Conhecer histórias

Sérgio Corrêa, jornalista e radialista.

Nesta edição, a coluna concede este espaço à uma futura jor­nalista para que o exercício da produção intelectual se materialize no ainda resistente jornal impresso. Aqui, Beatriz Alt, acadêmica do curso de jornalismo da Universidade Federal de Pelotas, estagiária na rádio da Universidade Católica de Pelotas, escreve sobre uma reportagem apresentada no programa Bom Dia RU e no Instagram da Rádio Universidade que contou com sua participação.

O jornalismo é sobre conhecer histórias. Quando entrei no curso, não imaginava viver o dia a dia da profissão tão cedo.

Na quarta-feira, em mais um dia de estágio, tive a oportunidade de conhecer mais uma história, mais pessoas.

Fui para o trabalho já sabendo que naquele dia sairia do estúdio, local onde fico a maior parte do tempo, e iria para as ruas, conhecer a Escola Frederico Ozanan. A Escola Municipal de Ensino Funda­mental na cidade de Pelotas decidiu criar um álbum de figurinhas da Copa do Mundo para os alunos do 1° ao 5° ano.

Para mim, o mais instigante de fazer uma reportagem ou entre­vista é conhecer novos lugares, novas pessoas e novos projetos, e, principalmente, divulgar trabalhos e projetos necessários.

Para completar um álbum de figurinhas da Copa do Mundo do ano de 2026 é preciso desembolsar, no mínimo, R$ 930, contando com a sorte de não receber nenhuma figurinha repetida. O álbum oficial da Panini tem 980 cromos e 112 páginas. O salário-mínimo no Brasil é de R$ 1.621. Para grande parte da população é inviável conseguir colecionar um álbum oficial da Copa.

Ao ver um vídeo justamente de um pai demonstrando sua de­cepção por não conseguir dar um álbum para o filho, a professora de educação física da escola, Valéria Ribeiro, teve a ideia de montar um álbum da escola, acessível para que todos possam colecionar e entrar no clima de Copa do Mundo. Mas o desafio era grande. A sorte da professora foi contar com o apoio de Margareth Weege, coordenadora pedagógica da escola.

A dedicação e o amor na fala da professora ao contar que im­primiu, cortou e montou 149 álbuns e mais de 20 mil figurinhas em sua própria casa me lembra minha mãe, também professora da rede pública de ensino, que inúmeras vezes passou horas preparando coisas para seus alunos, demonstrando o amor que eu percebo presente em muitos professores maravilhosos.

A ideia foi muito bem recebida pelas crianças. Cada semana, em um período de aula, os alunos podem trocar figurinhas. Obviamen­te, o recreio, início e finais das aulas também se tornaram espaço para a troca de figurinhas. Em poucas semanas alguns estudantes já completaram o álbum e agora ajudam os colegas a conquistar o objetivo de ter o álbum completo.

Na escola, para ter um novo pacotinho não é preciso desembol­sar R$ 7 reais. É preciso reciclar. A moeda de troca para conseguir a figurinha do Neymar, Messi, Vini Júnior ou de qualquer um dos 1.248 jogadores dessa, que é a maior Copa do Mundo de todos os tempos, é tampinhas de garrafas PET. A conta é simples: 10 tam­pinhas = um novo pacote. Todas as tampinhas serão doadas para o projeto de reciclagem ADOTE. E tem até mesmo pais ajudando os filhos na missão de conseguir novos pacotinhos. Têm pessoas que, ao conversar, conhecer e observar, se tem uma certeza: escolheu a profissão certa. Quarta-feira conheci pessoas assim. Hoje, no 5° semestre já tenho a certeza de que a magia no curso que eu escolhi para a vida é essa, poder conhecer e contar histórias numa manhã que poderia ser apenas mais uma, mas se tornou especial.

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