
No início de junho operadores do turismo de toda a Costa Doce Gaúcha se reuniram em Pelotas para discutir o setor e suas oportunidades. Após três dias de encontros os participantes saíram com uma certeza: investir em turismo é bom negócio. Os dados do Sebrae mostram que, atualmente, mais de 250 pequenos negócios estão envolvidos com atividades ligadas ao turismo na Zona Sul, gerando aproximadamente mil empregos diretos e um número muito maior de postos de trabalho indiretos.
“O turismo representa, hoje, 4% do PIB gaúcho e o cenário é de crescimento. Dentro deste contexto tem sido cada vez maior a adesão de empreendimentos ao roteiro Costa Doce Gaúcha. Nós temos o envolvimento de pequenas empresas acreditando no turismo e novos negócios chegando também”, disse a gestora de projetos do Sebrae-RS, Jussara Argoud.
De com Jussara a região está vencendo a desconfiança com a capacidade do setor em gerar bons negócios. “Há uns anos atrás, quando eu comecei esse trabalho, não era assim. A gente tinha que forçar a barra para ser recebido para falar sobre turismo. As pessoas não entendiam o turismo como um setor de desenvolvimento econômico, e hoje elas já estão entendendo isso.”

Uma das pessoas que entendeu isso e, hoje, colhe bons frutos, é a empreendedora Ecléia Kruger dos Santos, proprietária da Casa da Figueira, em Arroio do Padre, que transformou o sítio da família em um restaurante especializado em café colonial. Atualmente aproximadamente 200 visitantes passam pelo local a cada final de semana atraídos pelas receitas caseiras e típicas da região de colonização pomerana.
“Quando a gente abriu tínhamos um pouco de medo, um pouco de receio e foi surpreendente. Foi tudo muito rápido. Quando a gente menos percebeu a gente estava lotando aos finais de semana. Então, a gente vê que tem também um reconhecimento dos visitantes pela nossa região”, afirmou.
Setor de hospedagem ganha cada vez mais força no interior
Conforme o Data Sebrae atualmente nos municípios da região Pelotas estão instalados 164 empreendimentos de hospedagem e hotelaria que geram 811 empregos diretos e representam uma massa salarial de R$ 1,4 milhão por mês. No interior de Pelotas, por exemplo, Jedison Vargas Iacks mantém desde 2021 a Pousada Santa Eulália. O negócio, montado na propriedade da família, surgiu como alternativa de renda durante o período da pandemia de Covid-19 e hoje está expansão. O empreendedor estuda a construção de uma terceira cabana para locação nos finais de semana, destinada para casais.
“A Costa Doce intensificou mais o turismo na nossa região. Antigamente, parecia que não se dava tanta importância para a nossa região. A organização do roteiro melhorou muito e evoluímos nessa parte do turismo e isso contribuiu para o pessoal investir mais”, afirmou.
Atualmente o negócio gera até dez postos de trabalhos indiretos.
Cenário anima novos empreendedores
A existência de uma política de exploração do turismo regional definida a partir do trabalho do Sebrae e o fortalecimento da marca Costa Doce Gaúcha, aliadas à promoção de roteiros regionais como a Serra dos Tapes, geram um ambiente de negócios atraente, que seduz novos empreendedores.

É o caso de Michelle Nunes, proprietária de uma rede de lojas, com filiais no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que escolheu o interior de Morro Redondo para instalar o Castelo Bonilla, um hotel com 16 acomodações e capacidade para sediar eventos de até 450 pessoas. O projeto prevê um ambiente requintado equipado com piscinas, biblioteca –
com mais de dois mil volumes – e, até uma taberna.
“Escolhemos Morro Redondo porque une o que pensávamos em termos de paisagem e, também, porque existe esse trabalho no turismo, que é o Morro de Amores, então tudo fica mais fácil”, afirmou.



