Outono começa com variação de temperaturas e previsão de El Niño

Outono deve iniciar com temperaturas mais elevadas do que a histórica. (Foto: Divulgação)

O outono começou oficialmente na última sexta-feira (20) e já dá sinais de como devem ser as próximas semanas na Zona Sul do Estado, com grande variação de temperaturas, oscilação entre dias quentes e frescos, além do aumento gradual das chuvas ao longo da estação. O principal fator que pode influenciar o clima é o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, indicando a formação do fenômeno El Niño, mesmo ainda em fase de transição, ele já começa a impactar o tempo no Estado, de acordo com a meteorologista Estael Sias, da Metsul.

Na primeira metade da estação a tendência é de temperaturas acima da média, com períodos de calor e sensação de abafamento, especialmente em dias de maior umidade. Apesar disso, o outono é caracterizado como uma estação de transição, o que favorece mudanças rápidas nas condições do tempo. Os períodos de frio devem ser rápidos e sem persistência. Na Zona Sul, municípios como Pelotas, Rio Grande, Canguçu e São Lourenço do Sul devem sentir ainda mais variabilidade pela proximidade com o Uruguai e a Lagoa dos Patos. Em relação às chuvas, a previsão indica um aumento mais significativo na segunda metade do outono, em maio. Para as próximas semanas, no entanto, o cenário ainda é de alternância em dias de sol intercalados com pancadas de chuva curtas.

Mudanças climáticas

Segundo Estael, fenômeno naturais típicos como nevoeiros e cerração estarão presente na temporada. As frentes frias – zonas de transição entre o ar quente e o ar frio – tendem a avançar mais lentamente, favorecendo períodos com maior volume de precipitação. Esse contraste aumenta a possibilidade de eventos isolados, como temporais, rajadas de vento e até a formação de ciclones extratropicais.

“O que a gente enxerga para o outono é o risco de extremos. A gente está falando de um ano de El Niño. A gente já sabe que o Rio Grande do Sul vai ter mais chuva, mais alagamentos, alguma situação de enchente inevitavelmente com chuva mais volumosa vai acontecer. Todo mundo na medida do possível deve tentar se preparar, seja órgãos públicos ou a própria população para esse possível desafio. São muitas coisas que eu daria para o ano de 2026 no geral, passamos por uma grande enchente em 2024, acredito que importantes lições foram tiradas disso”, explica a meteorologista.

A especialista afirma que no outono há possibilidade de mudanças bruscas na direção do vento, além da ressurgência em lagos e rios que trazem correntes de águas mais frias ou mais quentes, mudando a salinidade e afetando a pesca. “Em relação ao setor agrícola a preocupação maior é com a logística, com o escoamento da safra, porque sabemos que as nossas estradas em dias de tempo seco já são difíceis, em situações de chuva persistente, o barro, a lama, os buracos, acabam sendo mais um custo para o produtor, justamente nessa fase de transporte das mercadorias”, diz.

Estael reforça ainda a recomendação de acompanhar previsões de fontes oficiais e profissionais, alertando para o risco de informações falsas.