Na sexta-feira (28), aconteceu a abertura oficial da Feovelha, no Parque Charrua, em Pinheiro Machado. A 38ª Feovelha teve início na quinta-feira (27) e vai até domingo (30), com uma extensa programação voltada a ovinocultura. O evento de abertura contou com a participação de diversas lideranças políticas da região, Executivo, Legislativo Municipal, representantes da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul-RS), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural-RS, (Senar-RS), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDE), Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), Banrisul, Corsan, Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) e Sindicato Rural.
Durante a tarde também teve início os julgamentos de classificação de todas as raças, e a 7ª Exposição Nacional do Corriedale. Um dos momentos mais esperado pelos ovinocultores é o tradicional Rematão, o qual é considerado o carro chefe da feira, é nele que acontece a comercialização das mais diversas raças e alta qualidade genética ovina. Este ano, foram inscritos mais de 2 mil animais que foram leiloados através dos escritórios: Pioneiro Remates e Álvaro Porto Remates.
Segundo os escritórios, durante o Rematão foram comercializados 1.254 animais e o faturamento chegou a 443.985,00. As raças não definidas atingiram a média de R$ 362,12 e a raça Texel atingiu a média mais alta no valor de R$ 513,60.
A reportagem do Jornal Tradição Regional conversou com Fábio Duarte Simoni, um dos proprietários do escritório Pioneiro Remates, o qual contou que o escritório participou dos leilões no Rematão desde a primeira edição da Feovelha em 1984.
“Quando a Feovelha foi criada meu pai José Carlos Simoni (um dos fundadores do Pinoeiro Remates) trabalhou como leiloeiro free lance já na primeira edição e, no ano de 1998, começamos a trabalhar como proprietários do Escritório Pioneiro e estamos até hoje rematando. De lá pra cá participamos de todas as edições”, frisou.
Ao ser questionado sobre as modificações da feira ao longo das edições Simoni destaca a quantidade dos animais. “Na época que a feira atingia cerca de 10 mil animais inscritos a Feovelha tinha início na quarta-feira com a chegada dos animais e o Rematão acontecia na quinta-feira, na sexta-feira eram realizados os julgamentos e no sábado e domingo os remates de reprodutores. Nos últimos anos, a feira passou a realizar os remates na sexta e sábado”, destacou.
Sobre a redução do número de animais participantes da exposição Simoni cita diversos fatores que colaboraram pra que isso aconteça. “Um dos fatores resultantes da diminuição dos rebanhos foi a plantação de eucalipto e soja que cresceu consideravelmente nos últimos anos no município. Além destes, também se leva em conta a mão de obra que se tornou escassa no meio rural, a desvalorização da lã e tantos outros problemas que o ovinocultor enfrenta na propriedade. Atualmente, podemos citar o abigeato, o ataque dos javalis ao rebanho e o ataque de cães que geram prejuízos e, muitas vezes, levam o produtor a desistir da atividade”, esclareceu.
Simoni também explicou que no início da Feovelha praticamente toda produção de ovinos do estado centralizava a comercialização em Pinheiro Machado. Hoje outros municípios da região organizaram suas feiras de ovinos. “Na parte de reprodutores a Feovelha segue sendo uma prévia da Expointer, considerando que o número de animais que concorrem a prêmios durante a Feovelha é superior a Esteio”.
Simoni considera que a virtualidade dos remates foi a modificação mais impactante que a Feovelha sofreu ao longo dos anos, sendo este um fator muito positivo, permitindo que moradores de diversos países tenham acesso a feira. “Na Feovelha de 2021, a primeira com transmissão ao vivo, a feira alcançou mais de 10 países, a maioria dos internautas são brasileiros que estão distante e tem interesse na ovinocultura”, relatou.




