
Durante 40 anos, a Fenadoce construiu sua identidade em volta da atividade doceira de Pelotas. Dos mais tradicionais aos clássicos, os doces são protagonistas entre os visitantes. Nos últimos anos, porém, um novo movimento passou a dividir espaço com as receitas já conhecidas: cada vez mais, doceiras investem em versões livres de açúcar, lactose e glúten, ampliando o acesso à experiência completa da Fenadoce sem abrir mão do sabor que tornou a cidade reconhecida nacionalmente.
A procura por doces cada vez mais acessíveis e até mesmo proteicos provocou a Feira a encontrar um caminho para que pessoas que controlam a ingestão de calorias ou são diabéticas, por exemplo, também tenham por que visitar o evento.
Assim, embora os doces de Pelotas continuem sendo os protagonistas da Fenadoce, a ampliação do cardápio passa a incluir visitantes que, há um tempo atrás, não conheciam a experiência de escolher um doce, degusta-lo e levar outros sabores para casa. Mais do que uma tendência, essas opções representam uma forma de tornar a experiência da Feira mais inclusiva e, principalmente, mais moderna.
Pérola Doces Finos
Na Pérola Doces Finos, a mudança aconteceu de forma natural. Tradicional doceria pelotense, a empresa voltou à ativa nesta edição da Fenadoce após um período fora do mercado, resgatando uma história iniciada em 2005. A marca, que teve origem na Confeitaria Berola, retorna com uma identidade própria e um cardápio maior para atender um público com restrições.
Além dos doces tradicionais, a empresa oferece bolos de potes, mousses, sorvetes e versões do Rei Alberto (sobremesa composta por gelatina, cremes, doce de ovos e merengue) produzidas sem açúcar e sem lactose.
Segundo Sophie Falavigna, filha dos proprietários da Pérola Doces Finos e à frente do estande na Cidade do Doce, a procura pelos produtos surpreendeu e já representa uma das principais vendas durante a Fenadoce. Entre os mais vendidos estão o bombom de morango, o brigadeiro e o bolo de pote. “É interessante ter uma linha de doces zeros para que essas pessoas [com restrições] também tenha a experiência da Fenadoce”, afirma.
Para ela, a ampliação da Linha Zero passou a representar não apenas um diferencial da marca, mas uma forma de garantir que mais visitantes possam viver o evento de forma completa.

Nina Fit
A proposta da Nina Fit, segmento da Nina Doces de Pelotas, procura um caminho diferente, mas um mesmo objetivo: ampliar o acesso à cultura doceira pelotense. A iniciativa nasceu da experiência do nutricionista Ítalo Caldeira, filho da proprietária da Nina Doces de Pelotas, que percebeu na rotina do consultório a dificuldade de conciliar sabor e uma boa composição nutricional. Assim, em vez de desenvolver receitas distantes da confeitaria tradicional, Caldeira escolheu adaptar alguns dos doces mais conhecidos de Pelotas, preservando suas características e adicionando proteína.
A iniciativa chegou à Fenadoce no ano passado e, em 2026, voltou à Cidade do Doce com um espaço próprio. A Nina Fit fica em frente à Nina Doces de Pelotas, na Cidade do Doce, e tem como os produtos mais procurados os bombons de morango e maracujá – ambos com açúcar reduzido.
Para Ítalo, a Nina Fit acompanha uma mudança no comportamento dos consumidores: “as pessoas estão mudando a maneira de se alimentar, tentando se cuidar mais, mas sem deixar de comer as coisas boas”, pontua. Segundo ele, a proposta não é substituir os doces tradicionais, mas oferecer uma alternativa para quem procura uma alimentação mais equilibrada e quer participar da experiência proporcionada pela Feira.
Delícias Portuguesas
Na Delícias Portuguesas, o desenvolvimento de uma linha sem açúcar, glúten e lactose tem origem familiar. Há cerca de nove anos, depois de um dos netos da doceira Maria Alzira Carreira ter sido diagnosticado com diabetes na infância, ela passou a adaptar as receitas para que ele continuasse consumindo suas sobremesas favoritas. O que começou como cuidado logo deu lugar a uma linha completa de doces e bolos de pote, comercializados tanto na Fenadoce quanto ao longo do ano.
Conforme Eulália Duarte, irmã de Maria Alzira e responsável pelo atendimento na Feira, a procura pelos produtos cresce a cada edição do evento. Entre os mais vendidos estão os doces de café, tâmara, damasco e banana, que conquistam um público fiel formado tanto por pessoas com restrições, quanto por visitantes curiosos.
“Tem pessoas que vêm só em busca desses doces. É importante que eles também tenham a oportunidade de pegar um doce bonito, bom, e se satisfazer com aquilo, como os outros se satisfazem com um doce tradicional”, finaliza Eulália.



