Além dos clássicos, doces para pessoas com restrições ganham espaço na Fenadoce

Além dos doces tradicionais, a Peróla Doces Finos oferece bolos de potes, mousses, sorvetes e versões de sobremesas clássicas da culinária pelotense. (Foto: Martha Cristina Melo/JTR)

Durante 40 anos, a Fenadoce cons­truiu sua identidade em volta da ativi­dade doceira de Pelotas. Dos mais tra­dicionais aos clássicos, os doces são protagonistas entre os visitantes. Nos últimos anos, porém, um novo movimen­to passou a dividir espaço com as recei­tas já conhecidas: cada vez mais, docei­ras investem em versões livres de açúcar, lactose e glúten, ampliando o acesso à experiência completa da Fenadoce sem abrir mão do sabor que tornou a cidade reconhecida nacionalmente.

A procura por doces cada vez mais acessíveis e até mesmo proteicos provo­cou a Feira a encontrar um caminho para que pessoas que controlam a ingestão de calorias ou são diabéticas, por exemplo, também tenham por que visitar o evento.

Assim, embora os doces de Pelo­tas continuem sendo os protagonistas da Fenadoce, a ampliação do cardápio passa a incluir visitantes que, há um tempo atrás, não conheciam a experi­ência de escolher um doce, degusta-lo e levar outros sabores para casa. Mais do que uma tendência, essas opções representam uma forma de tornar a ex­periência da Feira mais inclusiva e, prin­cipalmente, mais moderna.

Pérola Doces Finos

Na Pérola Doces Finos, a mudança aconteceu de forma natural. Tradicio­nal doceria pelotense, a empresa voltou à ativa nesta edição da Fenadoce após um período fora do mercado, resgatando uma história iniciada em 2005. A marca, que teve origem na Confeitaria Berola, retorna com uma identidade própria e um cardápio maior para atender um pú­blico com restrições.

Além dos doces tradicionais, a em­presa oferece bolos de potes, mousses, sorvetes e versões do Rei Alberto (so­bremesa composta por gelatina, cremes, doce de ovos e merengue) produzidas sem açúcar e sem lactose.

Segundo Sophie Falavigna, filha dos proprietários da Pérola Doces Finos e à frente do estande na Cidade do Doce, a procura pelos produtos surpreendeu e já representa uma das principais vendas durante a Fenadoce. Entre os mais ven­didos estão o bombom de morango, o brigadeiro e o bolo de pote. “É interessante ter uma linha de doces zeros para que essas pessoas [com res­trições] também tenha a experiência da Fenadoce”, afirma.

Para ela, a ampliação da Linha Zero passou a representar não apenas um di­ferencial da marca, mas uma forma de garantir que mais visitantes possam viver o evento de forma completa.

Docinhos são feitos para pessoas com restrições alimentares de diversos tipos. (Foto: Martha Cristina Melo/JTR)

Nina Fit

A proposta da Nina Fit, segmento da Nina Doces de Pelotas, procura um cami­nho diferente, mas um mesmo objetivo: ampliar o acesso à cultura doceira pelo­tense. A iniciativa nasceu da experiência do nutricionista Ítalo Caldeira, filho da proprietária da Nina Doces de Pelotas, que percebeu na rotina do consultório a dificuldade de conciliar sabor e uma boa composição nutricional. Assim, em vez de desenvolver receitas distantes da confei­taria tradicional, Caldeira escolheu adap­tar alguns dos doces mais conhecidos de Pelotas, preservando suas características e adicionando proteína.

A iniciativa chegou à Fenadoce no ano passado e, em 2026, voltou à Cidade do Doce com um espaço próprio. A Nina Fit fica em frente à Nina Doces de Pelo­tas, na Cidade do Doce, e tem como os produtos mais procurados os bombons de morango e maracujá – ambos com açúcar reduzido.

Para Ítalo, a Nina Fit acompanha uma mudança no comportamento dos con­sumidores: “as pessoas estão mudan­do a maneira de se alimentar, tentando se cuidar mais, mas sem deixar de co­mer as coisas boas”, pontua. Segundo ele, a proposta não é substituir os doces tradicionais, mas oferecer uma alternati­va para quem procura uma alimentação mais equilibrada e quer participar da ex­periência proporcionada pela Feira.

Delícias Portuguesas

Na Delícias Portuguesas, o desenvol­vimento de uma linha sem açúcar, glúten e lactose tem origem familiar. Há cerca de nove anos, depois de um dos netos da doceira Maria Alzira Carreira ter sido diagnosticado com diabetes na infância, ela passou a adaptar as receitas para que ele continuasse consumindo suas sobre­mesas favoritas. O que começou como cuidado logo deu lugar a uma linha com­pleta de doces e bolos de pote, comer­cializados tanto na Fenadoce quanto ao longo do ano.

Conforme Eulália Duarte, irmã de Ma­ria Alzira e responsável pelo atendimento na Feira, a procura pelos produtos cresce a cada edição do evento. Entre os mais vendidos estão os doces de café, tâma­ra, damasco e banana, que conquistam um público fiel formado tanto por pes­soas com restrições, quanto por visitan­tes curiosos.

“Tem pessoas que vêm só em busca desses doces. É importante que eles tam­bém tenham a oportunidade de pegar um doce bonito, bom, e se satisfazer com aquilo, como os outros se satisfazem com um doce tradicional”, finaliza Eulália.

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