Um aumento nos casos de Covid-19 tem sido registrado em Pelotas e municípios da região ao longo dos últimos dias. Dentre as principais causas para a nova onda estão as festividades de final de ano e a baixa procura pelo imunizante.
Segundo Cintia Pereira, titular da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (3ª CRS), a queda na procura pela vacinação no Sul do estado é a maior do território gaúcho.
Ela ressalta que há uma baixa adesão à imunização, principalmente em Pelotas, que ocorre mesmo com a variação de pontos de vacinação e horário estendido para aplicação. “As pessoas não estão buscando se vacinar, não somente [contra] a Covid, mas todas as vacinas do calendário vacinal do Ministério da Saúde”, aponta.
Ainda conforme Cintia, a 3ª CRS possui o índice mais baixo do estado em vacinação, uma vez que Pelotas, por ser o município mais populoso da abrangência, acaba reduzindo as taxas gerais. “Mas Pelotas já fez várias campanhas, vem fazendo campanhas, vem estendendo o horário, abriu outros locais para vacinação…enfim, locais têm, horário estendido tem, vacina tem, as pessoas não estão buscando se vacinar”, disse.
A coordenadora comenta que cada município possui autonomia para definir a faixa etária de vacinação com base na quantidade de doses que sobram quando o público de referência não procura pelo imunizante, mesmo que a orientação geral do Ministério seja para pessoas acima de 40 anos. Também não há registro de falta de repasse dos imunizantes para os municípios por parte da Saúde.
Autoridades de Saúde têm salientado a necessidade da procura pela vacinação, bem como no uso de máscara, principalmente nos locais relacionados à saúde. Também está sendo reforçada a necessidade de teste e isolamento para pessoas com sintomas gripais, o que não tem acontecido, como aponta Cintia. “Estão achando que é gripe, que são infecções normais, e não são”, alerta. Para o próximo ano, no entanto, a 3ª Coordenadoria deve estabelecer um trabalho focado em cada município, priorizando a conclusão do esquema vacinal ao invés da ampliação da faixa etária, buscando reduzir a baixa cobertura.
Além do aumento de casos de infecção por coronavírus, Cintia comenta os registros de pacientes que acabam contraindo outras doenças além da Covid, como reflexo da baixa cobertura vacinal. “A gente está com caso de coinfecção, pessoas estão infectadas com o vírus da Covid e também tão se infectando com H1N1 ou H3N2, então isso também está bem preocupante”, alerta. A cobertura vacinal contra a Hepatite A e a Febre Amarela, por exemplo, está abaixo dos 50%, com 48,38% e 40,45%, respectivamente.
Em Pelotas, conforme a Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), foram registrados 2.531 novos casos de infecção por coronavírus no município entre os dias 22 de novembro e 22 de dezembro. Considerando os 30 dias anteriores, onde foram contabilizados 310 casos no total, a alta da Covid-19 no município no final de 2022 já ultrapassa os 700%.
Ainda não há indícios de que protocolos mais restritivos devam ser utilizados no município, como informa a Assessoria de Comunicação por meio de nota. “Diante do cenário apresentado, as recomendações de proteção seguem as mesmas, como a utilização de máscara, principalmente para pessoas com comorbidades e indivíduos sem imunização, e a complementação do esquema vacinal (serviço disponível em mais de 50 pontos de vacinação)”, indica.
Assim como a 3ª coordenadoria, a pasta da Saúde também ressalta a existência das campanhas e pontos de vacinação para ampliar a cobertura vacinal. “O Município destaca ainda que tem investido em campanhas de incentivo à vacinação durante todo o ano, como a aplicação itinerante no Trailer da Vacina, a disponibilização das doses em pontos estratégicos, como o Mercado Central, e a realização de eventos direcionados à imunização, como a Festa da Vacina realizada em outubro deste ano”, aponta.
De acordo com a atualização de quarta-feira do painel Imunização Covid-19 RS da Secretaria Estadual da Saúde (SES), apenas as faixas etárias entre 60 e 69 e 70 e 79 anos estão com 90% ou mais do esquema vacinal completo. Entre os mais jovens, a taxa de imunização cai significativamente. Apenas 46% dos pelotenses com idades entre 18 e 29 anos estão com o esquema completo. O índice é ainda menor em adolescentes de 12 a 17 aptos a receber o imunizante. Nesta faixa, apenas 17% da população completou a vacinação disponível.
Os dados da SES levam em conta as doses disponíveis para cada faixa etária, ou seja, o esquema vacinal completo dos adolescentes considera as três doses liberadas.
Em Rio Grande a situação alarmante se repete. Segundo Zelionara Pereira Branco, secretária da Saúde do município, o aumento visto nos últimos dias teve início ainda em novembro. “Ali pelo dia 20 de novembro começou a haver um aumento nos registros, e de lá para cá a gente vem tendo um aumento significativo a cada semana”. Ela ressalta que, ainda que nos últimos dias os casos tenham apresentado uma nova redução, o aumento já causou mais internações e óbitos em Rio Grande. “A gente já observou, nessa última semana, uma redução dos casos novos, e uma redução da taxa de transmissão, mas nesse período do 20 de novembro pra cá nós tivemos aumento de casos, aumento nas internações, tivemos óbitos, então nós já sentimos o impacto dessa nova onda que a região tá sofrendo”.
Considerando os 30 dias anteriores ao dia 23 de dezembro, a Vigilância Epidemiológica do Rio Grande contabilizou 848 novos casos da Covid-19, mas com o alerta de que autotestes feitos pelos cidadãos por vezes acabam não entrando nesta conta, podendo provocar um número real ainda maior.
A cobertura vacinal também está abaixo do esperado, apenas 38,4% da população acima de 18 anos está imunizada com as quatro doses. Os adolescentes com as três doses representam apenas 32,9%, enquanto as crianças entre 3 a 11 anos com segunda dose ou dose única são 55,6%.
O município segue com pontos de vacinação com horário estendido e campanhas de conscientização sobre a vacinação. O uso de máscara também segue obrigatório em locais de atendimento à saúde, determinação que nunca foi excluída do decreto de Rio Grande.
A 3ª CRS abrange os municípios de Amaral Ferrador, Arroio do Padre, Arroio Grande, Canguçu, Capão do Leão, Cerrito, Chuí, Herval, Jaguarão, Morro Redondo, Pedras Altas, Pedro Osório, Pelotas, Pinheiro Machado, Piratini, Rio Grande, Santa Vitória do Palmar, Santana da Boa Vista, São José do Norte, São Lourenço do Sul e Turuçu.




