Aprocapel, há 14 anos uma parceira dos caminhoneiros pelas estradas do país

Presidente da entidade, Nélson Vergara comemora a construção da sede da associação, em terreno de oito hectares. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Após quase 14 anos de existência da Associação dos Proprietários de Caminhões de Pelotas e região (Aprocapel), um antigo sonho começa a se tornar realidade: a construção da sede da entidade, em terreno de oito hectares, junto à BR 116, no quilômetro 518, localidade de Terras Altas, em Pelotas. “Depois de quase um ano, aprovamos o orçamento do muro e a terraplanagem de área inicial de pelo menos 300 metros do terreno”, comemora o presidente da entidade, Nélson Vergara.

Ele fala com entusiasmo da construção do local, que mais que uma sede para os motoristas associados, será um ponto de referência para o descanso após um longo período de viagem pelas estradas do país. “A previsão é de que o local tenha uma capacidade para receber mais de 400 caminhões”, ressalta, além de contar também com vestiários, sanitários, escritórios, estacionamento, entre outros.

Segundo Vergara, este sonho começou junto com a Aprocapel, fundada em 19 de novembro de 2008, mas que começou a funcionar efetivamente em 5 de março de 2009, com 47 associados. “A ideia inicial era levar a Ceasa para o local e pleitear a construção de um estacionamento público”, diz. Mas a entidade cresceu e possui hoje 520 associados e uma fila de espera com mais de 100 proprietários de caminhões, afirma.

Projeto prevê que o local tenha uma capacidade para receber mais de 400 caminhões. (Foto: Divulgação)

Esta longa fila tem uma explicação: “a entidade que começou como um sonho pequeno, se tornou grande”, ressalta Vergara. A partir do pagamento de uma mensalidade, o valor retorna aos associados em benefícios como a aquisição de pneus, óleo e lona a preço de custo, um diferencial entre 28% a 35% em relação ao comércio convencional, explica.

“Uma carreta bi-trem por exemplo, utiliza 26 pneus”, ressalta, e segundo ele, esta mensalidade fica “de graça” pelo retorno oferecido. E as vantagens não param por aí. Em caso de acidente com o veículo do associado, a associação providencia a remoção e assume o conserto, realizado em oficina localizada na cidade de São Marcos, na serra gaúcha.

Para isso acontecer, o proprietário mantém uma apólice de seguro de terceiros, o que é obrigatório e, segundo Vergara, uma atitude para proteger o motorista. “De 260 caminhões acidentados neste período, muitos continuaram porque têm a Aprocapel”, diz Vergara, citando ao menos 100.

Tudo é feito com a maior transparência possível e uma vez por mês as contas são apresentadas e aprovadas pelos membros da diretoria. O mesmo deve ocorrer em relação à administração do terreno da sede, que a princípio deve ter criada uma cooperativa para este fim. O principal entrave, por enquanto, diz respeito à isenção de impostos pela Aprocapel, o que a cooperativa não teria. “São duas coisas diferentes e o terreno tem que se pagar”, salienta. Mas a intenção é que o associado contribua com o menos possível e obtenha o máximo de benefícios, explica.

“Estamos numa das piores fases vividas pelo setor do transporte”, salienta o presidente, citando principalmente o preço do óleo diesel, que de dois anos para cá, pela primeira vez está mais caro do que a gasolina, diz.

“O transporte é uma atividade boa, mas difícil, e comprar um caminhão é um investimento alto, entre R$ 900 mil a R$ 1 milhão, com retorno pequeno”, diz. Para quem já está no negócio é mais fácil, afirma Vergara, e por isso, o setor tem esta alta característica da hereditariedade. “É uma profissão apaixonante, que chama a atenção, principalmente dos jovens, pela ideia de viajar, conhecer lugares, de independência”, diz.

No entanto, a habilitação é o grande empecilho para o ingresso destes jovens no setor. Além do custo, é preciso conquistar a categoria E para dirigir um caminhão de grande porte, diz.

A Aprocapel foi criada para resolver problemas de acidentes, roubos, incêndios e outros sinistros, ocorridos com os caminhoneiros da região nas estradas do Brasil a fora. Os veículos são recuperados no menor tempo possível, para que no máximo em 30 dias estejam de volta à estrada, trabalhando.

Nos seus primeiros anos, a associação funcionou no escritório de Vergara. Os associados representam em torno de 10% da frota que roda hoje na região, estimada entre dois mil a 2,5 mil veículos. Para garantir a segurança dos motoristas e das cargas nas estradas, todos os caminhões são rastreados. Cada veículo possui um rastreador, um localizador e um bloqueador, acompanhados pelo transportador por meio de um aplicativo.