
Na manhã da última quinta-feira (4), a candidata a vice-governadora do Rio Grande do Sul, Nívea Rosa (Solidariedade), esteve em Pelotas. A vice, que faz parte da chapa do candidato a governador Roberto Argenta (PSC), teve a oportunidade de conversar com a redação do JTR e falar um pouco sobre os propósitos e objetivos que tem em mente caso sejam eleitos.
Nívea é servidora municipal, psicóloga, professora universitária e presidente estadual do partido Solidariedade. Ela vem da fronteira oeste, de Uruguaiana, mas já está há dois anos morando em Caxias, na região da serra. A vice conta que para o Estado, principalmente para a metade Sul, é preciso de um diagnóstico das necessidades de cada localidade e, por esse motivo, o governo terá seu gabinete móvel.
“Nós vamos fazer um trajeto para ouvir as pessoas, claro que vamos conversar com as autoridades, mas a gente vai ouvir principalmente a comunidade, porque lá a gente vai poder entender o que eles estão necessitando e precisando. Porque não adianta a gente apresentar um projeto de governo e não ter uma noção do macro”, enfatiza.
De acordo com a vice-candidata, a ação do gabinete móvel é uma forma de coletar informações mais precisas e, assim, poder aprimorar e discutir políticas sociais para as regiões das margens que ela enxerga que estão abandonadas. Por esse motivo, as pessoas acabam abandonando essas regiões em busca de melhor qualidade de vida, mas acabam vivendo em situações lamentáveis. “As pessoas estão saindo e inchando outros lugares dentro do Rio Grande do Sul. Aí é muito desemprego, muita violência, marginalização, pessoas morando na rua, porque não tem estrutura”, explica.
Outro aspecto de destaque em seus objetivos é a educação. Para Nívea, o estado precisa trabalhar em cima de mais escolas técnicas que ajudem os jovens a saírem do ensino médio com possibilidades, como a perspectiva de mercado de trabalho. “A gente não tem escola técnica mais, eu venho de uma região que tinha escola técnica que formava os jovens para o mercado de trabalho. Nossa proposta é essa geração de emprego a partir da educação. O emprego garante o presente, mas a educação garante o futuro. Então a gente precisa investir na educação de qualidade e pública.”
Ainda relata que falta política de investimentos para a região sul, sendo aquela mais produtiva do Estado. “O ideal é que a gente possa utilizar essa região produtiva, mas que tem que ser investida. O nosso estado é abrangente, a gente precisa resgatar a representatividade do RS. Esse é o principal objetivo, porque o RS é o estado que mais arrecada impostos. Por que tem região que estão abandonadas? A gente pode aproveitar muito mais, gerar emprego, renda e [fazer com que] as pessoas permaneçam na sua região. Por que eu vou sair de pelotas se Pelotas tem? Hoje, eu saio de Pelotas porque não tem aquilo para me oferecer”, exemplifica.
Nívea se vê uma pessoa descontente com a realidade de seu estado natal. Por esse motivo, sua vontade de cada vez mais ocupar espaços que lhe dão a possibilidade de transformar algo. Ela lembra sobre os impostos que, na maioria das vezes, não retornam para as pessoas em áreas como educação, saúde e segurança.
“É muito dinheiro desperdiçado, é muito imposto arrecadado e não investido, a população não recebe aquilo que gostaria de receber e, muitas vezes, se acomoda porque perde a esperança”, expõe.
A chapa que quer chegar até o Piratini entende que falar sobre propostas inclui colocar também a cultura em evidência. A vice-candidata pontua que existe uma facilidade para tratar da área cultural do RS, uma vez que se aborda as várias culturas presente no Brasil e no estado gaúcho. “A gente dá graças a Deus por que é um país em que a gente pode transitar em várias culturas, e isso é importante – que a gente possa utilizar aquilo que está na nossa região, aqui em Pelotas. Lá, a nossa colonização é Italiana, mas ali em Nova Petrópolis é alemã. O que a gente pode trazer lá de Nova Petrópolis que a nossa comunidade em Caxias pode aproveitar, um projeto que a gente pode utilizar. Isso é importante – a gente poder tá trocando a questão cultural”.
Nívea, além de tudo, entende a relevância de seu papel – uma mulher negra, mãe solo e da base. Não deixou de pontuar que seu lugar, hoje, além de vice, é ser representatividade, mostrar para outras mulheres que, mesmo exercendo em um cargo complexo, existem possibilidades. “A gente vem de uma luta, de um movimento, principalmente de um movimento comunitário, e a gente vê lá, na periferia, o quanto as mulheres sofrem, não só as negras, o quanto as mulheres tem dificuldade para ter o acesso. Tem muitas mulheres que estão depositando a confiança, e eu acho que é uma responsabilidade muito grande. Mas a minha proposta, o meu objetivo é não decepcionar”, conclui.



