Na divisa entre Canguçu e Pelotas é produzida a erva-mate, planta nativa do local e que, por muitos anos, deixou de ser cultivada na região sul. Essa diminuição na produção, em meados da década de 70, ocorreu devido à expansão de indústrias semelhantes na parte norte do estado. Além disso, pela falta de conhecimento sobre a planta, muitos produtores deixaram de identificar a árvore em suas matas e não realizaram sua comercialização.
Na Colônia São Manoel, interior de Pelotas, divisa com o Rincão dos Maias, no interior de Canguçu, Nilo Schiavon possui uma propriedade agroecológica que é referência. Ao lado da esposa, Márcia Kerrsttern e dos filhos Luana, Robson e Rômulo, uma série de ações foram realizadas para que a propriedade se tornasse agroecológica.

As terras adquiridas em 1994 se tornaram palco de um sonho que seu Nilo planejou desde criança. Com empenho e dedicação, as conquistas foram se tornando possíveis para a família Schiavon, que além de comercializar produtos, também consegue produzir seus próprios alimentos, com exceção ao açúcar, sal, arroz e café.
Herança de seus pais, o amor pelo agroecológico se tornou sua meta de vida. Ele conta que o processo de cultivo da erva-mate foi possível por conta da agroecologia. “A produção de erva na propriedade aconteceu porque conservamos algumas plantas a campo aberto e outras na mata nativa – remanescentes das matas antigas. Com a mudança de formato de trabalho, passando para o agroecológico, e a partir dos sistemas agroflorestais, foi possível proporcionar o ninho e poleiro para os passarinhos. E isso resultou na plantação de erva-mate a partir da defecação deles”, conta o produtor.
A mudança de trabalho para a propriedade gerou a diversificação de plantas, frutas e ecossistemas, que atualmente vivem em harmonia. São diversos cultivos e produções que resultam na melhoria da qualidade de vida não somente dos humanos, mas também dos demais seres.
O cultivo da erva mate
A propriedade utiliza do sistema de bordeamento, barreiras que impedem a impermeabilização do solo com produtos químicos. Deste modo, toda a propriedade da família Schiavon passa a ser orgânica.
Para um processo de cultivo mais ágil, o plantio das árvores de erva-mate é realizado por meio da defecação das sementes pelos pássaros existentes na propriedade. Após a colheita das folhas, acontece o processo de secagem, que também é realizado no local, e precisa de equipamentos e fornalha. A partir desta etapa, a erva passa a ter o cheiro e sabor que conhecemos.
Após, o produto é embalado e comercializado, em Pelotas e, em Canguçu, na Feira Agroecológica ARPA Sul que funciona às quintas-feiras, das 7h às 13h. Ou então, através do contato de WhatsApp do seu Nilo: (53) 98419-9212.
Visitas, mutirões e estudos científicos sobre a propriedade
Todos os anos, a família Schiavon recebe diversas excursões de escolas, universidades e demais pessoas da comunidade. As visitas têm o intuito de promover o turismo pedagógico, e Nilo apresenta aos visitantes desde o formato administrativo à forma de produção agroecológica adotada pela família.
Por conta das inúmeras ações realizadas na propriedade e pelo fato de o formato de trabalho ser modelo para a região, além da existência de uma gama de diversidades no espaço, universitários, mestrandos e doutorandos, realizaram estudos no local. Entre eles, está a tese da pesquisadora Sandra Wienke. Diversas pessoas contribuem com seu trabalho para a tese de doutorado “A cultura da erva-mate na Serra dos Tapes, RS: desenvolvimento rural sustentável e conservação da agrobiodiversidade”.




