
Referência na pesca artesanal gaúcha, a Região Sul abriga o maior número de pescadores artesanais do Estado. Apesar da vocação produtiva impulsionada pelas lagoas dos Patos e Mirim, o processamento do pescado ainda é um desafio e o reduzido número de agroindústrias no segmento evidencia o espaço para crescimento do setor. A Emater/RS-Ascar, atua no incentivo à cadeia produtiva e estrutura projetos para a legalização dos empreendimentos por meio do Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf).
Atualmente, a região conta com oito agroindústrias certificadas pelo Peaf e outras quatro em fase final de inclusão no Programa, que confere aos produtos o Selo Sabor Gaúcho. O número de solicitações de cadastramento, realizado pela Instituição desde 2010, vem crescendo de forma expressiva nos últimos quatro anos, período em que foram feitos mais de 20% dos cadastros atuais. Apesar do crescimento, os números podem aumentar ainda mais.
De acordo com o assistente técnico regional de Agroindústrias da Emater/RS-Ascar, Renato Cougo, o histórico da região sustenta grandes possibilidades de expansão. “Tivemos grandes empresas de pesca que fecharam, mas ajudaram a construir habilidades que se mantém e hoje muitas famílias fazem o beneficiamento de maneira informal. A legalização pode permitir que essas famílias acessem mercados institucionais com preço mais justo, garantindo renda através da formalização”, explica.
Incentivo e articulação
Diante deste cenário, a Emater/RS-Ascar promoveu na terça (23) e quarta-feira (24), em Rio Grande, Seminários de Processamento do Pescado Artesanal. Os eventos, realizados em parceria com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), Ministério de Pesca e Aquicultura, e Prefeitura de Rio Grande, com apoio da TGS e Sicredi, tiveram o objetivo de construir soluções para o desenvolvimento de toda a cadeia produtiva da pesca artesanal.
“Estamos iniciando essa conversa com os agentes de inspeção dos municípios, representantes de secretarias, extensionistas e pescadores para encontrar alternativas para o beneficiamento, que ainda é um grande gargalo”, relata o assistente técnico estadual de Pesca Artesanal, James Diego Roth.
Segundo Roth, o produto da pesca artesanal tem grande reconhecimento social na região, e pode agregar ainda mais valor. “O trabalho da Emater tem sido identificar determinados potenciais e levar algumas possibilidades. Não temos uma receita pronta, é preciso considerar a realidade de cada local. O que estamos trazendo é o que existe em termos de legislação e em potencial de projetos, desde agroindústrias pequenas a partir de estruturas já disponíveis na unidade familiar, até propostas de agroindústria modular, que pode ser adquirida em nível governamental, por exemplo”, conclui.
Como dar o primeiro passo
De acordo com Renato, os interessados em iniciar o processo de abertura e certificação de uma agroindústria para processamento de seus produtos devem “buscar a boa informação através da assistência técnica”, destaca. Segundo o extensionista rural, é possível solicitar o assessoramento da Emater/RS-Ascar para iniciar o projeto e receber apoio, orientações técnicas e acompanhamento ao longo do processo.
“Um projeto bem feito garante a legalização e abre uma possibilidade de ver aquele investimento que o empreendedor vai ter que fazer para a construção do negócio ser retribuído a partir da comercialização. Então isso para nós é o maior apoio que podemos dar aos pescadores e produtores rurais em termos de uma mudança efetiva”, conclui.
Altemar Correa Donini, pescador há mais de 40 anos na Colônia Z3, em Pelotas, está nesse caminho. Ele procurou a Emater/RS-Ascar e está em fase final do processo de adequações para solicitar inclusão ao Peaf. A partir da legalização, o pescador pretende filetar cerca de 300kg de pescado ao dia em sua agroindústria. “Na Z3 nós temos matéria-prima em abundância e quero abrir a agroindústria para trabalhar com segurança, poder vender produto melhor e com certificação. E se não fosse a Emater eu não conseguia chegar onde estou chegando”, conta.



