Florestas plantadas podem sequestrar até 23 toneladas de CO2 por hectare ocupado com a pecuária

Pecuária leiteira e de corte tem importância significativa nas atividades produtivas. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

A Associação Gaúcha de Florestadores (Agaflor) promoveu nesta sexta-feira (7) dentro da programação da Conferência Rural da 96ª Expofeira de Pelotas a 11ª edição do Seminários Agaflor/Ageflor sobre florestas plantadas no RS. O evento reuniu produtores rurais, pesquisadores, representantes de entidades de classe, órgãos governamentais e empresas ligadas ao setor e apresentou um panorama das oportunidades de mercado e dos benefícios da integração da pecuária com as florestas.

O presidente da Agaflor, Paulo Benemann destaca que a integração da pecuária com as florestas gera a possibilidade de agregar valor à produção a partir da compensação do metano emitido pelo rebanho para a atmosfera garantindo a possibilidade de certificação da carne com o selo carbono neutro, que abre as portas para mercados preocupados com a sustentabilidade ambiental. O conforto do gado com o controle de temperatura e a possibilidade de se ter uma pastagem mais qualificada, mais macia e úmida com a sombra gerada pelas árvores são outros pontos positivos.

As vantagens do consórcio pecuária-floresta foram ratificadas pelo pesquisador da Embrapa Gado de Corte Mato Grosso do Sul, Roberto Giolo de Almeida, responsável por apresentar uma palestra específica sobre o tema. As pesquisas feitas por Giolo apontam que o sistema integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF) tem potencial para sequestrar até 23 toneladas de CO2 por hectare, isso é 20 vezes mais que o consórcio lavoura-pecuária. Outra vantagem, segundo Giolo é permitir pastos de qualidade todo o ano, inclusive nas épocas de estiagem.

A negociação de créditos de carbono deve injetar bilhões de dólares na economia brasileira nos próximos anos. Conforme relatório da empresa de consultoria WayCarbon divulgado recentemente a estimativa aponta que o potencial de receitas com créditos de carbono nos setores do agronegócio pode chegar a US$ 100 bilhões.

“O carbono é a salvação da lavoura, da pecuária e do Brasil”, diz Giolo.

Mercado aberto na Europa

Apresentar aos produtores o cenário atual das oportunidades de mercado externo para a madeira brasileira foi o objetivo da palestra da diretora da Connexion Exports, Fernanda Hackbarth. A empresa está desde 2002 no ramo de exportação e importação de produtos florestais, madeira e móveis e tem atuação em 38 países. No Brasil, a companhia responde por 65% das exportações destes produtos.

A executiva destacou as oportunidades surgidas na Europa a partir da guerra na Ucrânia e as sanções à compra de madeira russa. “As sanções inviabilizaram as vendas e causaram a perda de certificações, com isso a madeira russa foi para a China e reduziu a venda brasileira para a China, mas por outro lado abriu a oportunidade de mercado na Europa para o Brasil por pelo menos três ou quatro anos”, diz.

Esta janela pode ser ampliada, conforme Fernanda, para um ciclo de sete até 14 anos se for levada em consideração a dependência estrutural dos países da Península Ibérica – Portugal e Espanha – da importação destas matérias-primas. “Logisticamente o Brasil está mais perto para abastecer estes mercados e isso justificaria investimentos em plantio”, afirma.