Um artigo publicado no mês de março na revista Ciência & Saúde Coletiva sobre trabalho remoto e dores nas costas durante a pandemia da Covid-19, revela que cerca de um em quatro trabalhadores remotos reportou que sentiu dores nas costas durante o período de pandemia. Os resultados são oriundos de dados de pesquisa realizada pelo professor Samuel Carvalho Dumith pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), nas cidades de Rio Grande e com colaboração dos professores Antônio Augusto Schäfer, de Criciúma (SC) e Fernanda de Oliveira Meller.
A publicação circula no Brasil e no mundo, sendo traduzida em vários idiomas. O objetivo da pesquisa foi investigar a associação entre trabalho remoto e dores nas costas durante a pandemia da Covid-19 e analisar essa relação com o Índice de Massa Corporal (IMC).
Foram entrevistadas 2.170 pessoas com idades entre 18 e 93 anos. Os entrevistados foram questionados sobre a intensidade da dor sentida antes e durante a pandemia.

A professora da Faculdade Anhanguera do Rio Grande, do curso de Fisioterapia, doutora Elizabet Saes da Silva, foi uma das autoras do artigo e participou intensamente deste trabalho. “Os homens sentiram mais dor na região cervical, enquanto as mulheres sentiram mais dor na região lombar”, explica a professora, reforçando a importância de intervalos a cada meia hora de trabalho remoto. “É essencial o trabalhador fazer essa pausa, fazer alongamento, levantar, caminhar um pouco e, depois, seguir seu trabalho”, afirmou.
Dos entrevistados, o resultado estatisticamente significativo foi o seguinte: num total de 7,7%, o Intervalo de Confiança (IC) chegou a 95% variando entre – 6,6 a 8,9%, dos indivíduos que trabalharam remotamente durante o período de confinamento. A prevalência de dor nas costas neste grupo foi de 25,6% (IC de 95% variando entre – 19,5 a 31,7%).
Na região cervical, o total foi de 11% (IC de 95% variando entre – 5 a 16,5%), enquanto nas regiões torácica o total foi de 8,9% (IC foi de 95% – variando entre 3,0 a 14, 9%) e na região lombar o total foi de 26,8% (IC foi de 95% – variando entre 17,1 a 36,4%).
O estudo também mostra que indivíduos que trabalharam remotamente durante a pandemia de Covid-19 tiveram maior probabilidade de sentir dor aguda na região cervical, e dor crônica na parte inferior das costas, além de dores mais intensas, observadas em indivíduos com sobrepeso/obesidade quando comparados aos indivíduos que apresentavam IMC normal. No entanto, observou-se que aqueles com IMC normal apresentaram dor aguda na região torácica.
De acordo com Elizabet, a exposição a ambientes ergonomicamente inadequados e com maior carga horária de trabalho pode ter impactado negativamente nas dores nas costas durante a pandemia. “Por isso, é muito importante que autoridades governamentais, implantem ações para o manejo da dor nessa população, com orientações ergonômicas, físicas e psicológicas, sendo que a prevenção de dores nas costas entre a população produtiva é a melhor maneira de reduzir deficiências de dores nas costas neste grupo. É, também, a melhor maneira de reduzir deficiências e custos adicionais para a saúde pública”, finalizou.




