Conviver com crianças nos faz rever uma série de conceitos que formamos ao longo da vida. As crianças são livres, criativas, possuem poucos ou quase nenhum pré-conceito. Já nós, os adultos, estamos de mochila cheia, pesada que só. Uma mochila que chega a doer as costas de tanta coisa que vamos colocando ali dentro. Sim, esta mochila que falo é apenas uma metáfora, é só para ilustrar a vida real da maioria dos adultos.
Crianças não carregam mochila, elas querem leveza para poder correr, brincar, experimentar a vida. Nós adultos entramos na fase material e precisamos da “tal” mochila para nos sentirmos alguém especial. Para as crianças o ser especial está na liberdade, no desapego, no simples, no bem viver.
Meu filho está de aniversário e eu perguntei o que queria de presente, ele me deu cinco opções, cheguei na loja, não encontrei muito o que ele pediu e o vendedor experiente me disse: “leva qualquer coisa, amanhã ele vai mudar de ideia”. Fato. Eu percebi que crianças não se apegam a desejos materiais, cada dia é um novo dia e se querem mudar de ideia mudam facilmente, sem pensar no que os outros vão pensar daquilo.
Já nós adultos, nos apegamos e mesmo não querendo aquilo que não nos serve mais, relutamos em mudar, em deixar ir e principalmente relutamos em mostrar que mudamos, que agora é outra coisa que nos fará feliz.
E então quem ensina quem? Eu tenho uma alma livre, perdoo fácil, não tenho apego, tenho afeto e deixo ir mesmo, mas ainda assim sinto que preciso melhorar muito pra desenvolver o espírito livre das crianças, ainda preciso me desapegar de crenças, frases, sentimentos, alguns pesos que carrego na mochila, talvez eu ainda precise largar a mochila e seguir em frente, sem ela.
Eu ensino meus filhos boas maneiras, respeito, gentileza, português e matemática, mas acho que de vida eles entendem bem mais que eu. Acredito que as crianças vêm ao mundo com esta missão, nos relembrar que a vida é muito mais legal do que a gente faz dela ser.
Acredito realmente que eles quando pequenos tentam diariamente nos ensinar a viver de verdade, só que a gente não percebe e eles acabam sendo acolhidos por este mundo adulto cheio de pesos na bagagem, cheios de “e se”, “e ter”, “e eu” e dessa forma entram no famoso piloto automático em que os adultos vivem cegamente.
Só que aí vem os filhos dos filhos e estamos sempre cercados de uma criança, batendo no nosso ombro, querendo nos mostrar o que realmente importa nessa vida.
Tenho pra mim que aprendemos muito mais com eles do que eles com a gente. E por aí, já parou para observar quem está realmente ensinando quem e quem sabe tentamos absorver alguns destes ensinamentos para vivermos uma vida com mais significado?



