Colheita do arroz avança no Rio Grande do Sul

Abertura oficial ocorreu na sexta-feira (18), em Capão do Leão. (Foto: Luciara Schneid/JTR)

O clima favorável intensificou a colheita do arroz no Rio Grande do Sul, que deve superar os 12 mil hectares da última semana, 1,2% da área plantada. O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) RS divulga uma atualização sobre a área colhida nesta sexta-feira (25).

Apesar das dificuldades climáticas, o estado consolidou uma área plantada de 957.185,72 hectares de arroz irrigado na safra 2021/2022, um incremento de 1,3% na área em relação à safra 2020/2021, quando foram cultivados 945,92 mil hectares.

O presidente do Irga RS, Rodrigo Machado, admite frustração de safra, principalmente com queda de produtividade, devido à estiagem que atinge o estado, com áreas perdidas já confirmadas em regiões arrozeiras importantes como a Fronteira Oeste, mas ressalta que em 20 a 30 dias, o Instituto deve ter uma noção mais clara e divulgará números com maior assertividade.

A Zona Sul registrou 161 mil hectares cultivados com arroz e 109 mil hectares de soja em rotação com o cereal. A colheita na região deve se intensificar a partir do mês de março. Machado destacou ainda o aumento nas áreas de soja e milho em rotação com o arroz. Na soja, o incremento é de 8,7% em relação à última safra, com 398,22 mil hectares cultivados. Em 2020/2021, foram 366,22 mil hectares plantados.

Cerimônia marca abertura oficial da colheita
A última semana marcou a realização da 32ª edição da Abertura da Colheita do Arroz, realizada pelo quarto ano consecutivo, na sede da Estação Experimental Terras Baixas (EETB), unidade da Embrapa Clima Temperado de Pelotas, no município do Capão do Leão.

Na sexta-feira (18), ocorreu a tradicional cerimônia que marca o ato oficial de abertura da colheita no estado, com a presença de autoridades dos governos federal e estadual e representantes dos diversos municípios da Zona Sul. O evento é uma realização da Associação das Federações de Arrozeiros do Estado (Federarroz), em parceria com a Embrapa e o Irga.

Durante três dias, o evento trouxe à discussão o tema “A produção de alimentos no Pós-Pandemia – Novos Patamares, Novos Desafios”, com importantes debates sobre o futuro da cadeia produtiva do cereal no estado. Neste período, mais de nove mil pessoas, entre produtores, técnicos e especialistas passaram pelo local, onde puderam conhecer as novidades tecnológicas para o arroz, soja e outros grãos junto às vitrines tecnológicas, preparadas especialmente para o evento.

Ocorreram ainda debates técnicos durante seminário realizado nos dois primeiros dias e homenagens, como a entrega da Pá do Arroz para destaques do setor. A abertura teve ainda a participação de mais de 100 empresas e representantes de 20 estados brasileiros e de dez países.

Câmara Setorial
Um dos principais debates ocorreu durante a reunião da Câmara Setorial Nacional do Arroz, realizada mais uma vez dentro do evento. O diretor comercial do Irga, João Batista Gomes, falou sobre a alta do custo de produção do cereal apurado pelo Instituto para a safra de arroz 2021/2022, que ficou em R$ 90,74 por saco de 50 quilos, considerando uma média de 166, 13 sacos por hectare e dentro de um critério e metodologia já estabelecido de usar a média das últimas três safras. “Parte deste custo é uma projeção, ou seja, são aqueles itens que ainda não estão consolidados”, explicou, destacando que trata-se de um guia, um alerta para esse ano.

O representante da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Sérgio Santos, revelou que devido à escassez hídrica, a produtividade do cereal no estado deve ter uma redução de 11,4%, de acordo com o 5º Levantamento da Safra de Grãos 2021/2022, divulgado recentemente.

Ele falou ainda de preços, e revelou uma tendência de elevação ao longo de 2022. “Os produtores estão mais capitalizados, com capacidade de escalonar mais as vendas. Se tem uma menor safra 2021/2022, boa demanda externa e a projeção de situação de superávit”, observou. Para ele, a elevação dos custos de produção pode frear a rentabilidade. “Identificamos um significativo aumento tanto do custo variável quanto do operacional, e esta elevação está nos levando de volta para um cenário de rentabilidade não muito atrativa para a safra 2021/2022”, concluiu.

Ato oficial de abertura
No ato oficial de abertura, o fundador da Federarroz e destaque no setor arrozeiro, Breno Prates, falecido em julho de 2021, aos 81 anos, foi homenageado com o seu nome atribuído à lavoura da abertura oficial.Familiares do homenageado participaram do evento e a filha, Carla Prates, falou em nome da família e agradeceu a homenagem recebida.

Participaram do ato, ainda, representantes do Senado, Câmaras Estadual e Federal, prefeitos, vereadores entre outras lideranças políticas da região. O secretário de Estado do Meio Ambiente e Infraestrutura, Luiz Henrique Viana, representou o governador Eduardo Leite (PSDB).

O presidente da Federarroz, Alexandre Velho, destacou que o Rio Grande do Sul é protagonista na produção nacional, pois mais de 200 municípios gaúchos dependem do arroz na sua economia. “Nós, desta cadeia produtiva, temos a responsabilidade em garantir a segurança alimentar brasileira. A eficiência dos produtores, em uma produção que cada vez mais vai para a rotação de culturas, é inegável”, destacou.

Segundo Velho, a lavoura de arroz é sustentável e responsável e há a necessidade de desburocratizar e agilizar as licenças ambientais para a construção das barragens e açudes com relação à armazenagem de água. “Temos problemas sim com relação à seca no estado, principalmente nas regiões da Fronteira Oeste e Central. Nós precisamos antecipar as soluções”, disse.

Conforme Viana, durante a pandemia o agronegócio gaúcho se manteve trabalhando, enquanto nas cidades o ritmo de trabalho foi reduzido. “O campo se manteve firme, mesmo sob risco, e garantiu o alimento na mesa, espantando o temido fantasma do desabastecimento”, salientou.

Viana classificou os produtores como parceiros indispensáveis na luta pelo desenvolvimento do Rio Grande do Sul e citou entre as conquistas do atual governo, a criação e a aprovação do Código do Meio Ambiente, na Assembleia Legislativa nos dois primeiros anos da administração.

Destacou ainda a atualização da lei sobre cadastro de agroquímicos e a publicação recente, com a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), da instrução normativa que reconheceu a problemática da questão hídrica e garantiu prazo para os produtores solucionarem a questão. Ele anunciou ainda a assinatura de resolução para reformular os prazos de regularização para poços na área urbana e rural.

Vitrines Tecnológicas

Um dos setores mais visitados no evento são as vitrines tecnológicas, que apresentam as últimas novidades em tecnologias para o setor. Neste ano, na Estação Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão, 40 empresas e instituições participaram com inovações em cultivares, defensivos agrícolas, tecnologias de aplicação, aviação agrícola, pastagens, fertilizantes e irrigação.

A Embrapa demonstrou em seu espaço cultivares de arroz, assim como de soja e milho, culturas que são as principais opções de rotação com o cereal. A empresa também deu enfoque em dois formatos de manejo de solo que são o camaleão de base estreita (sulco camaleão) e o de base larga.

Segundo o pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Giovani Theisen, são tecnologias que a empresa tem trabalhado desde a década de 80 e fazem uma grande diferença onde são bem implementadas. “A soja e o milho estão implantadas em cima de sulcos camaleões, que além de ser um formato para drenagem, possibilita irrigar essas culturas, o que é um diferencial”, disse.

A Embrapa também apresentou no evento as suas cultivares de soja BRS 6203 RR e BRS 5804 RR, materiais muito bem adaptados para a região e as terras baixas, com boa tolerância às doenças.

No melhoramento genético de cultivares de arroz irrigado, a Embrapa apresentou os últimos lançamentos, tanto para o sistema Clearfield como para o convencional. Na sexta-feira (18), foi apresentada a BRS A705, uma cultivar precoce com grãos de excelente qualidade. Segundo o pesquisador Ariano Magalhães Junior, esta cultivar confere resistência ao acamamento de plantas, mesmo em condições elevadas de adubação.

Outra variedade apresentada pela Embrapa foi a BRS Pampa CL, lançada em 2019, de ciclo precoce e adaptada ao sistema Clearfield com resistência à herbicida. “Essa cultivar apresenta grãos nobres, reconhecida pela indústria, tem excelente sanidade e não necessita de aplicações de fungicidas. Ela tem ocupado no estado o espaço de cultivares suscetíveis às principais enfermidades, especialmente a brusone”, explicou.

Ainda na vitrine, estiveram as cultivares BRS Pampeira, de ciclo médio e com o maior potencial produtivo, em torno de 12 toneladas por hectare, e a BRS A704, lançada para irrigado tropical, de ciclo um pouco mais longo e certa limitação de adaptação de região no Rio Grande do Sul.

O Irga trouxe para a Abertura da Colheita um portfólio de cultivares, como o 424 convencional, o 424 RI, que é a cultivar mais semeada do estado, hoje presente em mais de 50% da área, o 426, que vai ser um lançamento futuro na plataforma Clearfield, e o 431 CL, lançado há dois anos e hoje a segunda cultivar mais semeada no território gaúcho.

De acordo com o coordenador do Irga na Zona Sul, André Matos, foi mostrada a importância da genética Irga para a lavoura gaúcha. “Hoje a nossa genética conta com participação em quase 70% da área de arroz semeada no Rio Grande do Sul”, informou.

Presentes no espaço, também estiveram as empresas Adama, BASF, Brevant Sementes, CropChem, Dagramas, FMC, FT Sementes, Geoplan, ICL, Ihara, Morgan, Netafim, PGG Wrightson Seeds, Pioneer, RiceTec, SC Agro, Simbiose, Spraytec, Super N, Syngenta e Zimmatic, além de instituições e entidades como Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Embrapa, Irga, Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Livro sobre arroz
Na sexta-feira pela manhã, o evento também contou com a realização, no estande institucional do Irga, de uma sessão de autógrafos do livro “Arroz, um alimento de verdade” com a participação de cinco dos 15 autores: Maurício de Oliveira (organizador), Gilberto Amato (servidor do Irga), Betina Bueno Peres, Lázaro da Costa Correa Ganizares e Moacir Cardoso Elias.

“Esse livro derruba mitos e informa de maneira simples e objetiva, em uma linguagem de fácil compreensão, de forma a estimular o resgate dos hábitos de alimentação mais saudáveis que deixamos de lado nos últimos 20 anos. Aborda desde o que constitui um grão de arroz, passando pelos seus tipos culinários até os diversos benefícios proporcionados pelo seu consumo, evidenciando como este alimento além de ser uma importante fonte de nutrientes, vitaminas e bioativos, é um grande aliado da saúde”, explica o organizador. Interessados em adquirir um exemplar podem solicitar informações pelo e-mail [email protected].

Com informações da Assessoria de Imprensa