Robótica avança no campo e integração de sistemas impulsiona agro de baixo carbono

Congresso em Porto Alegre reúne pesquisas que vão de robôs para manejo e colheita a tecnologias da Agricultura 4.0, enquanto especialistas apontam alto custo e baixa conectividade rural como entraves no Brasil. (Foto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective)

Inovações em robótica agrícola e sistemas integrados de produção e agricultura de baixo carbono foram temas do segundo dia do 11º Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão e Digital (ConBAP) e da 17ª International Conference on Precision Agriculture (ICPA), que se realiza até quinta-feira (16), no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre (RS).

A primeira palestra abordou o uso da robótica na agricultura e foi apresentada pelo pesquisador da Universidade Agrícola da China, Wen-Hao Su. Filho de agricultores do interior chinês, ele relatou a experiência familiar no controle manual de ervas daninhas, com uso direto de herbicidas e outros químicos. Segundo o pesquisador, além dos riscos à saúde, o método exige muita mão de obra e apresenta baixa eficiência. “Eu tenho um sonho: mudar a vida das pessoas da minha família e de todos que trabalham lá. Quero que as lavouras sejam as mais tecnológicas possíveis. É a minha jornada”, afirmou.

O pesquisador relatou sua experiência num laboratório onde desenvolveram um robô com movimentos muito próximos aos dos seres humanos. O objetivo é de que, no futuro, trabalhem nas fazendas no lugar de pessoas. “Queremos desenvolver a capacidade de percepção, tomada de decisão e controle”, acrescentou.

As pesquisas em robótica para agricultura iniciaram em 1950 e a China, agora, está entrando em uma nova era, segundo Wen-Hao Su. Como exemplo do que já está acontecendo no campo, ele apresentou as tecnologias como o uso de drones que identificam frutas que estão maduras e executam a colheita, como em plantações de maçã, morangos e uvas. Câmeras também apontam problemas que possam existir nas lavouras.

Igualmente já há robótica na piscicultura atuando na alimentação e estudo do crescimento e movimentação dos peixes. Galinhas também são monitoradas nos aviários, onde a tecnologia atua no controle do crescimento das aves, identificação de possíveis doenças e na coleta de ovos.

Wen-Hao Su pontuou que, no futuro, vão construir redes integrando equipamentos no espaço que vão monitorar a agricultura em conjunto com os que atuam no solo. “O gargalo, infelizmente é alto custo, inclusive dos equipamentos já disponíveis que encarecem as lavouras”, lamentou.

Agricultura de Baixo Carbono

A segunda palestra foi sobre “Sistemas Integrados de Produção e Agricultura de Baixo Carbono no contexto da Agricultura 4.0”, com o pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, Alberto Carlos de Campos Bernardi.

Bernardi abordou como tecnologias digitais e análise de dados (Agricultura 4.0) ajudam a gerenciar sistemas de produção sustentáveis, como plantio e pecuária integrados. O foco foi demonstrar como essas ferramentas ajudam a retirar carbono do ar, medir emissões de gases e tornar a agropecuária mais eficiente.

O pesquisador demonstrou como corrigir solo, cultivar plantas, criar gado e plantar árvores na mesma área melhoram os indicadores de produtividade. “O gado se alimenta no pasto, enquanto as árvores dão sombra e madeira, e o solo absorve mais nutrientes”, explicou.

Após mostrar uma série de estudos e exemplos de como se dá o monitoramento de toda essa integração lavoura-pecuária e processos de correção de solo visando aumento de produtividade, Bernardi alertou para alguns gargalos que o Brasil ainda enfrenta, como a disparidade tecnológica e a limitada conectividade no meio rural. “Pesquisas recentes indicam que apenas 25% das áreas rurais brasileiras possuem acesso à internet, com as regiões Sul e Sudeste concentrando a maior parte dessa infraestrutura”, ressaltou.

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