O Movimento Feminino de Emancipação em Capão do Leão

Na foto, Clovis Roberto Silva, coodenador da Campanha de Emancipação e Ana Maria Victória Silva, coordenadora do Movimento Feminino de Emancipação. (Foto: Gerson Baldassari/JTR)

Nesses 40 anos pós-emancipação de Capão do Leão, o Jornal Tradição Regional conversou com a professora aposentada Ana Maria Victória Silva, filha de Ruy Teixeira Victória, que passou grande parte de sua adolescência e juventude ouvindo relatos e participando de movimentos como o processo de emancipação de Capão do Leão.

Ana Maria vivenciou os dois processos de emancipação: em 1963 e 1982. Ela conta que o primeiro deixou muitas frustrações e isso serviu de combustível para que surgisse com mais força em 1982. A professora disse que durante o período cresceu num ambiente onde todos os irmãos falavam no quanto seria importante a emancipação de Capão do Leão e as vantagens que a população teria com a transformação de 4º Distrito em cidade.

Segundo ela, os primeiros movimentos chamaram atenção dos ex-prefeitos de Pelotas, que começaram olhar para o local com outra visão. A partir daí, deram início a expansão de redes de água potável e o calçamento da rua principal.

Reuniões com moradores
Conforme Ana Maria, durante a década de sessenta as reuniões eram realizadas sempre à tarde. Uma das principais reivindicações era a conquista de escola de segundo grau. A legislação estadual garantia às cidades gaúchas o direito ao acesso às escolas estaduais. A expansão do comércio foi outro motivo que fortaleceu o movimento, além da chegada da rede bancária e o melhoramento das estradas rurais, responsáveis pelo escoamento da produção agrícola.

“Meu pai, Ruy Victória, já falava na importância das estradas federais que cortam o município, com acesso ao Porto de Rio Grande. Ouvindo tudo isso, eu e meu marido, Clóvis Roberto Silva, nos jogamos de corpo e alma na emancipação. Ele foi coordenador de Campanha de Emancipação. O trabalho dele foi importante para vitória do ‘SIM’ nas urnas”, justificou Ana, dizendo que o escritório de contabilidade do marido foi ponto estratégico de reuniões.

Por fim, a professora destacou a importante atuação do pai, que segundo ela foi o cérebro pensante de todo o processo de emancipação. “Ele enxergava Capão do Leão além do tempo. É claro, que ele juntou-se a outros nomes importantíssimos na luta de emancipação, como Ildemar Porto Antunes, Hugo Albuquerque, Nede Neves que foi o secretário da comissão de emancipação, entre outros, entretanto, meu pai, ainda não teve o reconhecimento merecido pelo seu trabalho e pelo amor que tinha por esta terra”, salienta Ana Victória.

Na época, em assembleia, foram escolhidos quatro patronos da Emancipação de Capão do Leão, sendo eles: Ruy Victória, Enedino Silva, Elberto Madruga e João Gomes.