Motorista da Saúde transforma viagens em apoio a pacientes durante o tratamento

Souza relata que, ao longo dos anos, formou laços de amizade com dezenas de pacientes. (Foto: Divulgação)

O motorista da Secretaria de Saúde e Acolhimento, Alisson Valadão de Souza, inicia a rotina ainda de madrugada para transportar pacientes que precisam realizar consultas e exames em outras cidades. Entre longas viagens, desafios diários e histórias marcadas pela superação, ele afirma que encontrou na profissão uma forma de oferecer apoio a quem enfrenta o tratamento de doenças.

Desde cedo, Souza imaginava seguir a profissão de motorista. Hoje, além da responsabilidade de conduzir os pacientes com segurança, ele busca tornar o trajeto mais leve para quem enfrenta momentos delicados.

“Lembro dos tratamentos que a turma começa e tu vai, desde o início, acompanhando. Te deixa bem pra baixo, às vezes. Não pode aparecer que tu tá meio ruim pra pessoa. Ela já tá ruim, tu tenta fazer ao máximo o que pode para a viagem ser excelente e ela não sentir. Conversar, descontrair. Tem que controlar o emocional. Esse é o poder que tu tem pra poder ajudar a pessoa. Tem muitos que se carrega uma amizade”, conta o condutor.

Além da responsabilidade de transportar pacientes, o trabalho também proporciona novas experiências. Segundo ele, as viagens permitem conhecer diferentes cidades e realidades do Rio Grande do Sul.

“Levamos pessoal para todo tipo de cidade que se possa imaginar. Tudo que é tipo de tratamento, isso aí é um aprendizado. Eu não conhecia muitas cidades no Rio Grande do Sul. Vou aprendendo cada dia mais. Pessoas diferentes, hábitos diferentes”, relata.

Segundo Souza, a rotina de quem transporta pacientes também envolve orientar durante os deslocamentos, principalmente nas cidades maiores. Muitos não conhecem os locais onde serão atendidos e dependem do motorista para chegar ao destino. A função também o aproximou de realidades que antes conhecia apenas pela televisão e pela internet. “Vi doenças que não sabia que existiam, algumas via só pela televisão e internet. Outras bem raras que a gente também leva o pessoal para o tratamento”, explica.

Ao longo dos anos, ele acompanhou a trajetória de dezenas de pacientes. Com muitos deles, formou laços de amizade durante as viagens e presenciou diferentes momentos do tratamento.

“O cara fica bem aborrecido, faz amizade e tudo. Num piscar de olhos, a doença acaba vencendo eles”, lamenta.

Mas, entre as despedidas, também ficaram histórias de superação e de pacientes que conseguiram se recuperar.

“Tem uns quantos que venceram a doença. Isso é uma coisa gratificante, estar com eles desde o início. E conseguir acompanhar todo procedimento (…), tu vê que a pessoa se curou e saiu vitoriosa”, celebra.

Com o passar do tempo, a convivência durante as viagens fez com que muitos pacientes deixassem de ser apenas passageiros. “Alguns deles carregamos diariamente e vai ficando uma amizade, tipo uma família. O motorista é a segunda família que eles têm. E em casa paramos pouco (tempo). Só para dormir e já sair de madrugada de novo”, finaliza.

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