
Sob a condução do presidente Ronaldo Madruga (PP), prefeito de Pinheiro Machado, a Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) realizou uma reunião, na tarde de terça-feira (15), no prédio da Alfândega, em Rio Grande, aproveitando a programação do Festival do Mar (Festimar). Com foco na defesa dos interesses municipalistas, a gestão da entidade priorizou o debate sobre os gargalos diários das administrações, com destaque para as áreas de finanças, saúde, educação e habitação.
A situação alarmante da área da saúde na região foi o ponto central das discussões. Diante de um cenário alarmante, com mais de 70 mil pessoas aguardando consultas, os prefeitos denunciaram a sobrecarga financeira imposta aos municípios, que têm arcado com a maior parte dos atendimentos sem o devido suporte dos demais entes federados. Madruga e outros gestores atribuíram a crise à falta de repasses do governo estadual, que, segundo eles, deixou de investir mais de R$ 2 bilhões em 2024 e cerca de R$ 1,3 bilhão em 2023, conforme análise do Tribunal de Contas do Estado (TCE). A Azonasul agendou um workshop técnico para debater resoluções da Comissão Intergestores Regional (CIR) e da Comissão Intergestores Bipartite Estadual (CIBE) sobre a distribuição de recursos.
Outras pautas importantes foram debatidas, como a necessidade de um diagnóstico local sobre a evasão escolar e a perda de alunos na rede pública, visando a elaboração de um pedido conjunto para a uniformização das legislações municipais sobre o tema. No âmbito da saúde, o presidente da associação questionou a aprovação das contas dos demais entes federados, mesmo quando descumprem os índices constitucionais de investimento na área, enquanto os municípios são rigorosamente cobrados. A indignação dos prefeitos resultará em reuniões formais com o Ministério da Saúde e o governo estadual para tratar dos desequilíbrios na pactuação federativa.
A ampliação das referências em traumatologia na região, que possui mais de cinco mil pacientes em espera, também foi pauta. Madruga informou ter dialogado com o reitor da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), José Carlos Bachettini Júnior, sobre a possibilidade de o Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP) se tornar uma nova referência, buscando recursos estaduais, federais e da bancada gaúcha para melhorias nos equipamentos. A Azonasul aprovou a formulação de um documento regional solicitando a imediata habilitação de novos serviços nos hospitais com processos parados, desde que em conformidade com a Rede Assistir e as exigências da Coordenadoria Regional de Saúde.
Durante o encontro, o deputado federal Alexandre Lindenmeyer (PT) apresentou a pauta da ferrovia e a prefeita de Rio Grande, Darlene Pereira (PT), obteve apoio unânime para a inclusão prioritária das obras do Lote 4 da BR-392 no novo Projeto de Aceleração do Crescimento (PAC).
O próximo encontro da Azonasul já está marcado para o dia 6 de maio, em Pelotas, onde prefeitos e gestores da saúde da região se reunirão para uma mobilização sob o tema “Saúde em jogo: como pode as resoluções da CIB e CIR podem salvar – ou afundar – seu orçamento municipal”, dada a crítica situação da saúde pública regional.



