes culturais dos mais variados segmentos.

Um dos pontos evidenciados durante a conferência, de acordo com a secretária, foi a falta de formação de produtores para gerenciar e profissionalizar as áreas culturais. Baseada nessa necessidade, a secretaria já busca ações que viabilizem a formação de técnicos, diretores de palco e demais profissionais. 

Anelize considera que, durante a pandemia, a Lei Aldir Blanc foi um divisor de águas, o que exigiu uma estruturação da Secretaria no sentido de aplicar os recursos oriundos da lei em sua totalidade, missão concluída com êxito através dos projetos e editais lançados no município.

Dessa forma, a equipe de trabalho se empenhou em captar recursos, sempre garantindo a diversidade cultural, um dos fundamentos do trabalho implementado pela gestão. “Acredito que os artistas devem ser reconhecidos, acima de tudo, como trabalhadores. Para isso, é fundamental defendermos o fortalecimento das entidades, buscando a manutenção da cultura em movimento em suas mais diversas manifestações”, afirma Anelize.

Além dos recursos oriundos da lei, o município proporcionou o fomento de R$ 60 mil, com recursos próprios, que foram destinados para a realização de diversos projetos culturais através de editais, e ainda receberá R$ 30 mil do Estado, e mais R$ 15 mil em contrapartida do município para edital que será lançado na Feira do Livro.

A participação em editais foi uma prática nova para os artistas. Para isso, a equipe da Secretaria de Cultura buscou dar o suporte e orientação necessária para os trabalhadores terem acesso aos recursos, sendo criado o Cadastro dos Trabalhadores da Cultura, que busca mapear os profissionais e os segmentos culturais no município. Tal organização reflete-se na facilidade ao acesso aos recursos da esfera Estadual.

Mesmo sendo uma Secretaria de pequeno porte, o trabalho efetivo consegue estabelecer boas parcerias, buscando a criação de ambientes para o crescimento dos movimentos, com destaque para a programação recentemente realizada da Semana da Consciência Negra e ações que envolvem a comunidade LGBTQIA+, que se organizam independente de questões políticas.

A Secretaria também buscou investimentos estruturais nos espaços físicos utilizados para ações culturais, como no caso do Centro de Cultura Basílio Conceição, Museu Municipal e Biblioteca Pública. As ações são sempre realizadas baseadas nas demandas da classe artística. 

“Precisamos crescer e evoluir, mas queremos fazer isso juntos, com planejamento e organização da sociedade civil buscando a inserção e a ocupação dos espaços”, declara Anelize.

Um dos assuntos pautados pela titular da Cultura foi o cancelamento dos desfiles e do concurso das escolas de samba para o Carnaval de 2022. A decisão, tomada junto aos órgãos de saúde e agremiações carnavalescas, está baseada na insegurança sanitária e pela falta de tempo hábil para a organização das Escolas de Samba.

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