As chuvas ocorridas na região na terceira semana de janeiro, que oscilaram entre 5 e 90 milímetros (mm), ainda foram insuficientes para amenizar os efeitos da estiagem na maioria das culturas. De acordo com o informativo semanal da Emater/RS-Ascar, ocorreram temperaturas muito elevadas e umidade relativa do ar muito baixa durante o dia. Os dias quentes, principalmente à tarde, com ventos fortes causam grande evaporação da umidade dos solos, das plantas e também dos reservatórios.
Até o fechamento desta edição, oito municípios haviam decretado emergência, com decretos já publicados, Arroio Grande, Canguçu, Herval, Jaguarão, Pedras Altas, Pinheiro Machado, Rio Grande e Tavares. Vários outros realizavam levantamentos e coletas de informações para publicação dos seus decretos. As prefeituras aumentaram o abastecimento emergencial de água potável a famílias com caminhões-tanque ou adaptados. Temperaturas máximas chegam a 40ºC em alguns municípios.
A barragem Santa Bárbara, no município de Pelotas estava com 1,2 m abaixo do nível normal e a do Chasqueiro, em Arroio Grande, estava com 53,6% da capacidade, ou seja, com 3,34 m abaixo da cota máxima. Os níveis das lagoas também estão muito abaixo do normal, causando transtornos para a irrigação das lavouras de arroz, que utilizam estas águas e para o abastecimento de algumas localidades urbanas do município de Pelotas.
Além disso, os níveis de salinidade das águas estão elevados, pela entrada de água do mar.
A cultura da soja sofre os efeitos das altas temperaturas, ventos fortes e baixa umidade do ar, especialmente nos municípios de Herval, Arroio Grande, Rio Grande, Pedras Altas e Pinheiro Machado. As lavouras implantadas mais cedo, que estão no período de floração e enchimento de vagens, têm sua produção prejudicada e as lavouras tardias, têm menor desenvolvimento das plantas pela falta de umidade no solo. O resultado deve ser redução de produção, caso não ocorram precipitações mais significativas e/ou mais frequentes.
As lavouras mais ao norte da região, como Canguçu, São Lourenço do Sul, Turuçu, Pelotas e Arroio do Padre, ao contrário, estão em estado muito bom, sem a estimativa de perdas, ou ainda muito pequenas, na produtividade. A cultura se encontra dividida entre as fases de floração e desenvolvimento vegetativo. Uma pequena parcela está em enchimento de grãos.
Alguns municípios retomaram o plantio da cultura do milho após as chuvas ocorridas na última semana. As lavouras em floração foram beneficiadas com a chuva, apesar da expectativa de redução na produtividade, pelo baixo desenvolvimento das plantas. A área estimada para plantio era de 54.535 hectares de milho para grãos e 15.975 hectares de milho para silagem, sendo que foram plantados 91%. Alguns municípios concluíram o plantio da área planejada como Arroio Grande, Piratini, Santana da Boa Vista, São José do Norte e Capão do Leão.
O milho semeado está com 47% das lavouras na fase de desenvolvimento vegetativo, 30% em florescimento, 17% em enchimento de grãos, 2% maduro e 4% colhido. Apenas São Lourenço do Sul informou milho colhido. As lavouras estão com bom estande de plantas, limpas e sem a presença de pragas e doenças significativas.
A cultura do arroz é a mais beneficiada pelo clima quente e seco, que contribui muito para a boa sanidade e desenvolvimento das plantas. No entanto, o calor excessivo deste período, em alguns horários, pode ter prejudicado algumas lavouras em floração.
A grande preocupação dos produtores continua sendo os níveis dos reservatórios de água, que diminuem rapidamente, inclusive as lagoas, especialmente a Mirim, o que leva os agricultores a aumentarem os cuidados com o manejo da água para minimizar desperdícios. Há preocupação ainda com o índice de salinização da Lagoa dos Patos e alguns afluentes que são utilizados para irrigação, pois o baixo nível da lagoa tem elevado o índice de sal da água.
Algumas lavouras já estão na fase de floração ou diferenciação da panícula e continua a aplicação de adubação nitrogenada e irrigação, com as plantas com bom desenvolvimento e sem relatos de problemas fitossanitários.
A cultura do feijão é produzida basicamente para o autoconsumo e comércio do excedente no mercado local, portanto, são pequenas lavouras e com plantio bastante escalonado. As que foram implantadas mais cedo, muitas já colhidas, foram prejudicadas em algumas localidades onde houve menos chuvas e outras tiveram produção normal.
As lavouras mais tardias, atingidas pela estiagem no seu desenvolvimento e floração, estão na sua maioria em enchimento de grãos neste momento, beneficiadas pelas chuvas deste período, tem perdas significativas pela queda de flores e vagens nos períodos anteriores. Algumas áreas continuarão sendo plantadas após as chuvas, mas 43% já foram colhidas, 21% estão maduras e prontas para colheita, 23% em granação e enchimento de grãos, 9% em floração e 4% em desenvolvimento vegetativo.
Foi semeada 85% da área de intenção de cultivo na região, com plantio concluído em Arroio do Padre, Arroio Grande, Cerrito, Pedras Altas, Pelotas, Piratini, Santana da Boa Vista, São José do Norte, São Lourenço do Sul e Tavares.
A produção de hortaliças não possui impactos imediatos pela estiagem já que possui irrigação. Em algumas localidades, os níveis dos reservatórios de água preocupam. O abastecimento de hortaliças nos mercados da região segue normal, tanto em quantidade como em qualidade, com oscilações de abastecimento dentro da sazonalidade normal da época.
As lavouras de abóbora japonesa foram bastante prejudicadas, principalmente nos municípios onde a cultura é mais expressiva, Herval e Arroio Grande. A produtividade é bastante baixa, em torno de 4 toneladas por hectare. As lavouras de outras cultivares ainda estão em plantio, prejudicado pela falta de umidade nos solos. Estima-se que 80% da área já tenha sido plantada.
Nas oliveiras, a estiagem tem causado uma redução na velocidade de desenvolvimento dos frutos devido à grande demanda por água para atender as altas taxas de transpiração das plantas nestes períodos quentes. Os pomares continuam sem problemas fitossanitários significativos e, na região, estão com o solo coberto com as plantas de cobertura espontânea ou semeada, com aplicação de herbicidas e retirada dos animais em pastoreio nos pomares.
O tabaco está em plena colheita das folhas maduras, secagem, armazenamento, classificação e transporte. Por ser uma planta com mais tolerância à deficiência de umidade no solo, produtores relatam um bom rendimento, tanto em peso como qualidade e expectativa de boa produção.
Na pecuária, tanto de corte quanto de leite, há preocupação com o nível dos reservatórios para dessedentação dos rebanhos. As pastagens anuais de verão estão com emergência e desenvolvimento lento devido à baixa umidade do solo. As pastagens nativas e cultivadas têm perda na qualidade em função da pouca umidade no solo. A expectativa é de que o quadro melhore com as últimas chuvas.
A seca prejudica a atividade leiteira, principalmente com relação à produção de comida e também pelo estresse causado aos animais pelas altas temperaturas, o que deve acarretar em perdas no futuro.
O preço do leite teve forte queda, o que deixa os produtores insatisfeitos. Herval e Pedras Altas relatam redução na produção de 40% e Jaguarão, Rio Grande e Morro Redondo de 50%.
Confira a estimativa de perdas na região




