Arroio de Padre: Com tecnificação, produção leiteira se constitui como alternativa ao tabaco

Éder Roni Schneid conseguiu se libertar da monocultura do tabaco, há três safras, e está apostando no leite como o carro-chefe da sua atividade, ao lado da esposa Adriana e dos filhos Roger e Matias. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

A produção leiteira contribui em torno de 15% no Produto Interno Bruto (PIB) de Arroio do Padre e é responsável por girar a economia, já que a maioria dos insumos são comprados no próprio município e cada litro de leite negociado tem que obrigatoriamente emitir nota fiscal, garante o extensionista da Emater, Cristian Vergara.

Mesmo com uma redução no número de produtores, que já chegou a 100 há cerca de cinco anos e hoje está em torno de 52, a produtividade média de 15 litros por animal ao dia vem sendo ampliada, com a tecnificação cada vez maior da propriedade. “A tecnificação vem para reduzir e facilitar o trabalho do produtor”, salienta Vergara.

E tecnificação é a palavra de ordem na pequena propriedade da família Schneid, localizada na Colônia Cerrito, interior de Arroio do Padre. Éder Roni Schneid é um exemplo bem sucedido de produtor que conseguiu se libertar da monocultura do tabaco, há três safras, e está apostando no leite como o carro-chefe da sua atividade. Ao lado da esposa Adriana e dos filhos Roger e Matias, com dedicação e boa vontade, ele garante estar alcançando muitas conquistas e qualidade de vida. “Plantei fumo entre os anos de 2006 e 2019 e, gradativamente, fomos diminuindo e aumentando o leite”, lembra.

Nesta área, a aposta começou em 2005, com ao menos cinco vacas das raças Jersey e Holandesa. Hoje são 29 animais, entre novilhas e vacas. Desse número, 20 estão em produção e há a intenção de chegar a 30. A produção, entregue para a Coopar/Pomerano de São Lourenço do Sul, é de 800 litros a cada dois dias, uma média de 400 litros por dia, índice considerado excelente para esta época de entressafra, garante o extensionista, que destaca a dedicação e o interesse do produtor em conhecer e aplicar as tecnologias colocadas à disposição pela assistência técnica.

Tecnificação substituiu a ordenha de balde ao pé, o que reduz o contato humano com o produto final, que é armazenado em resfriadores à espera do caminhão da indústria. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

A sala de ordenha com sistema canalizado é simples, mas funcional. O local já reflete o avanço da atividade, que substituiu a ordenha de balde ao pé, o que reduz o contato humano com o produto final, que é armazenado em resfriadores à espera do caminhão da indústria. O material é recolhido a cada dois dias.

O trabalho com os animais, que são criados soltos em pastagens perenes e cultivadas, segue o ritmo de duas ordenhas diárias, às 6h e às 18h. E é neste momento que se observa a dedicação de toda a família, desde o preparo dos animais para a ordenha até a higienização e limpeza da leitaria.

“Uma prova de que ele está no caminho certo é a remuneração obtida pela propriedade, entre R$ 2 e R$ 2,20 o litro, já que é remunerado tanto pela quantidade quanto pela qualidade do produto”, diz Vergara, ressaltando que é um preço conquistado pela propriedade.

A produção é entregue para a cooperativa Coopar/Pomerano e gira em torno de 800 litros a cada dois dias. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Segundo o técnico, o maior problema durante os meses de verão não foi a estiagem, mas o calor, que seca as pastagens e causa estresse térmico nos animais. Também provocou a queda de produtividade na cultura do milho grão e silagem.

“Como a silagem é feita de um ano para outro, vamos sentir o efeito da baixa qualidade da silagem no ano que vem e seguramente a alimentação precisará ser complementada com ração, que é feita de milho grão mais proteína”, ressalta o extensionista.

“O sistema de manejo é fundamental para atingir os objetivos do produtor no que se refere ao custo-benefício”, diz o técnico. Ele salienta ainda, a parceria da Prefeitura, que através do programa Avançar, permite ao produtor investir em hortas, estufas e também no fomento à atividade leiteira.

Outras atividades
A produção agropecuária de Arroio do Padre vai muito além das tradicionais culturas do caqui e da maçã, destaca Vergara. “Além destas temos outras frutícolas, como o pêssego, a pitaya, os citros, ameixa e goiaba”.

Segundo ele, a produção de olerícolas abrange aproximadamente 70 hectares, sendo que cerca de 70 agricultores desenvolvem esta atividade no município e, destes, dez são produtores orgânicos. Além disso, existem produtores em transição, que não utilizam agrotóxicos, mas ainda mantêm os adubos químicos.

Na bovinocultura de leite, hoje a atividade é desenvolvida por 52 produtores e conta com um rebanho de 896 animais, das raças Jersey e Holandês. Outra atividade em expansão no município, como em todo o estado, é a cultura da soja, que já ultrapassa os 600 hectares. “Para um município pequeno, esta área é bem expressiva”, ressaltou.

A cultura do milho, tradicionalmente cultivada no município, também se encontra em expansão pela valorização do grão e a segurança alimentar que o cereal oferece.

Atualmente, a área de cultivo fica em torno de 700 hectares, incluindo aquelas implantadas após a cultura do tabaco. Esta última abrange cerca de 1,2 mil hectares cultivados no município. A atividade ainda é muito expressiva e se constitui na maior fatia do Produto Interno Bruto (PIB) do município. “Como podemos observar, há inúmeras atividades exploradas no município, e esta diversificação propicia aos produtores vislumbrarem novas potencialidades e possibilidades”, finaliza.